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11 outubro 2018

{ #RESENHA } O BURACO DA AGULHA - KEN FOLLETT

O BURACO DA AGULHA - KEN FOLLETT
Titulo: O Buraco da Agulha |  Autor: Ken Follett |Ano: 2018 | Páginas: 336| Editora: Arqueiro | Genero: Aventura, Ficção, Romance, Suspense e Mistério | Adicione a sua lista do Skoob | Onde comprar: Amazon 

'O Buraco da Agulha' foi o primeiro romance de sucesso que o autor britânico Ken Follett lançou. Na verdade ele já havia escrito livros sob um pseudônimo, porém alcançou prêmios famosos a partir desse romance policial e investigativo. O pano de fundo escolhido para o desenvolvimento dessa trama é a Segunda Grande Guerra Mundial. Temos então uma teia de fatos ligando situações e personagens em um dos momentos históricos mais sensíveis da história mundial. Follett tinha apenas 27 quando escreveu esse livro, e relata que quando olha para trás se sente surpreso e orgulhoso por ter feito algo tão bom enquanto tão jovem. Hoje eu posso dizer que concordo com ele. O que você encontrará nessa obra é algo maravilhoso.

A editora Arqueiro lançou agora em 2018 uma edição especial comemorativa pelos quarenta anos da primeira publicação de 'O Buraco da Agulha'. É necessário ressaltar que essa edição está fascinante. Impossível olhar para essa capa e não querer levar o livro para sua casa, uma vez que além de estar lindo, possui uma textura aveludada, tons escuros que projetam o clima tenso de um período de guerra, e o nome do autor em vermelho laminado. Fiquei apaixonada à primeira vista. Infelizmente percebi que a revisão pecou em alguns momentos, mas nada que desabone a obra como um todo. Todavia, acredito que por ser uma homenagem tão especial para um aniversário de tantas décadas, o cuidado poderia ter sido mais minucioso.

Mesmo nunca tendo lido nada escrito pelo Ken Follet, sua fama precede minha experiência. Tenho inúmeros amigos que recomendam diversos títulos já há alguns anos, e finalmente tive essa oportunidade. Experiência coroada com sucesso. Follett presenteia o leitor com um exemplar de espionagem onde a heroína é uma mulher; algo inédito na época em que alcançou sucesso. Se você se interessa por personagens fortes, destemidas, ousadas, e que revolucionam o papel da mulher na sociedade, você irá gostar de conhecer Lucy.

O BURACO DA AGULHA - KEN FOLLETT

O estilo de narrativa escolhida pelo autor nos apresenta 3 frentes: a história de Lucy, as aventuras do espião alemão conhecido como Die Nadel (A Agulha), e dos integrantes do MI5 (Military Intelligence, section 5 – serviço britânico de informações de segurança interna e contra-espionagem). Não foi escolhido um padrão para o desenredar desses relatos, então iremos acompanhando essa teia de relações que citei anteriormente, e construindo uma narrativa histórica excepcional.

“Os alemães foram quase completamente enganados. Apenas Hitler supôs corretamente, e hesitou em seguir sua intuição...” ~ A. J. P; Taylor

Em 1944 o serviço secreto da Alemanha estava reunindo evidências sobre a capacidade e tamanho do exército inglês. Diversos espiões alemães foram enviados à Grã-Bretanha para fins de confirmação a respeito das táticas das tropas que se concentravam na região sudeste da Inglaterra. Na verdade não existia esse grande exército, tampouco navios e alojamentos. A maioria dessas coisas eram feitas de borracha e madeira, faziam parte de um tipo de cenário montado para que os espiões alemães tivessem a impressão errada das estratégias inglesas. O autor declara no prefácio que seu livro é de ficção, porém confirma que para ele, algo como isso tudo que ele criou e imaginou poderia realmente ter acontecido no decorrer da História.

Henry Faber tem 39 anos, e é bastante cínico a respeito dos ingleses. Ele está coletando segredos visando a vitória da Alemanha ao entregar os métodos descobertos diretamente a Hitler – o Führer fazia questão em ter contato imediato com os relatórios enviados por Die Nadel, que está infiltrado em Londres há anos.  O professor Percival Godliman tinha aproximadamente uns 50 anos, era especialista sobre a Idade Média e escreveu um livro sobre a Peste Negra que virou best-seller. Ele foi convocado por seu tio para trabalhar “pegando espiões” – e ele aceita -, entra para a MI5 em 1940.

