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09 janeiro 2019

CRÍTICA DE ESTREIA | ASSUNTO DE FAMÍLIA

Distribuidora: IMOVISION| Estreia: 10/01/2018 | Gênero: Drama | Duração: 2h 01min

Sabe aqueles filmes que se você dormir no meio e (sim dá muita vontade) tu perde todos os detalhes que fecham o final? Pois é, assim é o Manbiki kazoku, que na melhor tradução para o português se tornou "Assunto de Família".

O filme que se ambienta todo num cotidiano tradicional de uma família do subúrbio de Tóquio, traz em um segundo plano um aranhado de fatos que mostram que uma mesma história pode ter vários pontos de vista e que a felicidade nem sempre está relacionada ao que se imagina ser.

A família de Osamu (Lily Franky, do citado Pais e Filhos) e sua esposa Nobuyo (Sakura Andô) é formada pela matriarca Hatsue (Kirin Kiki,) o garoto Shota (Jyo Kairi) e a jovem Aki (Mayu Matsuoka). O grupo que vive de pequenos golpes roubos, mentiras, contravenções, inicia a trama quando eles encontram a pequena e adorável Yuri (Miyu Sasaki), negligenciada pelos pais, e por isso decidem “adotá-la” ou melhor, acolhê-la em sfua caótica casa.


O casal que não pode nem sequer se dar mais ao luxo de fazer sexo, está na meia-idade e além dos golpes  fazem bicos onde podem, mas vivem apertados em um muquifo que mal dá conta de tanta tranqueira espalhada dentro dele; montes de caixas e brinquedos velhos, quinquilharias, eletrodomésticos quebrados, etc, formando um quadro de uma família que prefere viver na bagunça do que lembrar de tudo que perderam no caminho.

Dirigido pelo cineasta japonês Hirokazu Koreeda, um dos melhores autores atuais, segundo a crítica, o drama mostra um universo narrativo tão coeso e convincente, que o público só consegue enxergá-los como seres humanos imperfeitos, cujas falhas morais e legais são infinitamente redimidas pelo carinho e afeto irresistível que sentem umas pelas outras.

E o que pode parecer uma proposta absolutamente clichê ou baranga se torna, diante do cinismo e do ódio que dominam o mundo hoje, um dos longas mais moralmente complexos e provocadores dos últimos tempos. O que rendeu a Palma de Ouro em Cannes em uma que é encenada pelo cineasta japonês na 1h30 inicial, que é narrada de novo, de um ponto de vista institucional, na meia hora final.

“Assunto de Família” é tão potente que o espectador é tomado por uma complexidade moral tão grande, que a tentativa de encontrar uma resposta vai permanecer com ele por dias, semanas e meses após a sessão. Porque o mundo não é preto e branco. E bandido bom não é bandido morto. É o bandido talvez ame mais do que você o odeia.


Com fotografia de Ryûto Kondô, que filma os rostos e corpos dos personagens com uma proximidade que permite quase tocar a pele deles e a belíssima trilha de Haruomi Hosono, calorosa e singela, mostram  até no ato final do filme, que nunca é muito claro se o laço que liga todas aquelas pessoas é exatamente sanguíneo. Porque não é isso que interessa. E sim, mostrar como aquelas pessoas realmente amam umas às outras. Como o afeto entre elas é autêntico e palpável, e como as rixas e desavenças são as mesmas de qualquer outra família de qualquer lugar do mundo e com qualquer condição social.

Comentários via Facebook

4 comentários:

  1. Ahhhh!Aguenta coração!
    Estou no aguardo para poder conferir este filme. Não sei se ele passará na minha cidade, aqui é o fim do mundo e normalmente, só focam em outros estilos ;/
    Amo filmes assim, que deixam na gente esse gostinho de vida.
    Assistirei com toda a certeza do mundo!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1083282002747502593

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  2. Ana!
    Essa questão foi um dos pontos que observei também, sem contar que lá tudo é tão certinho e estranhei.
    Trabalham roubando, né?kkkkkkkk
    Acho que mesmo com todas essas atividades adversas, o amor reina de alguma forma.
    Um pena que ficou faltando algumas explicações.
    Não acho que tenha capacidade de ganhar como melhor filme estrangeiro não.
    cheirinhos
    Rudy


    https://twitter.com/rudynalvasoares/status/1083910948031746053

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  3. Esse filme já está na minha lista principalmente por se passar no Japão e também só o Hirokazu Koreeda pra fazer o cotidiano virar algo tão inusitado e diferente!

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  4. Nossa, sua resenha me deu muita vontade de ver. Vou catar pra ver se entrou num cinema daqui! Gosto de filmes fora do cenário hollywoodiano :D
    https://varokina.blogspot.com/

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