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A DEVOLVIDA – DONATELLA DI PIETRANTONIO

03 fevereiro, 2020 por

A DEVOLVIDA - DONATELLA DI PIETRANTONIO

Algumas histórias não precisam de muitas páginas pra nos emocionar. Esse com certeza é o caso de “A Devolvida”, lançamento do último semestre da Faro Editorial. Um livro pequeno, com menos de 200 páginas, que conta uma história dura pelos olhos de uma garotinha de 13 anos que viu seu mundo virar de cabeça para baixo de uma hora para outra. Um clássico italiano que merece muito ser notado.

A garota de 13 anos cresceu feliz em seu lar abastado, sem nunca imaginar não pertencer ao local. Porém, iniciamos a história descobrindo que ela está voltando pra casa de sua mãe biológica. A justificativa de seus pais adotivos é que sua família biológica, primos distantes do casal, a pediram de volta. No entanto, bastam poucos minutos na nova casa para descobrir que isso não é verdade. Um lar precário, onde falta higiene, educação e comida para os pais e seus cinco filhos. Agora seis.

“As vezes, basta pouco pra vida mudar de repente.”

A DEVOLVIDA - DONATELLA DI PIETRANTONIO

Em meio ao choque de descobrir ser adotada e toda a mudança que isso implicou, a tristeza pela brutalidade em seu abandono pelos que sempre foram seus pais e o desespero em estar em um lugar desconhecido, com pessoas que nunca viu, a “devolvida” precisa agora superar e encontrar uma forma de viver na nova realidade. Ainda assim descobrir em quem pode confiar, em como será sua relação com seus novos irmãos e pais. Ela não tem mais um nome, apenas o estigma de ter sido abandonada duas vezes.

Começo dizendo que achei a sinopse desse livro sensacional. Eu precisava ler. Contudo, apesar de não entregar muito, como não se sensibilizar com a garotinha rejeitada? Você não sabe o que aconteceu e também precisa de explicações, assim como ela. À medida que estas não chegam, você também passa pelos mesmos estágios que ela: Confusão, tristeza, indignação, raiva… E nada mais justo, estamos acompanhando a história pelo olhar dela.

“Repetia devagar a palavra ‘mãe’ umss cem vezes, até perder todo o sentido e se tornar apenas um movimento dos lábios.”

A DEVOLVIDA - DONATELLA DI PIETRANTONIO

E quem é ela? Uma garota sem nome. Ele não nos é falado. Mas por que deveria? Ela não é conhecida por nome algum! Para a maioria é apenas “a devolvida”, dentro de casa é “aquela”. A menina também não sabe mais quem é, e acompanhamos a sua trajetória de auto-conhecimento. Ainda que desolada, ela precisa se desvincular dos velhos hábitos, amigos, afetos… Contudo, ela precisa lidar com um novo mundo da forma mais bruta que ele pode ser.

Sua relação com a nova família acompanha toda a confusão de seu abandono. Se por um lado ela foi devolvida a eles, em seu coração não existe essa noção de pertencimento. Mas também nem nas atitudes que recebe. Seus pais agem com indiferença, seus irmãos com receio e implicância. Apesar do laço fraternal, eles nunca sequer se viram ou souberam da existência dela, e isso pode ser mais conturbado do que deveria. Mas não vou detalhar devido à grande facilidade de surgir spoilers.

No entanto, em meio a esse turbilhão de emoções ela encontra um ponto de apoio em sua irmãzinha mais nova, Adriana. Muito espontânea, esperta e dona de uma personalidade ímpar, ela protege e ajuda “a devolvida” nesta transição para a nova vida e novos costumes. Uma amizade que surge a partir da necessidade de dividir uma cama pequena e cheirando a urina. Os momentos das duas são um refresco até para nós leitores em meio a tantas dúvidas e indignações.

“Eu fiquei órfã de duas mães vivas.”

E nessa transição ela descobre que pode existir maldade ainda que só enxergasse bondade, e da mesma forma o contrário. A “devolvida” é obrigada a crescer cedo demais, a descobrir em quem e em que confiar. Principalmente ao ver como as pessoas podem usar as outras de acordo com seus interesses, sem a menor responsabilidade emocional.

Como sempre a edição da Faro Editorial está impecável. Sou fã! Ainda que tenha uma capa simples, é bem impactante e bonita. Te transporta à inocência infantil sempre que você abre o livro, com os trações de uma garotinha em destaque. Ao mesmo tempo que possui  as famosas páginas amareladas e de maior gramatura utilizadas pela editora, que são ótimas para a leitura. Prazeres que aquecem o coração do leitor, né! Sendo assim, não há dúvidas que indico que se aventurem nesta linda história. Rápida, porém muito tocante e reflexiva.