E por fim, apresento-vos Lucy; no nosso primeiro contato com a moça, ela está se casando com David, um jovem piloto que está para estrear no céus pela RAF (Força Aérea Real). O casal sofre um acidente na noite de núpcias e se mudam para uma ilha deserta chamada Ilha da Tormenta que pertence ao pai de David. Lá só tem ovelhas, muito vento e um velho pastor de ovelhas chamado Tom. David nunca teve oportunidade de lutar por seu país como piloto de guerra.

“- Com base nisso, que chance temos de pegá-lo?Blogg deu de ombros. - Com base nisso, absolutamente nenhuma.”



Começamos a conhecer melhor a forma de agir de Die Nadel, um espião extremamente competente e multifacetado. Uma arma letal que não hesita em eliminar qualquer pessoa que atrapalhe seus planos, qualquer um que possa reconhecer seu rosto. E isso me fez ter uma reflexão interessante, uma vez que o serviço de um espião pode ser muito ingrato. Sendo bem sucedido no que faz, ele não poderá deixar que o inimigo saiba o quão capaz ele foi em descobrir suas estratégias. Ou seja, se o inimigo não sabe de sua existência, significa que o espião está trabalhando eximiamente. O que me parece algo meio frustrante, uma vez que se os inimigos soubessem as informações que o espião descobriu, os planos poderiam ser anulados. Contanto, os informes reunidos por Henry Faber podem entregar a vitória da guerra nas mãos dos alemães, e mudar a história do mundo.

+ {#RESENHA} A MULHER NA JANELA - A. J. FINN

Em determinado momento Die Nadel descobre dados cruciais a respeito do Dia D (Operação Overlord ou Batalha da Normandia) e começa a deixar rastros, seja em atitudes, comportamento ou corpos, que possibilita a equipe de Godliman a ficar em seu encalço. Achei surpreendente a racionalização da MI5 a cada situação descoberta, e na construção e deduções dos próximos passos afim da captura do espião alemão, que segundo a própria inteligência alemã, era de quem tudo dependia. Faber além de muito capaz, era um homem muito forte fisicamente e dotado de uma dose extra de sorte. As coisas para ele quase sempre aconteciam da melhor forma possível. Ele sempre conseguia escapar das enrascadas que se envolvia – até sofrer um naufrágio e ir parar aparentemente no meio do nada.

Em contrapartida, Lucy, já em 1944, continuava vivendo na Ilha da Tormenta, com um marido aleijado que não a tocava – parecia que sequer a amava – e com seu filho de 3 anos de idade. Ela vivia uma vida monótona em seus afazeres diários de dona de casa em um lugar onde não havia pessoas para que se pudesse ver ou conversar. Desejava muito que seu marido demonstrasse interesse em se relacionar com ela. Queria ser amada novamente pelo homem que escolheu para construir uma vida juntos. Coisa que não aconteceu, e a deixava muito frustrada. Quem diria que Lucy poderia ser uma peça importante para o rumo da guerra, e para todos os personagens que nos foram apresentados até então?

“Enquanto voltava à estação, sentiu-se animado. Seu passo estava mais ágil, o coração batia um pouco mais depressa e ele olhava ao redor com interesse e olhos brilhantes. Isso era bom. O jogo tinha começado.”

O BURACO DA AGULHA - KEN FOLLETT

Nessa ficção histórica realista que Follett brilhantemente escreve, temos aquela sensação de saber onde a história deverá chegar, uma vez que existem personagens reais inseridos na trama e que sabemos quais decisões tomaram quando viviam esse período de guerra, mas ao mesmo tempo nos deixamos levar pela intrincada vivência de cada personagem. O autor em momento algum se posicionou referente a lado certo ou errado, tanto na guerra, quanto nos envolvimentos, personalidade e/ou caráter de seus protagonistas – algo que proporciona uma liberdade de sensações ao leitor de uma maneira bastante cômoda.

Em 1981 o livro foi adaptado para as telas com o título Eye of the Needle (O Buraco da Agulha), com o ator Donald Sutherland, e já foi publicado em diversas edições no Brasil e no mundo todo. Deu credibilidade ao autor que se tornou um escritor de sucesso com obras como Coluna de Fogo, As Espiãs do Dia D, O Homem de São Petersburgo, O Voo da Vespa, entre muitos outras.

