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15 outubro 2018

{ #RESENHA } CELULAR - STEPHEN KING

CELULAR - STEPHEN KING
Título original: CELL | Autor: Stephen King | Tradução: Fabiano Morais | Ano: 2007 | Páginas: 384 | Editora: Suma  |  Gênero: Suspense e Mistério, Terror, Horror | Adicione a sua lista do Skoob | Onde comprar: Amazon  

“A agressividade humana é instintiva. Os humanos não desenvolveram nenhum mecanismo inibidor de agressão ritualizado que garanta a sobrevivência da espécie. Por esse motivo, o homem é considerado um animal muito perigoso. ~ Konrad Lorenz”

No ano de 2007 a editora Objetiva nos trouxe o romance 'Celular', porém com o passar dos anos, e após a aquisição da Objetiva pela Companhia das Letras, esse livro ficou fora de catálogo por muito tempo. Em 2016 foi adaptado, e o filme contou com nomes de peso como Samuel L. Jackson e John Cusack – não que tenham salvado a produção, segundo a maioria dos telespectadores. Adquirir tal obra se tornou um trabalho árduo, pois só era possível encontra-lo em sebos ou com outros leitores. Contudo, muitas das vezes seu valor estava um tanto superfaturado. Situação normal para os fãs do King e a “saga” de tentar completar sua coleção.

A boa notícia chegou aos fãs do Mestre do Horror quando a editora Suma declarou que o livro voltaria a ser impresso e que estaria disponível para compra no segundo semestre do ano de 2018. Assim, finalmente foi possível conhecer mais uma história fruto dessa imaginação mais do que fértil. A espera sempre vale a pena, pois a edição em brochura ficou muito caprichada. A capa em tom escuro possui o nome do autor e o título da obra em alto relevo, enquanto os estilhaços dão uma impressão 3D com sentido de profundidade e tudo mais. Temos 383 páginas dessa narrativa que está em folhas de papel pólen, coisa que amamos por refletir menos luz e ser mais confortável para leitura.

CELULAR - STEPHEN KING

Acontece que por ter essa fama de ser “o” escritor de terror, alguns livros de King acabam por serem difamados nas redes sociais, grupos de debates e fãs do autor. Quem conhece profundamente a obra do cara sabe que ele é um ótimo romancista, mas também detona muito positivamente em contos (não tão curtos e aqueles bem longos). Explora o campo da fantasia e escreveu uma das sagas mais envolventes das últimas décadas e conectadas com várias das obras que compõe o famoso Universo Kinguiano. Também já nos falou sobre relacionamentos abusivos, sobre ETs e até mesmo ficção científica. E o motivo de eu estar ressaltando esses fatos, é para que você não se descabele por não “morrer” de medo lendo Celular.

Neste livro conheceremos algumas pessoas que fazem um trajeto em um mundo quase que pós-apocalíptico, meio sem saber para onde ir ou o que fazer. Sendo assim, começaremos conhecendo Clayton Riddel – um jovem pai de família e artista gráfico que conquistou um grande feito em Boston, quando vende uma HQ sua. O dia era 01 de outubro (coincidentemente, o mesmo dia que eu comecei a ler Celular), e era exatamente 15h03 quando o evento conhecido como Pulso aconteceu.

Clay estava em uma fila de um caminhão de sorvete quando percebeu que tanto a pessoa que estava a sua frente, quanto as moças atrás dele, estavam em ligações telefônicas através de seus celulares. Ele não tinha celular, nunca teve, nunca quis ter. De repente Clay ouviu uns gritos estranhos por perto, e quando se deu conta, tinha um homem ali próximo deles e ele havia arrancado a orelha do cachorro com os dentes! Após essa cena, o mundo viria a ruir. As mulheres que estavam há pouquíssimos minutos em ligações ali perto dele, começaram a demonstrar comportamentos extremamente agressivos, e emitiam sons inarticulados. A verdade é que essas pessoas começaram a se digladiar e a atacar umas às outras.

A civilização entrou na sua segunda idade das trevas em um rastro de sangue pouco surpreendente, mas com uma rapidez que não poderia ser prevista (...).”

Em meio a diversos ataques, acidentes automobilísticos, muitas agressões e algumas pessoas totalmente desesperadas, Clay conhece Tom. E foi Tom que deu a ideia de saírem das ruas e procurarem algum abrigo antes que fossem atacados ou mesmo assassinados. Clay tenta concatenar os fatos e descobrir o que é que está acontecendo em Boston. Ele se lembra de que as mulheres que começaram a se agredir – e depois acabaram se matando – estavam em ligações em seus celulares, e acabou deduzindo que algo havia começado a partir ou por culpa dos celulares.

