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20 setembro 2018

{ #RESENHA } MENINA BOA, MENINA MÁ - ALI LAND

Menina Boa, Menina Má | Autora: Ali Land | Ano: 2018 | Páginas: 376 | Editora: Record | Gênero: Crime, Ficção, Suspense e Mistério | Adicione a sua lista do Skoob | Comprando através desse link da Amazon você ajuda o blog crescer


"O Playground.
Era assim que ela chamava o lugar.
Onde os jogos eram cruéis e o vencedor era sempre o mesmo.
Quando não era a minha vez, ela me fazia assistir.
Um buraco na parede.
Me perguntava depois. O que você viu, Annie?
O que você viu?"


Entrando para a lista dos bons thrillers psicológicos deste ano, que não foram poucos, chega o lançamento do Grupo Editorial Record "Menina Boa, Menina Má", livro de estréia da autora Ali Land. A autora trabalhou por anos com tratamento da saúde mental, o que lhe serviu de embasamento para a história criada e propiciou essa interessante discussão de como ficaria a cabeça (e o coração) de uma criança vítima direta dos abusos de um psicopata e/ou serial killer que tenha relações de parentesco com este, como no caso do livro, uma filha de uma assassina. Haveria algum dano permanente e irreversível na criança?

Annie tem 15 anos e após sofrer e assistir abusos de sua mãe contra crianças indefesas, acabou por denunciá-la à polícia. Enfermeira carinhosa "de fachada", sua mãe enganava mães desesperadas em abrigos sociais, vítimas de maus tratos em casa, e as convencia a lhe dar seus filhos pequenos, mal sabendo que as pobres crianças encontrariam um destino ainda pior. Seu alvo eram os meninos, mas acontecia de pegar meninas também. Mais de um fator foi determinante para a decisão final de Annie e agora ela se vê em uma nova casa, com uma nova família, com um novo nome, uma nova escola... Porém ela não tem tanta certeza assim se conseguiu se soltar das amarras de sua monstruosa mãe.

"Os corações das crianças pequenas são órgãos delicados. Um começo cruel neste mundo pode moldá-los de maneiras estranhas." Carson McCullers, 1917-1967

Em 30 semanas será o julgamento de sua mãe e toda a cidade está indignada com o caso. Seu novo "pai temporário" é seu psicólogo Mike, que vem tentando preparar a garota para o confronto com as partes que ela aceita contar para ele (mas ela não conta tudo para Mike). Com uma voz insistente que não sai de sua cabeça, Milly (não mais Annie) se pega questionando como deve agir em diversas situações, deixando aflorar um lado nem sempre muito bom. E como agravante, o seu novo lar não pode ser necessariamente chamado de calmo e acolhedor, principalmente no que diz respeito a sua "irmã adotiva" Phoebe e sua "mãe adotiva" Saskia.

"Apesar de eu não estar mais com você, uma parte de mim ainda quer agradar você, 
satisfazer o meu desejo de estar perto de você outra vez, no mesmo ambiente."

Se você acha que já viu de tudo sobre a mente dos psicopatas, principalmente agora que está na moda este tema inclusive tendo vários filmes e séries a respeito (como o sucesso da Netflix Mindhunter que nós já falamos AQUI), fique de olho neste livro, pois, pela sinopse, você já saberá que ele veio para inovar. Ele não vai falar da mente doentia que pratica o ato e sim daquela que foi diretamente submetida a ele e das então possíveis conseqüências. A partir da suposição de que a filha da psicopata possa ter sido influenciada ou condicionada por diversos aspectos da conduta da mãe, o leitor é conduzido por uma série de fatores e incertezas que o fazem questionar, em determinado momento, as reais intenções de Milly. Entender a garota e a dimensão da influência de sua mãe é algo admirável, ainda mais porque o livro é todo escrito em primeira pessoa na voz de Milly/Annie, como se ela tivesse contando sua história para sua mãe.


"Minha pele está quente, mas por dentro eu sinto frio, é difícil explicar. 
Li num livro uma vez que gente violenta tem a cabeça quente, 
enquanto psicopatas são frios de coração. Quente e frio. Cabeça e coração. 
Mas e se a gente sai de uma pessoa que é as duas coisas? O que acontece?"

A inserção à nova família e os grandes conflitos que vieram com ela me deixaram um pouco em dúvida no começo, pois acredito que em uma situação de fragilidade escolheriam melhor o lar a acolher a garota. Milly/Annie tem diversos problemas de relacionamento com a filha do casal, que tem a sua idade, o que piora ainda mais seu estado mental. Toda essa bomba emocional passar despercebida ao responsável pela recuperação e proteção psicológica da menina me preocupou em diversos momentos, ainda mais com ele morando debaixo do mesmo teto que ela, mas a autora conseguiu justificar suas intenções no final. O meu único questionamento que ficou, embora não tenha prejudicado a finalização da história principal, é que a autora inclui ao longo do livro diversos personagens e não conseguiu dar a todos eles uma conclusão, deixando-os meio aleatórios/superficiais.