- A torre já não tinha firmeza nenhuma. Provavelmente teria caído se todos nós espirrássemos ao mesmo tempo. – Parkin se virou. – Mais um dia, mais um dólar.”

Ken Follett tem 69 anos e nasceu no País de Gales no dia 5 de junho. Despontou como autor antes dos 30 anos e já vendeu mais de 160 milhões de cópias de suas obras. Ele é músico amador, é casado com Bárbara Follet – com quem tem dois filhos, e vive na Inglaterra. Você pode saber mais sobre o autor em seu web site <www.ken-follett.com>.

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8 comentários:

  1. Lembro de ter visto que esse livro estava para relançar e de imediato me interessei. Amo o pano de fundo da história, um verdadeiro fascínio. O livro demonstra ser bem construído, dinâmico e direto. Com bastante suspense e ação. Já vejo que irei torcer contra e a favor ao mesmo tempo afinal, tem uma pessoa que poderia mudar os rumos do Dia D, fatídico. Mal vejo a hora de ter a oportunidade de ler, hehe

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1050580166626500608?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

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    1. Xará... o pano de fundo é sensacional, e a gente se sente envolvido o tempo todo em algo que poderia (ou não) ser verdade e estar acontecendo. Foi uma experiência mágica pra mim. E sim... a gente se vê em cima do muro às vezes. Amamos e odiamos. Complicado! hahahahaa Aposto que vai adorar a leitura. Pode investir.

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  2. Oi Carol,
    Há um certo risco em abordar o tema como a Segunda Guerra Mundial, pois por mais o livro seja uma ficção, a humanidade vivenciou tal situação, algo que marcou para sempre a história do mundo. Só uma mente jovem como a de Ken Follett na época correria tal risco e ainda bem que isso ocorreu, pois quando uma história com tanto potencial assim surge é necessária sua publicação. O buraco da agulha vai além da guerra e explora o caminho da espionagem por diversos ângulos. Lucy é, sem dúvidas, a personagem que mais chama atenção, pois sua vida de esposa, mãe e dona de casa terá uma mudança nem um pouco previsível para uma mulher naquela época. Gostei muito de receber tal indicação, pois a temática não é uma a qual estou acostumada acompanhar, mas que sempre me desperta certo interesse.

    https://twitter.com/GisahSLopes/status/1050580413238927361

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    1. Gislaine, concordo com você que o tema é delicado, e uma mente jovem (e até então inexperiente) seria a pedida certa pra transcrever tal obra. Nossa, é daquelas histórias de nos tirar o fôlego mesmo. E o lance de saber que muita coisa assim pode de fato ter acontecido, deixa a gente mais tenso e mais envolvido ainda!!!

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  3. Eu nunca tive a chance de ler Ken Follet, apesar de ser uma temática que tanto me agrada. Nunca vou me esquecer de ter recebido uma dica do velho Van Damme, dono da mais velha livraria de BH, já fechada, que me indicou As Espiãs do Dia D, do Follet, como um dos melhores livros de sua longa vida.
    Parabéns pela resenha e pelas informações. Certamente lerei!

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    1. Tá na mão! Só pegar, ler, e se apaixonar pela capacidade descritiva (e imaginativa, por que não?) desse jovem Ken Follet. Tenho certeza que o velho Van Damme te deu uma dica e tanto, e você tá perdendo a chance de ler um livraço. Eu lerei essa indicação dele muito em breve. Beijo, amor.

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  4. Conheço muito pouco do trabalho de Ken, mas claro que já é mais do que suficiente para saber o quanto o autor é magnífico!
    A Segunda Guerra sempre rendeu ótimos cenários, não por trazer alguns elementos de ficção,mas por ser em sua grande parte, real! E sempre nos apresentar a história de pessoas que viveram toda aquela crueldade.
    A espionagem é outro plano de fundo que sempre nos trouxe grandes surpresas e é fascinante ver que neste novo trabalho do autor, ele acaba englobando todos os assuntos, principalmente a parte feminina, que parece ser o auge do livro.
    Está na lista de desejados e espero ter e ler o quanto antes!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1050708501188759552

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    1. Pode se jogar de corpo e alma. Só me arrependo de não ter conhecido antes, porém a possibilidade de ler esse livraço em uma edição tão maravilhosa, valeu a pena!!!

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