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21 fevereiro 2019

#CRÍTICA ESTREIA | QUERIDO MENINO

Distribuidora: Diamond Films | Gênero: Drama | Duração: 2h 01 | Estreia: 21/02/2019 (Data de estreia sujeita a alteração) | Classificação: 14 Anos | Direção: Felix van Groningen | Roteiro: Felix van Groningen e Luke Davies

O filme Querido Menino (Beautiful Boy) teve seu lançamento no dia 12 de outubro de 2018 nos Estados Unidos. É uma adaptação do livro  “Querido menino: A jornada de um pai com um filho viciado”, do conceituado jornalista e autor americano David Sheff, publicado aqui no Brasil em 2008 pela Editora Globo.

Nessa história ficamos conhecendo a família Sheff. Esse longa aborda a emocionante e real história de vida de David e seu relacionamento com seu filho adolescente Nicolas. David tem mais dois filhos ainda crianças de seu segundo casamento, com Karen.


Nic está partindo para morar fora de casa, pois irá cursar a universidade. Ele aparenta ser um adolescente muito educado e dedicado. No início de sua jornada acadêmica ele encanta uma colega de turma ao recitar um poema de Charles Bukowski (alguém que sou muito fã, e adorei essa participação especial). 

No decorrer dos dias, e sem qualquer causa, ou estímulo, Nic começa a fazer algumas pesquisas a respeito da utilização da metanfetamina. Essa é uma droga sintética, ilícita e altamente viciante. Essa substância psicoativa age como estimulante do sistema nervoso central. Em pouquíssimo tempo Nic se vê enredado ao poder mágico (e destrutivo) dessa droga. Em certo momento, através de uma entrevista que David realiza a fim de entender o funcionamento desse tipo de droga, o médico explica que o organismo do usuário sempre precisa de uma dose maior que a anterior para atingir o “barato” desejado.

Iremos nos deparar com um desmoronamento de pouquinho a pouquinho, do que outrora era uma família perfeita. Os irmãozinhos pequenos de Nic sentem sua falta, seu pai tem muitas preocupações (e bastantes motivos para tê-las) e sua madrasta começa a ficar assustada e receosa com as atitudes dele; sem contar sua mãe, que vive em outra cidade e fica terrivelmente apavorada com a situação do Querido Garoto que foi seu filho.

David recorda Nic que a recaída faz parte de sua recuperação. Isso nada mais é do que um lembrete difícil de que a sobriedade não é algo simples ou fácil de se obter, mas sim fruto de um trabalho duro e opressivo.


Um menino que antes era doce e querido se tornou em um viciado sem rumo. Com dificuldades de se manter sóbrio. Ele sempre volta atrás. Ambos os pais de Nic se envolvem no processo de recuperação do jovem, mas parece que o filho já está longe demais para ser alcançado de volta. Achei muito especial os momentos que retratam os pais buscando sua melhor forma de ser presente e ajudar o filho toxicômano. Mesmo sendo separados maritalmente, a união maior, de sangue e de amor, os fazem caminhar trechos árduos juntos. Ser família!

Timothée Chalamet foi fenomenal em representar um adolescente com tantas fases vividas em tão curto espaço de tempo. Ele tem um rosto muito expressivo, onde podemos ir sentindo os momentos de amor (divididos com sua família), os momentos de dor, de “viajem”, e da sensação desolada de estar perdido. Um excelente ator que fez com maestria o que lhe foi proposto, tanto na personalidade de Nic, quanto em seu visual e no físico de seu personagem. Steve Carell onde só o vi atuando de forma cômica, conseguiu me emocionar no papel de um pai desesperado, lutando pela vida de seu filho mais velho. Através de flashbacks podemos acompanhar o desenvolvimento e crescimento de Nic com o pai, uma vez que este possui a guarda do garoto após a separação. Eles sempre foram muito unidos.


Acredito que após termos filhos alguma coisa dentro da gente sofre uma alteração drástica. Ou essa “coisa” quebra ou não funciona direito. Mas, a gente fica excessivamente diligente a respeito de qualquer coisa sobre nossos filhos. Temos medos inimagináveis. Descobrimos no mesmo instante o que nossos pais passaram, e os compreendemos e os amamos muito mais por isso. E acho que desta forma, delineando o tipo de relacionamento familiar que Nic tinha, e que foi perdendo, eu fui sendo inserida no drama que o longa nos conta, e me emocionei demais. Cheguei às lágrimas. E recomendo a experiência.

