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23 outubro 2018

{ #RESENHA } KINDRED - LAÇOS DE SANGUE - OCTAVIA E. BUTLER

Titulo: Kindred: Laços de Sangue | Autora: Octavia E. Butler | Ano: 2017 - Páginas: 432 | Editora: Morro Branco - Gênero Ficção científica | Adicione a sua lista do Skoob  | Onde comprar: AMAZON

"A facilidade. Nós, as crianças ... Eu nunca percebi a facilidade com que as pessoas poderiam ser treinadas para aceitar a escravidão."

Em tempos como o que estamos vivendo, onde muitos tentam de tudo para fingir e minimizar a escravidão e quanto ela foi terrível, “Kindred - Laços de Sangue” vem para nos mostrar que ela existiu e que a história se repete todas as vezes que fingimos e tentamos esquecer disso. A escravidão e o holocausto sempre são assegurados como acontecimentos que nunca vão voltar, que não vão acontecer mais uma vez porque os loucos que tiveram essas ideias estão mortos, vivemos em novos tempos.

Queria tanto que isso fosse verdade, mas enquanto os que lutam para que esse momento da história terrível não volte forem menores do que aqueles que que se calam, o medo vai existir e perpetuar na mente das minorias que têm a mínima consciência e conhecimento da sua história (e de como ela se repete). Por isso é tão importante que mais livros sobre o tema sejam lidos e comentados todo os dias.


"Kindred - Laços de Sangue" é a história de uma jovem mulher de 26 anos, moradora da Califórnia, poucos anos após a da liberação do casamento entre pessoas de raças diferentes. O preconceito ainda existe, mas Dana, uma mulher negra, e Keven, um homem branco, conseguem levar uma vida relativamente normal como escritores em uma nova casa. Porém tudo muda e Dana, sem controle algum, começa a viajar no tempo e se encontra então em meados do Século 19, onde a escravidão ainda reina e seres humanos são tratados como bichos que mal servem para o trabalho físico.

+ { #RESENHA } CHRONOS: VIAJANTES DO TEMPO - RYSA WALKER ( CHRONOS #1 )

Sem entender porque isso aconteceu, ela se vê com uma única obrigação, salvar Rufus, uma criança em primeiro momento e depois um jovem branco filho único da casa grande, que vive passando por situações de morte. Com o passar da leitura vamos descobrindo que ela precisa salvar Rufus para existir no século 20, pois ele é seu antepassado.

"Papai é o único homem que conheço" disse ele baixinho  "que se importa tanto em dar sua palavra a um negro quanto  a um branco".
 "Isso te incomoda?""Não! É uma das poucas coisas nele que você deveria copiar."

Marcante e doloroso são as palavras que me vem à cabeça enquanto estou escrevendo essa resenha, pois mesmo agora, quase um mês depois de ter lido, ainda tenho lágrimas nos meus olhos ao lembrar cada crueldade e desumanidade descritas nas páginas desse livro, como o ser humano pode ser tão ruim.

Octavia em momento algum durante a leitura tentou minimizar os castigos que os negros escravizados sofriam, ela mostrou da forma mais realista possível como eram as chicotadas, espancamentos, ofensas e humilhações, com uma abordagem bem mais impactante. Ao transportar Dana, uma jovem de um século diferente, para aquelas situações, ela nos leva junto com a personagem para algo inimaginável, para ela e para nós!

O livro já começa eletrizante, a personagem principal acorda em um hospital depois de ter perdido metade do braço e seu marido está sendo investigado por isso. Nós, como leitores, não entendemos nada do que está acontecendo, só tentamos imaginar o que aconteceu. Será que foi violência doméstica? Um assalto ou acidente? Tudo gira na nossa cabeça, até que Dana começa a contar o que aconteceu do início até aquele momento.


Confesso que não estava preparada para essa leitura e que ela me rasgou e me levou às lágrimas várias vezes. Sim, eu já vi filmes sobre escravidão, e sério eu nunca consegui terminar de ver um único filme que não me deixasse enjoada de tão triste e desesperada. Imaginar que um ser humano passou por aquelas situações e por isso pagamos caro até hoje acaba com o meu dia, e por isso não estava preparada e acho que nunca vou estar.

Octavia escreve um jeito incrivelmente maravilhoso, sua personagem é forte, determinada e, mesmo com medo, ela jurou sobreviver. Eu acreditei nela, mas isso não fez a leitura mais fácil, só a tornou mais real, mais desesperadora. Há romance na história, mas ele não é foco aqui e por isso faz um bom pano de fundo.


Agora entendo porque Octavia ganhou vários prêmios com esse livro e porque Dana é tão forte, sua determinação e coragem vieram da própria Octavia e de tudo que ela viu sua mãe passar como uma mulher negra e empregada domestica, isso moldurou o caráter da autora e suas convicções. Ela ultrapassou barreiras que até então eram exclusivamente de homens brancos e por isso eu agradeço a ela e a todas as mulheres, principalmente as negras, que são nossos exemplos.

E para finalizar essa resenha não posso deixar de falar sobre a edição quem vem com uma capa linda com a cor vermelha como ponto central, por dentro o livro tem pagina amarela e algumas em preto para destacar e uma boa diagramação, a minha versão e a brochura mas descobri que se você comprar  pela Saraiva consegui a edição de Luxo em capa dura.

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3 comentários:

  1. Comprei ele pela Saraiva online. Mas, ainda não chegou... vou ler acho que em dezembro com um grupo de leitura. Ansiosa, porque acredito que os debates serão enriquecedores!

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  2. Pesquisei mais sobre o livro resenhado em questão após sua apresentação no Clube do Livro BH e tenho que dizer primeiramente, parabéns a editora Morro Branco por publicar essa obra magnífica que ficou "perdida" por quase 40 anos. Segundamente, falar da escravidão é considerada um tabu, não apenas como se deu mas também por causa das consequências sociais que deixou. A autora se preocupou em nós tocar, em nos mostrar o preconceito racial e a violência que um ser humano pode provocar. É uma leitura pra enriquecer, não é fácil, vai mexer com nossas emoções de formas que não imaginamos. O único triste é ver que na atualidade nos deparamos com situações que se assemelham à dos anos 70 e do século XIX. Este é um livro que entra para a lista de histórias que todo mundo deve ler em algum momento da vida e assim que possível, farei o mesmo.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1054910504068616192?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

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  3. Posso afirmar sem nenhum pudor que este livro é um dos melhores que já li na vida.
    Dolorido, sofrido, verdadeiro! É possível sentir cada dor que Dana sofreu. Cada angústia. E o pior, ver em Rufus a face de cada filho criado pelo mal, tendo o preconceito, o sentimento de posse e a maldade incluídos em seu ser, mesmo negando isso até o fim.
    A cada página, Octávia foi construindo um cenário que parece que a gente está ali, sentindo até o vento frio na pele!
    Leitura muito mais do que recomendada!!!E realmente, a edição é belíssima!!!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1055049916035334145

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