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15 março 2019

{ #RESENHA } A SOMBRIA QUEDA DE ELIZABETH FRANKENSTEIN - KIERSTEN WHITE

Titulo: A Sombria Queda de Elizabeth Frankenstein | Autora: Kiersten White | Ano: 2018 | Páginas: 352 | Editora: Plataforma 21 | Gênero: Fantasia, Horror, Jovem Adulto, Ficção | Adicione a sua lista do Skoob | Onde comprar: Amazon

"Iluminai o que de trevas há em mim".

Falaremos hoje (mais ou menos) sobre um clássico. Frankenstein, ou o Prometeu Moderno é um romance de terror gótico escrito por Mary Shelley, e foi apresentado pela primeira vez em 1818. Nos dias de hoje as diversas representações do “monstro” criado por Victor Frankenstein nos tiraram o foco correto, e a criatura acabou sendo associada ao nome Frankenstein. O que não é de todo errado, uma vez que Victor foi seu genitor, e dessa forma a criatura herdaria seu sobrenome, por assim dizer.

Esse livro compõe a grande trindade dos clássicos do gênero terror ao lado de Drácula e de O Médico e o Monstro. Se você é fã de terror, e é fã de clássicos mundiais que vêm desbravando eras, não deixe de conhecer a fundo essas três obras, que também abordam muito da psicologia de uma mente sã e insana ao mesmo tempo.


"Não ser isenta de culpa não é a mesma coisa do que ser culpada (...)".

Em A Sombria Queda de Elizabeth Frankenstein (que sim, é sobre ele que vamos conversar hoje), somos atraídos primeiramente pelo título, e em segundo lugar pela capa maravilhosa que a Plataforma21 nos entrega. O título é como que se construído através de pontos dados com uma agulha em alguma superfície que bem pode ser pele. A diagramação está bem especial também e as contracapas são de uma cor forte, detalhando toda a delicadeza da editora em entregar um trabalho caprichado. Adorei!

Em uma escrita recomendada para maiores de 12 anos (pois temos alguns embates e mortes violentas), Kiersten White reconta de maneira muito inteligente esse clássico em uma perspectiva feminina. Algumas pessoas não gostam de releituras de grandes clássicos, mas eu mesma adorei conhecer essa outra visão da história. Faz-nos construir um interessante olhar do “outro lado” dos acontecimentos que originalmente são narrados através da fuga e caça de Victor, no livro inspirador. Toda sua inteligência e conhecimento que o conduziram à criação de seu monstro particular, também é muito bem trabalhado nessas páginas escrita por White. Ela foi muito feliz em utilizar a forte, inteligente, e resoluta Elizabeth, para que em contraponto, enxerguemos os motivos e razões que Kiersten atribuiu para a busca incessante de Victor em vencer a morte.

"A própria lua escondeu sua face de nossas intenções violentas, vestindo-se de nuvens como se fossem uma mortalha. (...) A Cidade não tinha serventia para nós, não desejávamos testemunhas".

Não desmerecendo o trabalho (magnífico e inovador) de Shelley e nem agigantando a obra de White, eu gostaria de ressaltar o quanto senti como que as duas versões se completam. Realmente me senti em uma perspectiva, talvez em 3D, dentro do próprio enredo do livro Frankenstein. Essa releitura foi extremamente elegante, e nos dá um entendimento do distorcido nascimento da criatura construída de forma tão tosca. Aquela sensação de que as primeiras impressões ainda nos enganam e nos fazem perder a chance de uma melhor aproximação de uma situação ou de alguém também é bastante desenvolvida pela brilhante ideia da jovem autora.

Elizabeth Lavenza, que quando criança foi criada de forma abusiva, tendo sido resgatada pela família Frankenstein para ser companheira de seu filho (também criança) Victor, que de forma apática, não demonstrava interesse por ninguém. Victor sempre foi uma criança acima da média, porém muito fácil em ser suscitada em si uma fúria sem medida. A garota com toda sua esperteza e inteligência, percebeu que se conseguisse se dar bem com o filho da família Frankenstein, isso faria com que ela pudesse continuar a viver na casa, a ser bem tratada, a ter educação, e não sofrer mais humilhações. E assim, Elizabeth se tornou TUDO para Victor. Sua querida, sua amiga, sua companheira, a única a quem recorria.

" - Mas onde está Elizabeth? - perguntava, com o ouvido encostado no meu coração. - Qual destas partes a torna você?
Eu não sabia a resposta. Victor tampouco.

A nossa história se dá na busca incessante de Elizabeth, por Victor, que há muito tempo não lhe envia uma carta, e que está desaparecido em alguma parte da Europa. A moça, naturalmente, expressa um tipo de sentimento amoroso pelo rapaz, o qual é correspondido. E ela pressente que sem Victor na mansão dos Frankenstein, sua segurança pode estar com dias contados, uma vez que ela não terá mais utilidade naquele casarão.

