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21 março 2019

CRITICA DE ESTREIA | NÓS

Distribuidora: Universal Pictures | Gênero: Terror, Suspense | Duração: 1h 56 | Estreia: 21/03/2019 | Elenco: Lupita Nyong'o, Winston Duke, Elisabeth Moss | Direção: Jordan Peele

Hoje eu quero falar de Nós, o lançamento que está deixando os grupos de filmes de horror, terror e suspense que participo em polvorosa e morrendo de ansiedade. E não é sempre que está pintando um filme que mexe com o imaginário de todo mundo assim não. Porém Nós, (Us no original) é o novo filme escrito, produzido e dirigido por Jordan Peele (escritor e diretor de Corra!, ganhador do Oscar de melhor roteiro original/2018). A crítica vem anunciando que o terror de Peele provavelmente desbancará Capitã Marvel ainda em sua estreia. Então, deixe-me falar um pouco dessa experiência.

Em um flashback de 1986 acompanhamos uma família composta por mãe, pai e uma filha, passeando por um parque localizado em uma praia, como comemoração pelo aniversário da pequena. Em certo momento a menina se distancia de seus pais, caminha pelo parque, anda pela praia, e encontra uma casa de espelhos, daquelas que refletem você em diversas paredes. A criança começa a se sentir aterrorizada ali dentro, por não conseguir encontrar a saída verdadeira. Até que ela se encontra com uma cópia exata dela mesmo, mas uma cópia de carne e osso, e não um reflexo distorcido.


Temos em seguida o primeiro contato com a família Wilson, ainda em seu carro, viajando de férias para sua casa de veraneio. Adelaide (Lupita Nyong’o) e Gabe (Winston Duke) estão querendo descansar e aproveitar a companhia de seus filhos. Em certo ponto da trama, após terem ido à praia (aquela mesma praia onde ela se perdeu quando criança), Adelaide conversa com seu marido e explica os motivos por estar se sentindo angustiada. Ela tem certeza que a série de coincidências que andam acontecendo não é nada natural. Confia a Gabe o trauma sem explicação e aparentemente sem solução pelo qual passou ainda criança, e sobre o medo que algo aconteça com eles, pois acredita que aquela menina (ela mesma) que ela encontrou na casa dos espelhos lá em 86, está muito perto deles.

E é nessa sequência que a família se depara com quatro pessoas de mãos dadas, no escuro da noite, em frente à entrada de sua casa. Os estranhos vestem macacões vermelhos, e se dispersam com muita rapidez quando Gabe os confronta. E é nesse ponto que o filme vem com tudo pra cima da gente. Quando as duas famílias se encaram frente a frente já dentro da casa dos Wilson, sobe aquele arrepio na espinha quando Jason diz a seus pais quem são os invasores: Nós!

O duplo de Adelaide é Red. Ela é a única dos ‘clones’ que conversa, tem o dom da fala, e aparentemente, tem a capacidade de pensar, concatenar planos, e influenciar as demais “sombras”, como ela mesma se autodenomina em sua esclarecedora conversa com Adelaide. É uma pessoa carregada de uma raiva latente, um desejo de vingança que até então, não tem explicação.


Quando fui entendendo o conceito do filme, me deparei com a mente divagando lá no doppelgängers de Edgar Allan Poe. Para sempre, todas as vezes que eu ouvir falar de “duplos”, Willian Wilson figurará em meu imaginário. Mas, até chegar à última cena do longa, eu percebi que Peele queria falar bem além do duelo de duplos que queriam buscar seu lugar ao sol (literalmente); além da violência e do contraste dos uniformes alaranjados para seus iguais de roupas claras. Em um filme onde temos uma boa quantidade de violência e agressividade, bem como muitas mortes e às vezes um palavreado mais pesado, não é recomendado para menores de 16 anos. Com certeza uma ousada obra que une o cinema popular com o cinema “cult”, e que se der certo com o grande público, coroará Jordan Peele: 2 filmes muito bons, em 2 (isso mesmo... esses 2 filmes são tudo que ele dirigiu e produziu no formato longa-metragem).