Trabalhei por quase quatro anos com dependentes químicos. Os locais retratados no filme são muito coerentes com o que convivi por esses anos. A fala do dependente químico, as promessas, os pedidos, o desespero e desolação... Tudo ficou muito bem representado! A cena em que David está sentado conversando com Nic em uma instituição, isolados em um local qualquer, me levou diretamente aos meus anos de responsável por essa clínica de reabilitação. E trabalhei diariamente com famílias que eram desestruturadas pelo vício, com mães que choravam por perder seus filhos.


E esse filme é uma excelente história para se acompanhar, onde sem julgar, os roteiristas nos entregaram uma ampla visualização da vida de um dependente químico lutando diariamente com seus próprios “demônios”. Por exemplo, Nic representava isso em um caderno com desenhos psicodélicos e frases desconexas ou perturbadoras. E enfim, nos mostra que esse caminho difícil de trilhar não é caminhado sozinho. Toda família sofre, toda família trabalha junto.

Comentários via Facebook

37 comentários:

  1. Um dos melhores filmes que já vi neste começo de ano! As atuações estão impecáveis, os cenários, trilha, tudo um encaixe perfeito!
    Um drama comovente, que dói na alma. E que prova que por mais amor que se tenha no peito e na convivência, esse mal ainda pode existir.
    A relação entre pai e filho é algo que emociona do começo ao final. O filho foi amado demais, mas quando pai "desiste", a gente sofre junto, pois sente o cansaço dele, a decepção, o peso do mundo nas costas.
    Aliás, Carell viveu esse pai tão profundamente, que até seu corpo transpareceu tudo isso.
    Super recomendado, não só a quem já viveu este drama, a quem viverá e a nós, que já vemos e vimos isso acontecer tantas vezes!!!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1097813469817176066

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    1. Ai que bom, você viu também!!!
      Excelente, né?? Nossa... eu fiquei muito emocionada. Me surpreendi na profundidade que Carell deu ao papai de pai de um viciado. Nossa, a parte que ele desiste, é por não ter mais forças de lutar. Meu coração ficou bem tocado mesmo!!
      Beijão

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  2. Oi, tudo bem??

    Eu não sou muito de ver filme, mas fiquei emocionada com o Trailer. Gostei muito de ver seus comentários, acho que é mesmo um filme ótimo e eu adoro atores expressivos, que nos envolvem bastante. Valeu muito a dica, vou assistir no fim de semana!!!!

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    1. Bianca, sensacional! Fico feliz que tenha gostado da dica. Eu reservo muito pouco tempo para filmes, porque prefiro mil vezes ler. Mas, um filme feito esse vale muito a pena anunciar, porque com certeza, faz a gente refletir sobre os dramas da vida que muitas pessoas enfrentam.
      Um abração e espero que aproveite o entretenimento.

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  3. Olá, tudo bem? Ainda não conhecia esse filme, mas pelo o que tu disse pude perceber que é incrível. Parece ser bem emocionante. Já quero assistir!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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    1. Larissa, é emocionante sim. Vale a pena conferir. Espero que consiga assistir e que seja uma boa leitura pra ti.
      Beijoca

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  4. Oiii Carol

    Eu tenho certeza que vou chorar muito vendo este filme, tive um amigo que era dependente quimico, infelizmente ele acabou se partindo, então é um drama bem duro, complicado de enfrentar que sempre levanta um monte de questões, a gente se sente incapaz sabe, quer ajudar mas não faz a menor idéia de como fazer, e sente medo, medo de dizer algo e afastar ainda mais a pessoa e medo de se calar e perder a pessoa pra sempre, é extremamente dificil.
    Adorei a dica do filme, eu vou querer assistir com certeza, parece ser bem realista e tocante.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Isso Alice, você falou tudo. Realmente a gente fica literalmente em um "mato sem cachorro", não sabe pra onde pode correr. O temperamento do dependente químico é sempre muito instável. Fora que eles ficam muito manipuladores... é algo muito difícil de lidar. Amigos e familiares sofrem mesmo!
      Acredito que essa história real vai sim te emocionar. Um grande beijo e obrigada pelo comentário tão pessoal.