Então, teremos um tipo de crítica do autor – que não possui celular “na vida real” – a toda essa alienação dos tempos modernos ligada aos aparelhos de telefonia móvel. King usou uma forma inteligente e interessante de desaprovar a tecnologia, mesclando com um ‘vírus’ transmitido via pulso através do telefone. Em diversos momentos eu senti um clima parecido com seu livro A Dança da Morte, onde temos 99% da população mundial dizimada pelo vírus Capitão Viajante (a Super Gripe). Gosto muito dessa visão apocalíptica que ele escreve, pois além de enxergamos que os humanos sempre se dividem em “lados” (bem versus mal?), ele explicita de forma muito clara o temperamento das pessoas e a natureza que clama pela sobrevivência quase que acima de qualquer um. Os valores são colocados em xeque. Realmente somos virtuosos como gostamos de pensar que somos?

{ #RESENHA } CELULAR - STEPHEN KING

“- Nós não podemos supor nada – interrompeu ela, agitada, quase se exaltando. – Meu pai diz que supor é coisa de gente idiota.”

Nesse tipo de literatura temos a oportunidade de nos prevermos em situação parecida, mesmo que em um nível bastante fantástico, e nos confrontarmos com quais atitudes acharíamos ser certo agir. A minha sobrevivência e a dos meus entes queridos vale a vida do outro? Minha necessidade de existir me motivaria a ir até onde? King é o cara para nos fazer parar, pensar, e às vezes, não gostar das respostas que obtemos.

Ao buscarem abrigo, Clay e Tom encontram uma adolescente aterrorizada na porta do hotel em que Clay estava hospedado. Ela se chama Alice, tem 15 anos e não confia neles num primeiro momento. Ela está super assustada, suja de sangue, e acabou de perder sua mãe para o Pulso. Após um momento de conversa e ponderação entre os ‘normies’ (aqueles que não foram contaminados pelo Pulso) eles resolvem seguirem juntos, primeiro até a casa de Tom, depois para a cidadezinha de Clay – onde ele deixou sua ex-esposa e seu filho que é ainda uma criança, porém tem um celular só seu. A preocupação desse trio é em vagar pelas ruas sem proteção, e sem saber de fato o que está acontecendo no mundo.

“- Que se foda – disse Clay. – Pra que serve o fim do mundo se você não pode passar por cima de uma porra de uma cerca.”

Clay começa a chamar os afetados pelo Pulso de fonáticos. É percebido que os fonáticos não andam durante a noite, e atacam durante o dia. Por isso Clay, Tom e Alice começam sua peregrinação durante as noites, se abrigando em casas e hotéis durante o dia. Eles estão sempre reparando no comportamento e atitudes dos fonáticos. Constatam que os ‘zumbis’ começaram a se aglomerarem de forma mais estruturada, não estão brigando e se matando mais da mesma forma, e parecem estar dividindo um tipo de consciência coletiva. Através de sonhos e telepatia está se dando uma comunicação entre Clay e um tipo de líder dos fonáticos... É, King usa e abusa de fatores sobrenaturais agregados com algum tipo de inteligência artificial. Ah, alguns deles levitam também. 

Ao longo dessa jornada, Jordan, um pré-adolescente e nerd, se une ao time e as teorias começam a se encaixar melhor, uma vez que os conhecimentos tecnológicos e análise de sistema que o garoto possui, explica ou pelo menos corrobora bastante a respeito das teorias levantadas até então sobre o Pulso. E o grupo de Clay começa a tomar algumas atitudes drásticas em relação aos fonáticos, fazendo com que se tornassem pessoas não desejáveis de se estar por perto – os outros normies os desprezavam ou tinham medo.

AUTOR STEPHEN KING

Preciso confessar que não sabia o que esperar das últimas páginas dessa história. Não fazia ideia de que forma King iria detonar com minhas esperanças e despedaçar meu coração. Mas, o fato é que ele consegue fazer isso tudo de forma magistral. Ele continua sendo aquele autor que consegue me envolver em sua narrativa, criar expectativas juntamente com as personagens, sofrer a cada catástrofe anunciada, e ficar de queixo caído quando leio a última frase da última página.

