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12 novembro 2018

{ #RESENHA } CÉU SEM ESTRELAS - IRIS FIGUEIREDO

Título: Céu Sem Estrelas | Iris Figueiredo | Ano: 2018 | Páginas: 360 | Editora: Seguinte | Gênero: Romance, Ficção, Jovem Adulto | Adicione a sua lista do Skoob | Onde comprar: Amazon   

“Eu era grande e gorda, então as pessoas me chamavam de ‘fortinha’.Eu não me sentia forte. Demorei muito tempo até encontrar minha própria força.”

Em algumas das resenhas que fiz no blog, falei sobre livros que foram um ‘amorzinho’ de ler e ganharam meu coração. Por esse motivo, não posso simplesmente falar apenas isso do livro que irei resenhar hoje, porque ele conseguiu ser muito mais do que apenas um “amorzinho”. Sabe aquela história que te pega do início ao fim? Que você consegue se ver nos personagens? Não apenas nas qualidades, mas na história de vida e nos defeitos também. Sabe aquele tapa na cara? Deixa eu falar sobre ele aqui hoje para vocês.

"Céu sem estrelas" é um lançamento new adult deste ano, da editora Seguinte, e foi sucesso em vendas na bienal do livro de São Paulo, na estante da editora. O enredo conta a história de Cecília, uma garota de dezoito anos que acabou de terminar o ensino médio e está prestes a entrar na faculdade. Após perder o emprego temporário em uma livraria, e de uma briga com a sua mãe, a garota se vê expulsa de casa e morando com sua melhor amiga, Iasmin, que vive com os pais e o irmão mais velho, Bernardo. Cecília que sempre foi gorda e com baixa autoestima se vê envolvida com o garoto. Bernardo por sua vez, tem suas próprias cicatrizes e traumas para curar, e sente no relacionamento com Cecília, algo que nunca antes havia sentido.

“Eu estava sempre ansiosa, pensando em como deixar de ser quem era, em como me tornar alguém melhor, alguém de quem as pessoas gostassem. Mas era incapaz disso - sempre que tentavam se aproximar, eu fazia alguma coisa errada.”

Para mim, é complicado escrever sobre algo que gostei muito, porque todas as palavras que uso não consegue descrever o que achei e o que senti, mas vamos tentar. A história de Cecília e Bernardo é extremamente tocante, digo isso porque à medida que os dois vão avançando no relacionamento percebemos como o amor dos dois, é forte. A história é narrada tanto por Cecília, quanto por Bernardo, e essa mudança é bem bacana para que o leitor consiga ver os dramas internos que cada um vive. Assim, você consegue se sensibilizar com os dois.

O livro trata sobre temas que devem ser sempre tratados com cuidado na nossa sociedade e muitas vezes, não recebem a atenção que merecem. O primeiro deles é a gordofobia, muitas pessoas podem falar que não existe isso, mas é mentira, existe sim um preconceito com as pessoas gordas, preconceito esse que começa dentro de casa. E é isso que a história mostra, como de forma muitas vezes inofensivas, esse preconceito pode afetar a vida e a estima das pessoas. Cecília, sendo gorda, mostra muito desse preconceito da sociedade e o receio que a pessoa acaba criando.


E não é apenas sobre a gordofobia. A história fala também sobre homofobia, racismo, perturbações mentais, insegurança, além de outros problemas que são frequentes na sociedade. Devo dizer que nem tudo é a protagonista que sofre, algumas coisas são problemas da vida de pessoas que são próximas a ela, e foi isso que mais me agradou na narrativa. Porque apesar de ter protagonistas, a história pode mostrar a vida de outras pessoas também.

Uma coisa bem bacana que tem no livro é quando uma das amigas de Cecília, diz que família é aquela que escolhemos. Esse é um ensinamento que levo para a vida, porque como diria Shakespeare "bons amigos, são a família que Deus nos permitiu escolher". A grande lição que podemos tirar da leitura é que nem tudo é o que parece, às vezes um sorriso no rosto pode representar um coração destroçado. Saber se colocar no lugar do outro, é fundamental. Por isso, só queria dizer, parabéns e obrigada Iris, esse é um livro que muitas pessoas deviam ler.

“Mas não demorei muito a perceber que a faculdade também era cheia de panelinhas, fofocas e brigas idiotas.A vida era um ensino médio interminável. Mas pelo menos ficava um pouco mais divertida com a maioridade.”