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  5. Não conhecia o filme, mas achei a dramática dele tocante e acho que isso se deve ao fato de ser mãe. Como você disse, sofremos uma alteração drástica dentro de nós quando temos um filho, então tenho certeza de que também irei me emocionar com esse filme. Quero assistir, então é sugestão anotada.

    Abraços.

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    1. Siiimmm, ser mãe nos deixa com o radar constantemente ligado!!! A gente se preocupa com tudo e sonha com as melhores coisas para os nossos eternos bebês.
      Acompanhar o desespero do pai ao ver Nic se despedaçando mexe muito com a gente.
      Espero que seja uma boa experiência!

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  6. Olá!

    Confesso pra ti que nao conhecia esse filme, mas sua resenha me deixou tocada. Só quem viveu perto de um dependente quimico sabe como é essa vida e ainda mais ou menos por que não somos a pessoa. Adorei a sua dica... um filme real e de extrema importância. Dica mais que anotada

    Beijos

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    1. Legal, Mayara. Tomara que consiga assistir quando lançar e que seja uma boa reflexão. Realmente é muito interessante e importante ver como os dois lados dessa moeda lidam com esse problema que assola tanto nosso país e o mundo.
      Um beijo

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  7. Como eu não conhecia esse filme? Poxa vida, também adoro Bukowski e abri um sorrisão ao saber que ele foi citado ahhaha. Acredito que seja um filme muito necessário e tenho certeza que a mensagem deixada por ele é marcante, já vou procurar para assistir!

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    1. Acho que ele estreia essa semana. Espero que goste. Eu acho bem importante ter esse tipo de trabalho no cinema, ainda mais baseado em uma história real...
      Aahhh, também ama Buk? Que AMOR!!!!

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  8. Oi, tudo bem?
    Eu baixei esse filme para ver, mas ainda não tive tempo, por essa razão fiquei animada com seu post. Bom, imagino que seja interessante acompanhar essa história mesmo, parece ter sido bem retratada.

    Beijos :*

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    1. Ah, Larissa... acho que é uma ótima história. É bastante importante nesse mundo que vivemos hoje. As drogas abalam as estruturas de muitas famílias, né? Eu adorei demais a experiência.
      Beijão

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  9. É verdade, nos transformamos após a maternidade. Em relação ao filme eu não conhecia e pelo visto não será difícil me identificar com ele.
    Bjs, ROse

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    1. Rose, você me entende quando falo sobre maternidade, né? A gente fica bem diferente referente a alguns conceitos. E o coração balança fácil quando vemos lutas de pais para salvar seus filhos.
      Beijão

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  10. Oi!
    Não tinha ouvido falar desse filme ainda, e nem do livro, e achei a história bem tocante. Drogas é um assunto complicado e imagino o abalo que causa em uma família.

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    1. Estou doida pra encontrar o livro, porque o filme foi realmente muito tocante!!!
      Obrigada pela visita.

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  11. Oi, tudo bem? Não sabia do lançamento desse livro e, achei a sua opinião muito construtiva sobre a história afinal, o tema drogas é algo muito atual e precisa de uma solução que ainda não existe. Quando um filme popular aborda os malefícios causados pelas drogas e como as famílias são afetadas e a mensagem mais importante: "uma família nunca desiste de libertar seus entes queridos desse vício".
    Ótima indicação!

    Beijos e Abraços Vivi
    https://resenhasdaviviane.blogspot.com.br

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    1. Verdade Vivi! A dica é válida, e embora muito tocante e emocionante, é um filme duro de acompanhar. Muito triste ver um vício tentar terminar de todo jeito com uma vida. Principalmente de um jovem.
      Um beijo!

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  12. Olá, tudo bem? Não conhecia o filme, mas fiquei bem interessada por causa do assunto que ele traz e pela questão de ser uma adaptação literária. Gosto do modo como você falou sobre, e da sua experiência de trabalhar com dependentes químicos se relacionar com as experiências do filme. Dica mais que anotada e ótima crítica!
    Beijos,
    https://diariasleituras.blogspot.com

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    1. Oi Ana! Tudo joia por aqui... fico feliz que tenha gostado da crítica. Geralmente gosto de relacionar as coisas que assisto ou leio com alguma parte da minha vida. Acho que me dá uma compreensão melhor do que o autor/diretor/roteirista está tentando me passar.
      Obrigada pelo carinho. Beijão.