A trilha sonora é um outro grande diferencial, assim como as inúmeras referências ao mundo pop do cinema e da música norte americana. O uso de sombras com um quê Hitchcockiano também foi um adereço bastante eficaz. Preciso admitir que assistindo ao trailer, eu pensei que passaria muito medo sozinha ali na sala de cinema. Mas, Peele fez mais por mim do que eu imaginaria. Em meio ao embate dos Wilson pela sobrevivência de cada um deles e a necessidade em sempre ir ajudar um membro da família que possivelmente se desgarrou do ‘bando’, eu tive uma aula a respeito de privilégios; a respeito do que fazemos ou deixamos acontecer com os outros, de desumanizar os desiguais...

Lupita é a força motriz de todo o filme. Uma força feminina que não desiste perante seu mais terrível pesadelo e a mais dura de suas lembranças. Seu papel principal como Adelaide e como Red chega ao nível do inenarrável. Que atriz! Ela consegue encarnar dois papéis bem discrepantes entre si, mudando sua entonação e dicção, alterando suas expressões faciais, e até a forma como impõe seu olhar. Assustador, mas mais que isso, impressionante!


Sem querer roubar qualquer parcela da experiência de você que está lendo essa crítica, só te peço para que foque em Lupita Nyong’o. Extasie-se com seu show de interpretação e com os detalhes que Peele nos deu desde o início da trama. Ele não se importa se você vai “sacar” o final da história, porque ele quer que você tire proveito máximo nesta experiência que o fez chegar até ali.

Finalizo com o trecho de uma declaração do próprio Peele sobre Nós e sobre a vida, de modo geral. Pois sim, nós podemos tirar lições de vida e caráter até mesmo em filmes de terror:

— A história toda é sobre proteger minha própria tribo, mesmo que o custo disso seja desumanizar completamente o estrangeiro. É sobre identificar o tipo de privilégio social no qual estamos incluídos e ao qual não damos tanto valor. E perceber: qual meu papel em todo o mal do mundo? Para cada pedaço de privilégio do qual eu usufruo existe outra pessoa sem nada daquilo, com a qual eu estou indiretamente conectado, mesmo sabendo que não escolhi excluir aquela pessoa.

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26 comentários:

  1. Respostas
    1. Oba!! Espero que seja uma boa experiência pra você também, Ana. Eu fiquei impressionada por ter sido meu primeiro filme do diretor. Quero assistir Corra! logo, com muito tempo de atraso.

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  2. Já tinha visto o trailer e agora com essa resenha ótima, fiquei com mais vontade ainda de ir no cinema!

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    1. Então, Moniquita... não perca! É bem eletrizante. A gente fica pensando o tempo todo o que pode estar acontecendo. Eu adorei!

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  3. Oi Carol, meu Deus mulher, quase me mijei só com o trailer... Não sei se tenho coragem de assistir, mas já formulei altas teorias, haha. Obrigada pela dica, ainda não sabia deste lançamento horripilante.
    Bjos
    Vivi
    Blog Duas Livreiras

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    1. Vivi, acabou que eu não senti tanto medo! É muito bem pensado... acho que bem mais psicológico de um modo perturbador. hahaha Vale muito a pena assistir. Porém, o trailer é muito assustador mesmo!!!
      Beijoca

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  4. Olá tudo bem? Quando vi o trailer fiquei imensamente curiosa, mais sinto que no momento não estou muito preparada para esse tipo de produção, vamos dar mais um tempo até eu criar a coragem necessárias rsrs, medo! Beijos!

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    1. Senti medo também, Michelle. Mas, no fundo a mensagem era outra! hahahaa
      Dê seu tempo necessário, mas não perca essa ótima produção. Beijão

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  5. Oi, tudo bem? Vi pouco sobre esse filme por aí e, como não é um gênero que gosto, fui deixando passar. Fiquei bem interessada nessa história dos duplos. Adorei demais a declaração do diretor, muito real e triste. Gostei muito como a trama tem um simbolismo diferente. Me deu vontade de assistir haha. Legal saber que a a Lupita conseguiu apresentar duas personagens completamente diferentes!