“Céu sem estrelas” é o quarto livro de Iris Figueiredo, uma carioca formada em Produção Editorial pela UFRJ e pós-graduada em Transmídia. Iris já atuou no mercado editorial e teve por muito tempo um blog chamado “Falando Literalmente”. Sobre a diagramação da editora, a capa ficou a coisa mais linda, tenho que dar os parabéns por isso. Como já comentei em outras resenhas, a edições da Seguinte possuem uma área de corte na orelha, para que ela possa virar um marcador, e com essa edição não é diferente. Acho que só tenha que elogiar a Companhia das Letras por fazer edições com tanta qualidade e cuidado.


Para finalizar: como acho que o livro mereceu e não dava para colocar na resenha, deixarei alguns do quotes que fui separando no decorrer da leitura, para que vocês possam ver o que esperar da leitura:

“Ser gordo ia muito além de ser uma massa de gordura. As pessoas me encaravam e automaticamente calculavam quanto peso ganhei ou perdi desde a última vez que nos vimos. Tinham sugestões de dietas, piadinhas prontas que ‘não eram para ofender’, diziam que meu rosto era tão bonito e se eu emagrecesse um pouquinho... Aquilo me deixava louca. Simplesmente por não ter pedido a opinião de ninguém.”

“Tinha passado muito tempo sendo mais de uma pessoa, me escondendo atrás de máscaras para me proteger. Agora me via obrigada a despir o disfarce e contar detalhes da minha vida bagunçada a quem estivesse disposto a ajudar. Era o mínimo que eu devia àquelas pessoas, o que não tornava nada mais fácil. Desabafar era desgastante.”

“Quando eu era moleque, achava que já saberia tudo quando saísse da adolescência. Só gente grande ia para a faculdade, só quem fosse esperto o bastante. Mas me sentia mais moleque do que nunca. Eu podia ser bom em cálculo, mas não adiantava nada se não conseguia calcular meu futuro. Não tinha mais nenhuma certeza.”

“O amor é paciente. Ele é feito de respeito e apoio mútuos. Ainda tenho medo do abandono, mas procuro pensar todos os dias que aqueles que importam estarão sempre comigo. Que uns chegam e outros vão, mas que não posso aceitar menos do que eu mereço. Ainda estou descobrindo o que eu mereço. E espero que minha amiga também descubra.”

Comentários via Facebook

4 comentários:

  1. Como tenho muito carinho e respeito por nossa literatura nacional, não vejo a hora de conferir este livro. Sei que já faz um tempinho que foi lançado, aliás, na Bienal a autora tão jovem, arrasou e seu livro ficou entre os mais vendidos.
    E a gente entende os motivos né?
    Cecília traz as dores do preconceito, mas também a esperança de recomeçar, de viver em paz.
    Bernardo é um príncipe!E eu? Quero muito me emocionar com todos!!!!
    Lerei com certeza!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1062012059490156545

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  2. Oi Ana,
    Céu sem estrelas tem uma das premissas mais interessantes que li em gênero new adult nos últimos tempos. Confesso que não tenho lido muitos livros do gênero por sempre encontrar as mesmas coisas, com o mesmo tipo de protagonista, sem nada de novo ou mais interessante para ser explorado. Cecília é o tipo de personagem que gostaria de ver mais vezes sendo retratada em livros. Sua vida é algo que trás muita veracidade e consigo me imaginar no lugar dela. É uma história que demonstra o quanto a empatia pode fazer diferença na vida do próximo. Ver que a autora fez de todos os personagens exemplos de coisas reais me deixa mais curiosa pela leitura. Já ouvi falar de Iris Figueiredo, mas ainda não tive a oportunidade de ler nenhuma de suas obras. Céu sem estrelas é, sem dúvida, um livro que irá para a lista de desejados e, quem sabe, meu primeiro contato com a autora.

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    1. https://twitter.com/GisahSLopes/status/1062105296997416961

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  3. Premissa bastante interessante. Mesmo sem ler, é possível notar pela resenha que Céu sem Estrelas, retrata questões difíceis e até mesmo pesadas mas de um forma bem sensível, realista e nos lembrando ainda por cima, que sempre é possível recomeçar, que a esperança sempre estará lá. Um belo livro para exercitar a empatia. Já conhecia a autora porém, ainda não tinha parado de fato para ver suas obras agora, não tenho dúvidas de que esse será meu primeiro contato com a mesma. Devidamente adicionado à lista de desejados.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1062161982084788224?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

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