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  13. Beautiful Boy, é lindo. Um drama que consegue ser profundo sem a necessidade do exagero. Mostrou que a jornada da dependência química não é apenas do viciado mas sim, de toda a família, de todos que o amam. Sem julgamentos mostrou também o quão delicado foram os momentos de amor vividos. E que mesmo com uma criação amorosa, o desencadeamento de algo triste pode ocorrer. Timothée Chalamet fez jus novamente ao mostrar o motivo de ser considerado um dos melhores atores de sua geração. Suas mudanças de personalidades e físicas foram excelentes. Mas, Steve Carell que também só o via em comédias foi impressionante. Nos passou toda a complexidade e desespero de um pai que não sabe o que fazer para ajudar o filho. Felix van Groeningen não poderia ter chegado em Hollywood de maneira melhor, um ótimo filme!

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1100191803620380672?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

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    1. Aí, xará... arrasou!! Eu disse que o filme tava demais. As interpretações foram absolutas. Apaixonei peelo Timothée. Ele é muito maleável para o papel!!! Merece os elogios. E o Carrel mostrou que ele sabe fazer um bom drama também. Fantástico! Obrigada por aparecer. Até a próxima.

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. esse seu post foi tipo uma luz, porque eu via esse filme mas nao me via interessada nele pela capa e os posters, mas entendendo a complexidade desse filme e da historia fiquei de cara do quanto é o tipo de obra que eu amaria e amo assistir.

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    1. Eu não sabia do que se tratava quando fui ao cinema! Mas, mexeu bastante comigo. Emocionante!!!

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  16. Nossa, que filme! Eu ainda não conhecia e agora fiquei com vontade de vê-lo, deve ser uma trama muito emocionante e acredito que eu também choraria horrores com ele. Espero poder assistir ao filme em breve.

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    1. Beatriz, tomara que tenha essa oportunidade. Esses dramas familiares mexem muito comigo! Os atores estão incríveis. Dá pra chorar sim... hehehehe

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  17. Que bacana, não sabia que apreciava Bukowski, o velho sacana, também o o trabalho dele como escritor. O filme não conhecia e o tema me agradou bastante.

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    1. AMO Buk! Tenho a coleção quase completa aqui em casa. Marido e eu gostamos muito.
      Se tiver oportunidade, vale a pena ver o filme!!! Um abraço.

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  18. Oi Carol, sua linda, tudo bem?
    Fiquei toda arrepiada enquanto lia sua resenha. Esse assunto é muito doloroso e destruidor, acaba com toda a família. E algo chamou muito a minha atenção no seu texto: ele pesquisou do nada, sem nenhum motivo. Essa sempre foi a pergunta que eu fiz: se todo mundo sabe o caminho sem volta que é, qual o motivo de embarcar nesse tipo de subvida? E no caso do filme foi mais assustador ainda, tipo, ele teve uma curiosidade? É isso? E pronto, o mundo desabou! Nossa. Não conhecia o filme, mas é super necessário. Sua crítica ficou ótima.
    beijinhos.
    cila.

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    1. Oi Cila. Eu acredito que a maioria das pessoas que entram no submundo das drogas, o faça por curiosidade. Aquela máxima de "comigo vai ser diferente" também é válida. O cara tem certeza que só vai ver como é o barato e parar. Eu trabalhei com pessoas viciadas em diversos tipos de substâncias, e entre os motivos estão esse que já falei, ou a vontade de sentir algo diferente (porque a realidade não está legal), e tem também aquele motivo de se mostrar "o cara" ou que "já é homem" perante os amigos. Sim... analisando criticamente parecem motivos bobos, mas a juventude (e não só os jovens) é pega nessa cilada diariamente.
      Obrigada pelo comentário. Adorei! Beijo

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  19. Um filme que com certeza mexe com o emocional de qualquer um. Achei a ideia de mostrar essa realidade muito bacana, apesar de bem pesada e dolorosa. Já coloquei na lista para assistir assim que der!

    Beijos do Wes ^^

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    1. Com certeza, Wesley. Por mais que saibamos ou que tenhamos visto casos de dependentes químicos, esses filmes, ainda mais baseado em história real, mexem bastante com a gente!

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