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Editora: Faro Editorial
Autor: Donatella Di Pietrantonio
Ano: 2019
Páginas: 160
Drama, Ficção, Literatura Estrangeira, Romance
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12 Comentários

  • Aruom Fênix
    fevereiro 10, 2020

    Caramba nunca tinha ouvido falar do livro, mas me senti tocada esse mês estou lendo meu primeiro livro de um autor italiano contemporâneo e estou percebendo um estilo bem diferente de escrita você chegou a perceber algum estilo mas característico da escrita italiana no livro ?

    Amei a sua resenha de verdade

    Parabéns pelo trabalho

    Blog Leituras de Aruom

  • RENATA CRISTINA SILVA AVILA
    fevereiro 10, 2020

    Livros assim me deixam destruída principalmente quando são narrados na versão dela

    bjos
    Renata Avila
    http://www.entrandonumafria.com.br

  • Erika Monteiro
    fevereiro 10, 2020

    Oie, tudo bem? Li algumas resenhas sobre esse livro e achei a proposta simplesmente incrível. Deve ser complicado para uma criança crescer num ambiente e do nada ser arrancada dali, e pior, sem nenhuma explicação. Quando é um adulto que conta determinada história vemos de uma forma, mas quando é uma criança parece que dói mais. Concorda? Um abraço, Érika =^.^=

  • Valéria
    fevereiro 09, 2020

    Caramba, deve ser uma história muito intensa, e acompanhar tudo pela visão dela deve ser angustiante demais… Tentei me imaginar no lugar dela e já deu aflição…

    Já tinha visto algumas opiniões sobre esse livro e tô curiosa pra ler tbm…

    Küss

  • Victória
    fevereiro 09, 2020

    Já me interessei de cara por ser de uma escritora italiana, algo incomum de se ver por aqui. Mais ainda pela história, porque apesar de parecer bastante pesada e carregada de emoções, sua resenha me deixou com muita vontade de ler! Parece muito bonito!

  • Ana Elisa Monteiro
    fevereiro 08, 2020

    Ei Karina, agora fiquei com vontade de ler o livro. Na verdade estou curiosa para saber como ela vai lidar com as mudanças e como isso vai afetá-la emocionalmente. Será que afeta? A autora tratou isso? Parabéns pela resenha, ela realmente te faz querer ler a história.

  • Debora Sapphire
    fevereiro 08, 2020

    Achei ótimo poder conhecer melhor esse lançamento da Faro Editorial! Super concorco, que não é preciso um livro com muitas páginas para nos emocionar. Imagino que dê para sentir na pele da personagem toda a agústia e indignação. Acredito que seja muito interessante acompanhar a história pelo olhar dela.

  • lilian farias
    fevereiro 08, 2020

    Oi, não conhecia o livro, não sabia que era um clássico da literatura, é a primeira resenha que leio sobre ele e particularmente, gostei muito, algo que me chamou atenção é o fato da narradora não ter nome, então pode ser qualquer criança, além de aproximar o leitor. Confesso que nunca dei muita atenção a editora Faro, mas sua resenha e a proposta do livro me fizeram repensar minha opinião.

  • Carol Nery
    Carol Nery
    fevereiro 08, 2020

    Eu tenho visto muitas resenhas desse livro por aí. E o que consegui concluir, é que a história realmente deve ser ótima, e muito envolvente. Mas, que eu… Não dou conta! Vai entender. A loka dos serial killers, não consegue lidar com todo tipo de emoções. hahahhaa
    Ah, lindas fotos! Como sempre. Beijo beijo.

  • Maisa Gonçalves
    Maisa Gonçalves
    fevereiro 08, 2020

    Uau, que estória forte. Como mãe, fiquei bem angustiada, afinal sabemos como a formação de um adulto está pautada nos primeiros anos de vida de uma pessoa. E tantas mudanças… traumático, no mínimo!

  • Hanna Carolina de Paiva
    fevereiro 08, 2020

    Puxa! Que vida dura a dessa menina, a coitada nem nome tem! Já fiquei agoniada com sua resenha, imagina com a leitura mesmo do livro… minha nossa! Bjks!
    Hanna Carolina

  • Hanna Carolina de Paiva
    fevereiro 08, 2020

    Caramba! Que vida a dessa menina! Eu me senti agoniada só de ler sua resenha, imagina lendo a vida dela mesmo, a coitada nem nome tem…
    Realmente, é uma história forte em poucas páginas. Bjks!

    Hanna Carolina.