Enfim, recomendo o livro para aqueles que compreendem que não só de terror macabro é construída a carreira de Stephen King. Que ele gosta de pisar em outros tipos de terrenos e nos fazer sondar o pior de nós mesmos em situações críticas, quando a lei não está mais vigente para nos guiar. E além do mais, nos faz analisar nosso vício tecnológico e imaginar: seríamos fonáticos ou normies? Provavelmente... Teríamos nos tornado todos fonáticos. O que fica, no fim das contas, são os diversos momentos de reflexão que essa leitura me trouxe. Dei 3,5 estrelas em 5 lá no Skoob.

Stephen King é meu autor preferido desde o início dos anos 2000. Ele nasceu em Portland (Maine), completou 71 anos no dia 21 de setembro, e mora em Bangor com sua esposa e também escritora Tabitha S. King. Ele é pai de Naomi King, Joe Hill e Owen King, esses dois últimos, também escritores. King já vendeu mais de 400 milhões de cópias, sendo publicado em mais de 40 países; e tais números o colocam como o nono autor mais traduzido. Suas obras não param de se metamorfosear em adaptações para as telas – cinema e TV – e até mesmo para o teatro.

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6 comentários:

  1. O coração dispara quando encontro resenha de algum livro do Mestre!
    Não, King não é somente terror macabro, ele vai muito além disso. King tem o poder(ele é único neste quesito) de jogar o leitor dentro da mente humana. Com suas bondades, mas também com suas maldades, erros e acertos.
    E pelo que li acima, o autor deu um jeitinho nada sutil de atacar toda esta tecnologia a que estamos vivendo. Hoje em dia, dificilmente um ser humano não tem um aparelho celular em mãos outro dispositivo que permita esta pessoa não estar sozinha, ou ao menos não se sentir assim.
    Mas e onde ficam os limites?Até onde se pode ir, sem deixar de viver a realidade na realidade??
    O livro já está na lista de mais desejados e espero ter e ler esta obra em breve!!!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1051866009005694976

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  2. Oi Carol,
    Para mim Stephen King nunca foi um autor só do gênero terror, pois por mais que eu tenha tido um contato bem limitado com suas obras, consigo perceber o quão eclética sua escrita é. E acho que é isso o torna tão incrível, essa capacidade de nos matar de medo em alguns livros e em outros atiçar a imaginação usando e abusando da fantasia. Adoro quando um autor cria uma história e através dela faz críticas aos hábitos reais das pessoas. Celular tem uma premissa tentadora e esse cenário pós-apocalíptico é algo que adoro. Ver a raça humana sendo colocada a prova é algo que assusta na maioria dos enredos, pois é quando o pior de cada um vem à tona, agora imagina isso pela visão de King? É mais um livro do autor que irá para minha lista e não sabia que existe uma adaptação do mesmo.

    https://twitter.com/GisahSLopes/status/1051942706799362055

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  3. Uns dois anos atrás li o primeiro capitulo em PDF. Não lembro como consegui, mas foi só isso mesmo que eu consegui, o primeiro capítulo. Quando soube que a Suma iria relançar, eu uaaaaaauuuu! Sua resenha e seus apontamentos so fizeram aguçar ainda mais minha curiosidade. Já adquiri e preciso lê-lo urgentemente!

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  4. A cada resenha que leio, meu amor por ele só aumenta, hehe King não é apenas terror, ele se aventura por outros gêneros e nos consegue manter presos do mesmo jeito, pinta e borda com nossa imaginação, nos levando a grandes questões e reflexões. Celular tem uma ótima premissa e devo confessar que me remete muito a série Black Mirror... Nas mãos de grande parte da população, há uma tela de plasma, um "espelho negro" refletindo nossa existência e ele vai brincar com isso, o lado negro de tanta tecnologia. Tenho que dizer que a ideia de quem foi afetado conseguir se comunicar telepaticamente me soa bastante estranho mas, é o King né?! Já consigo ver o quão imprevisível será essa história, haha Como você disse no começo da resenha sobre valores, hehe Por enquanto vai ficar só na lista de desejados, hahaha

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1052025940308623360

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  5. Particularmente eu fico feliz até quando o livro não é terror. Hahaha sou muito covarde, ainda não li muita coisa do gênero, mas Stephen King escreve bem e tem ótimas ideias, ponto. É um escritor incrivel. Gostei muito da premissa da história e fiquei interessada. Só estou preocupada com a questão de ficar tempos sem usar o celular , será que tem perigo? Hahahahaha

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    1. Van, que bom te ver por aqui!
      Dizem que depois de acabar esse livro ficamos meio receosos de usar o celular. hahahaha Por via das dúvidas, dei uma folguinha pro meu. hahahaa Beijos

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