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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    1. Nina, o bom que ele não é terror puramente. Ele tem seus alívios cômicos e muita reflexão... Que bom que deu vontade de assistir. Garanto que ele é praticamente 5 estrelas!!! E a Lupita, Senhor!!! A mulher dá conta do filme inteiro sozinha. Você vai ver.
      Beijo beijo

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  6. Quero muito ver esse filme,ainda mais pela escolha do elenco. Fiquei curiosa para descobrir mais sobre esse desejo de vingança desses "Nós" e só agora que mencionou é que liguei Willian Wilson, eu amoooo Poe. Preciso assistir e espero tirar algumas lições.

    Abraços.

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    1. Eu tenho certeza então que você vai gostar muito!! Eu adoro esse negócio de duplos. E Poe é muito maravilhoso!!! Amo demais.
      Obrigada pela visita.

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  7. Eu estou com muita vontade de assistir a esse filme e ao mesmo tempo morrendo de medo! Mas quero ver assim que possível. Adorei ver a sua opinião e espero gostar muito quando for ver.

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    1. Eu também pensei que sentiria muito medo. Mas, no fim das contas, saí muito satisfeita com a qualidade do filme!! Show de interpretação dos atores, somado ao o que o diretor/roteirista/etc quis nos passar. AMEI!!!

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  8. Olá!! :)

    Eu confesso que nao conhecia este filme, mas fiquei algo curioso, mesmo nao sendo grande fa do genero!

    Que otimo que o elenco tambem te agradou! :) E que o conceito te fez lembrar dos conto do Poe! :)

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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    1. Mesmo o filme sendo do gênero terror, eu acredito que tem muita mensagem interessante pra gente "catar" e refletir. Se der uma oportunidade, espero que seja um entretenimento proveitoso pra você.
      Abraço

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  9. Oi Carol, sua linda, tudo bem?
    Já fiquei com medo dessas imagens, e imagine encontrar um clone de toda a sua família??? E ainda clones com raiva??? Acho que não terei coragem de ver, posso ter pesadelos, risos... Não conhecia o filme ainda, mas para os fãs do gênero, tenho certeza de que será um sucesso. Sua crítica ficou ótima.
    beijinhos.
    cila.

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    1. Cila, não é um terror tão assustador. É mais um terror que bota a gente pra pensar!!! hahahaa Foi uma ótima experiência pra mim. Obrigada pela visita e pelo carinho.

      Beijocas

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  10. Oi!
    Eu não gosto de filmes de terror mas esse não me pareceu ser um convencional filme do gênero e me despertou bastante curiosidade (embora não tenha coragem de ver sozinha, confesso haha). O Cartaz dele é bastante intrigante, imagina o filme!
    Beijos!

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    1. Larissa, com certeza não é um filme de terror convencional. Peele está vindo com um novo estilo dentro do horror, que olha... Faz a gente parar, refletir, pensar na vida!!! Show demais. Recomendo!!!!!

      Grande beijo

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  11. Oi Carol, tudo bem? eu vejo várias pessoas falando bem desse filme mas, ainda não estou interessada em assisti-lo principalmente, porque não adorei o filme Corra! Gostei dele em alguns pontos mas, acredito que faltou muito coisa para ser um filme incrível para mim e, tenho receio de Nós, ser do mesmo jeito.

    Achei interessante você expor todos os pontos positivos da história e, assim como você também gosto de filmes de terror mas, no momento estou curtindo outros gêneros cinematográficos. Obrigada pela dica!

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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    1. Vivi, concordo que será legal você assistir em um outro momento. Pode ser que sua experiência com Corra! te roube alguma coisa em Nós. Então, deixa o tempo passar...
      E é bom entrar numas outras vibes, né? Assistir outros gêneros também.
      Obrigada pelo carinho. Beijo

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  12. Olá!
    Me falaram desse filme hoje, e achei a proposta incrível - mesmo não gostando muito de terror -
    Seu post me deixou ainda mais curiosa para assistir, espero fazer isso em breve.
    Adorei conhecer sua opinião, beijos!

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    1. Ah, esse filme tá bombando já. E sinceramente não vi ninguém falando mal ainda. Mas, pode ser só meu círculo de conhecidos. hahahaha Se você der uma chance, espero que seja uma boa experiência pra ti.

      Beijo

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  13. Olá, tudo bem?

    Eu já estava com vontade de assistir esse filme e a cada crítica que leio fico com mais vontade ainda. Parabéns pela crítica, ficou massa!
    Abraço!

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