A sensibilidade feminista de White nessa recriação de uma obra tão amplamente conhecida conseguiu manter o suspense em alta, com plots chocantes, e uma narrativa que às vezes se dividia em tempo e espaço diferente. Atribuí 4 estrelas no Skoob e Goodreads. Me senti muito fazendo parte de tudo que está sendo narrado. Experimentei os sentimentos conjuntamente com Elizabeth e com o “monstro”.

"Cada degrau foi uma eternidade. Demorei mais do que deveria para subir. Eu sabia que precisava ver o que havia depois daquela porta de alçapão. Por outro lado, torcia desesperadamente para que estivesse trancada".

A autora está de parabéns em se arriscar (e acertar, a meu ver) a tocar em uma obra tão “sagrada”; essa considerada a primeira em ficção científica em toda nossa história conhecida. Kiersten White conseguiu entrelaçar cada detalhe do que Shelley escreveu, fazendo assim com que os dois livros se tornassem um só. Fiquei extasiada em como White conseguiu inserir em sua versão cada personagem significativo advindos da escrita de Shelley.

Kiersten White é americana, tem 36 anos, e é autora de ficção para crianças e jovens adultos. Ela é uma escritora premiada e também é best-seller do New York Times. Um dos seus maiores sucessos é a Saga da Conquistadora, também publicada pela Plataforma21. Ela vive com sua família em San Diego, Califórnia.

"Fomos inseparáveis por anos, tanto que eu não sabia onde ele terminava e eu começava".

Comentários via Facebook

10 comentários:

  1. Oiii Carol

    Creio que há retellings e retellings, alguns o autor simplesmente se perde, sai da história, e acaba frustrando qualquer expectativa, porém, há casos, como esse, onde literalmente as histórias se completam, como se a mudança de perspectiva fosse necessária memso rpa que a gnete pudesse entender melhor. Já estava louca por esse livro, agora com certeza estará na minha próxima TBR, tem toda pinta de história que vou amar.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Alice, parece que você entende do riscado, hein?! E com certeza... existem autores que se perdem nas releituras. Eu li umas de Branca de Neve que não achei legal não. Mas, essa me deu essa perspectiva de "outro lado" da história.
      Espero que te agrade!!! Um beijo.

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  2. Em primeiro lugar não dá para ver um livro assim e não falar da capa, diagramação!Que livro mais lindo!!!
    E falar de Mary e de releitura assim deve dar aquele gostosinho na alma. Trazer toda a história novamente, de uma forma atual e feminina, é algo que até não entraria na nossa cabeça há um tempo né? E agora chega assim, como se de casa fosse, e é!!!
    Com certeza, o livro está na lista dos mais desejados há um tempo!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1106875602370527233

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    1. Sim, Angela!! Desse jeito mesmo!!! A gente se sente em casa. A história não é reinventada, mas parece ser completada tão somente. Pelo menos, essa foi a minha experiência. Que você possa ter uma feliz experiência também. Elizabeth e o "monstro" me ganharam.
      Beijão

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  3. Eu já tinha ouvido falar desse livro, mas nunca li nenhuma resenha e acabei de ler a sua de boca aberta.
    Não imaginaria que o livro seria uma visão feminina da história, deve ser uma leitura muito boa, eu pensei em ler ele só pela capa e porque eu amo muito a história, mas agora eu tô realmente querendo muito ler esse livro, adorei!!!

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    1. Bianca, realmente a capa já é mais que motivo pra ter vontade de ter esse livro em mãos! Mas, a história pelos olhos de Elizabeth é bem interessante. Ficamos sabendo uns segredos obscuros da família Frankenstein também. Eu realmente gostei muito.
      Tomara que seja uma boa leitura pra você também.

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  4. Oi, tudo bem? Fiquei curiosa com a obra por se tratar de uma mulher protagonista. Não sou muito fã de releituras e confesso que esse clássico é algo que não quero encarar, mas daria uma chance para saber como o enredo se desenrola e como foi o crescimento da Elizabeth. Não conhecia o livro, obrigada pela dica :) Achei a capa meio horripilante hehe.

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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    1. A capa pode ser meio horripilante, mas ao mesmo tempo ficou linda e muito bem feita. hahahaa Mas, é que gosto muito do gênero mesmo! Tomara que você encare um dia. Foi uma leitura bem legal. Beijo

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  5. Oi Carol, tudo bem?
    Eu achei lindo o cuidado e capricho que tiveram com essa edição. Ainda não consegui ler, mas pela sua resenha dá pra notar que vale a pena. Gosto do original e sempre fico com receio quando surge alguma releitura. Mas já quero ler este <3

    Sai da Minha Lente

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  6. Não conhecia o livro, mas adorei a proposta dele e para mim é inovadora. Saber que a autora conseguiu entrelaçar as histórias de dois livro em um é animadora, ainda mais por ser uma releitura. Gosto de ter um novo olhar aquilo que achamos ser concreto. A edição está um luxo, realmente um excelente trabalho da Plataforma 21.

    Abraços.

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