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22 novembro 2018

CRÍTICA DE ESTREIA | PO ( A Boy Called Po )

Titulo: PO |Distribuidor: Cineart Filmes| Data de lançamento |22/12/2018 Duração: 1h35min | Elenco: Christopher Gorham, Julian Feder, Sean Gunn | Gêneros Drama, Fantasia | País: EUA | Direção: John Asher | Classificação: Livre

‘A Boy Called Po’ estreou nos Estados Unidos em setembro de 2017. Mais de um ano depois chega às telas do cinema brasileiro. É o 5º longa do diretor John Asher, e até agora, todos eram inéditos por aqui. Esse filme veio como uma ‘carta de amor’ para seu filho Ewan que está no espectro autista, e como já podem imaginar, não fui capaz de ser imune a uma história baseada na jornada de uma família com um filho no espectro autista. O que o diretor almejou trazer ao mundo, é uma relação de maior aceitação e melhor consciência do que é o autismo.

Se você quiser ser tremendamente tocado, como eu fui desde a cena inicial, leia o que tenho para falar aqui ao som de They Long To Be (Close To You) dos Carpenters. Eu acho que nunca mais serei capaz de ouvi-la sem chorar! Essa música foi tema de momentos especiais no filme, e foi perfeita em me fazer conectar com a história. Quando começava a tocá-la, as lágrimas já estavam rolando. Combinou perfeitamente! Vocês já sabem que tenho um filho de 5 anos que está no espectro. E talvez eu seja uma pessoa não imparcial para falar sobre Po.



Essa história é sobre um menino autista de 11 anos chamado Patrick (Julian Feder) , mas que prefere ser chamado pelo seu apelido, simplesmente, Po. Achei a interpretação do jovem Julian Feder muito condizente. Deu muita credibilidade ao filme. Tenho consciência do quão difícil deve ser ter que se parecer tanto com uma criança autista, quando não se é. Ele representou os momentos de crise de uma maneira muito verdadeira. E aquele “olhar perdido” me fazia questionar se era mesmo só interpretação.

David (Christopher Gorham) é pai de Po, e é interpretado por Christopher Gorham (quem se lembra da série Personalidade, conhece seu rosto). Logo na primeira cena da película acompanhamos um funeral, para logo mais sabermos que era da mãe de Po. Também gostei da forma como o ator deu vida a um pai extremamente sob pressão, beirando a exaustão. Isso por causa de seu trabalho e por tudo que precisa administrar em casa – sejam as peculiaridades de Po, bem como buscar uma solução quase que impossível para um projeto de seu serviço. Eu senti junto de David as dificuldades de cuidar de uma criança autista, e não receber por isso um retorno, em termos sentimentais, do seu próprio filho.


A fotografia do filme é muito básica e simples, pois na maioria do tempo estamos centrados na atuação dos protagonistas, e não tanto nos lugares que vão. Mas, as cenas vividas ‘dentro da imaginação’ de Po são muito harmônicas com um mundo fantástico. Retratam de forma lúdica os momentos que uma criança autista está divagando. Além de criativo, ficou muito emocionante. Foi uma forma muito carinhosa de se retratar aquele olhar vazio que vivenciamos no dia-a-dia com alguém com esse tipo de transtorno.

Para mim, que sou mãe de uma criança autista, o ponto positivo desse filme foi em retratar as dores e agonias de não conseguir alcançar plenamente seu próprio filho. Po estava sempre além do que David poderia tocar – e falo isso como figura de linguagem sim, mas, sobretudo fisicamente. Os profissionais que lidam com crianças no espectro em suas mais diversas especialidades podem saber de uma forma técnica como lidar com esse público, os melhores tratamentos, as melhores instituições e o que se deve fazer em casa ou como alimentá-los com alimentos mais propícios. Mas, estar todos os dias, a todos os momentos com essa criança em casa, socorrendo na hora de uma crise, contendo num momento de emoções extremas, lidando com a incapacidade de lidar com as frustrações... Isso tudo é muito ‘pesado’ para os pais, e principalmente para aquele que se torna o cuidador principal dessa criança. Toda minha empatia a David!

Com esse olhar mais crítico, o enredo me trouxe algumas questões complexas. Tocar no assunto de inclusão em ensino regular foi muito importante, pois deu pra perceber como a escola foi displicente em suas mais diversas esferas. Existe um número muito alto de crianças no espectro autista, porém nem todas possuem inteligência acima da média. No caso de Po, o filme nos apresenta um menino muito inteligente e que consegue, dentro de sua condição, tem um bom nível de compreensão e que consegue se comunicar, de forma limitada, mas com diálogos quase sempre compreensíveis.


Não foi cansativo acompanhar e torcer pela jornada desses protagonistas. O filme também contou com um alívio cômico muito bom representado pelo ator Sean Gunn (Guardiães da Galáxia) que era Ben, o colega de trabalho de David.

Espero que consigam se emocionar com a história contada por John Asher. Assim como eu, acredito que ele também espera que o mundo seja de fato um lugar mais encorajador e inclusivo para nossos filhos. Pouco antes dos créditos finais, diversos nomes começam a ‘pipocar’ na tela, cada um, uma criança com autismo. Não vi o nome do Filipe ali, mas tudo que assisti nesses 95 minutos fizeram que a vida do meu filho fosse representada.

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4 comentários:

  1. Que crítica mais linda!!O que mais me prende em algum blog é a maneira como a pessoa escreve. Como ela deixa o sentimento tocar as letras e isso é tão emocionante nas letras de hoje!Como não tinha lido nada a respeito do filme,já estou aqui encantada e doida para me emocionar também.
    Filipe foi muito bem representado e abraçado, depois de tanta emoção!
    Verei com certeza.
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1065625987306741762

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    1. AAahhhhhh, que amor! Quando eu leio essas coisas, já fico com os olhos marejados.
      Obrigada pelo carinho. Eu realmente me emocionei assistindo e escrevendo sobre o filme. Beijo grande nosso.

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  2. Pude sentir o que sentiu através de suas palavras e isso é maravilhoso! Não sabia deste filme e me pergunto a demora pra tal produção chegar até nos... É uma história bonita e tocante por si só, apenas. Com certeza seu filho, Felipe fora muito bem representado. Assim que possível irei conferir.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1065741672582139905

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    Respostas
    1. Eu achei super estranho quando fui pesquisar sobre o filme, e vi o ator que fez o Po. Ela já está um rapaz! Daí que me liguei que o filme demorou pra chegar pra gente...
      Linda história! Vale a pena se emocionar com eles.

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