"A srta. Kemp não notou o gesto que a Phoebe fez pra mim quando saímos do vestiário.
 Um dedo atravessando a garganta. Os olhos grudados em mim. Morta. 
Eu. Morta.
Até parece.
Phoebe, querida."

Então para aqueles que não podem ver uma capa misteriosa, uma sinopse chamativa, uma trama que não te deixa dar uma pausa na leitura e um final surpreendente, "Menina Boa Menina Má" é uma excelente pedida para você descobrir até que ponto vai a influência e o condicionamento da mente humana. Já adianto que não será uma leitura leve ou fácil, apesar de viciante. Os crimes relatados são com crianças e envolvem agressões físicas e abusos sexuais (não existem descrições completamente explícitas, mas vários relatos são feitos). É possível escolher ser bom ou ruim mesmo quando você viveu a vida toda com exemplos maus?

Comentários via Facebook

10 comentários:

  1. Oi Karina! Adorei... estava ansiosa esperando essa sua resenha. Que fotos maravilhosas! Que resenha instigante. EU QUERO!!! O título e a sinopse me chamou a atenção assim que vi o livro de perto, ainda mais com essa capa lindona. O tema e as questões psicológicas chega a me dar brotoejas de vontade de ler. hahahahaa
    Beijão

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    1. Oieee Carol, que bom que gostou! Essa combinação de sinopse e capa realmente foi sensacional e acho que não vai se arrepender. Pela sua área, as questões psicológicas vão ser beeem fortes mesmo, MESMO! Depois me conte o que achou. Bjos

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  2. Que capa incrível!!!Já tinha apenas visto ela em uma indicação, tem uns dias. Mas não havia lido nada a respeito do enredo e estou aqui,literalmente de queixo!
    Adoro um bom suspense e se este suspense mexer com a mente humana, melhor ainda!
    Tratar a perda, a decisão de entregar a própria mãe, conviver com tudo isso e ainda de quebra, saber se é real ou não, é algo fabuloso e com certeza o livro vai para a lista de desejados!!!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1042889822984183813

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    1. Oie! E é incrível mesmo, o livro é praticamente uma jornada psicológica e vc vai ficar extasiada em vários momentos.
      Não deixe de ler e depois me conte o que achou! Bjos

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  3. Que capa é essa gente?!?! Maravilhosa juntamente com a resenha, estou boquiaberta, QUERO EM MINHAS MÃOS ESSE LIVRO JÁ!! Amo um thriller psicológico bem feito, acompanhar a decisão de entregar a mãe, do sentimento de perda, de não saber até onde o condicionamento e influência da mesma se estendeu... realmente, vai ser algo admirável de se ler. As fotos ficaram lindas, e esse funkos?! Quero junto também, hahaha

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1042908400403722241?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

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    1. Oi, Carol! Eu tbm fiquei chocada quando recebi esse livro! Que história... E o mais legal, vc realmente vai ficar chocada com os caminhos dessa jornada psicológica.
      Que bom que gostou da resenha e das fotos, obrigada por acompanhar! Esses funkos deram certinho, neh.... Umas fofas!
      Bjos!

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  4. Oi Karina,
    Menina Boa Menina Má trás um tema que rende muita discussão e por mais que tenhamos muitos livros publicados do gênero, poucos abordaram essa questão. Até que ponto a maldade/crueldade influencia e marca uma pessoa? Como determinar se alguém virá a ser um criminoso se um dos progenitores o for ou pela simples convivência? O livro é para mexer com o psicológico do leitor, pois a autora focou em um lado da história que sempre é negligenciado. Milly ainda é muito nova, mas já presenciou muita crueldade o que faz com que sua mente não tenha muita certeza sobre as coisas, principalmente no certo e errado. Denunciar a mãe foi a atitude correta, mas ainda assim, é sua mãe. Lendo a resenha não fiquei convencida da escolha da autora em colocar Milly convivendo com seu psicólogo, mas terei que ler o livro para compreender sua justificativa. Como o livro é um thriller é claro que vou querer ler, mas não imediatamente.

    https://twitter.com/GisahSLopes/status/1042947263146942464

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    1. Oi, Gislaine!
      Vc destacou pontos realmente muito interessantes sobre a história. Não deixe de ler e, quando fizer, me conte o que achou!
      Bjos.

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  5. Antes de mais nada, parabéns pelas fotos ficaram lindas demais ♥
    A premissa deve livro realmente é muito instigante. É um tipo de leitura que não estou bem habituada, mas este é um dos fatores que me fez incluir o livro aos desejados, pois trata desse tema mais pesado e das consequenciais do psicológico.Espero poder conferir em breve.

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    1. Oi, Michelli. Muito obrigada!
      O livro é realmente uma jornada psicológica muito interessante. Talvez seja a oportunidade para se aventurar neste gênero.
      Depois me conte o que achou!
      Bjos

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