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18 setembro 2018

{ #RESENHA } JUSTIÇA ANCILAR - ANN LECKIE (TRILOGIA RADCH IMPERIAL #1)

Justiça Ancilar (Trilogia Radch Imperial #1)
Titulo: Justiça Ancilar | Subtitulo: Trilogia Radch Imperial # 1 | Autora: Ann Leckie | Ano: 2018 | Páginas: 384 | Editora: Editora Aleph | Gêneros: Aventura, Drama, Ficção científica,  Fantasia | Adicione a sua lista do Skoob  | Comprando através desse link da Amazon você ajuda ao blog crescer 

“- Temos um ditado no lugar de onde eu venho: poder não pede permissão nem perdão”.

A resenha hoje é sobre o romance de estreia da autora americana Ann Leckie, lançado nos Estados Unidos em 2013, e ganhador de diversos prêmios da literatura fantástica, como o Hugo e o Nebula. Por meio de sua inventividade e ousadia, Justiça Ancilar também foi indicado para vários outros prêmios da ficção científica.  Mas, antes de chegarmos nessa história, gostaria de explicar um subgênero da ficção científica de forma muito sucinta, o qual essa obra se enquadra.

Justiça Ancilar é uma Space Opera, ou seja, uma aventura espacial fantástica. Fãs de sci-fi costumam considerar esse subgênero um dos mais empolgantes, tanto quando se trata de literatura, quanto de cinema ou televisão. Em 1941, quando o termo foi cunhado ficou conhecido de forma pejorativa, hoje, não mais. Geralmente os protagonistas são quase que invencíveis, existem sempre grandes naves e frotas envolvidas, batalhas espaciais épicas, relacionamento (físico e/ou amoroso) entre alienígenas, e esse frenesi todo. As aventuras e personagens continuam sendo marcantes, e a fama do estilo além de melhorar muito no decorrer dos anos, cresceu vertiginosamente.

+ { #RESENHA } A LONGA VIAGEM A UM PEQUENO PLANETA HOSTIL - BECKY CHAMBERS (#1 WAYFARERS)

E tendo noção desse clima é que iremos conhecer mais sobre o primeiro livro da 'Trilogia Império Radch' que se passa em um remoto planeta gelado, nessa história com elementos de ficção científica e enredo de um bom thriller. Breq (ou Um Esk) é nossa narradora e protagonista, é um acessório singular, uma ancilar, e ela está prestes a concluir seus planos de vingança. Era parte do império que domina a galáxia – ela foi conhecida como a nave Justiça de Toren (uma porta-tropas gigantesca com uma única inteligência artificial que habitava e controlava o corpo de milhares de soldados). Através de um ato de traição, tudo o que Breq conhecia foi devastado. Agora só lhe resta um único e frágil organismo humano para enfrentar o império.

Justiça Ancilar (Trilogia Radch Imperial #1)

“As radchaaid não ligam muito para gênero, e a língua que falam – minha própria primeira língua – não marca gênero de forma nenhuma.”

Através uma nota da editora logo no início do livro, somos informados a respeito da forma como os gêneros para definição de personagem masculino ou feminino serão utilizados ao longo da narrativa, e através dessa informação se pode perceber como a linguagem foi usada de forma complexa, o que veio a enriquecer mais ainda esta obra. O idioma que Breq utiliza, como membro do Império Radch, não possui pronomes com gênero definido. A escolha da autora foi escrever sua história flexionando as palavras para o gênero feminino, mas essa forma de escrita ficou mais evidente após a tradução para o português. Acabamos tendo a impressão das personagens sendo como uma massa homogênea, e desprovida de traços definidores. Se a autora não definir e anunciar o gênero das personagens, o leitor não tem como o saber.

O tradutor em diversas situações utiliza o “ela”, mas isso não significa a especificação do gênero da personagem, mas a forma como seria dito em radchaai. Apesar de que quando utilizando outras línguas no decorrer da narração, poderá ter-se referência a personagens com pronomes masculinos. Parece complicado, mas a gente se acostuma...

Após essas pontuações, vamos conhecer melhor Justiça de Toren, uma Nave do Império Radch que possui sua consciência dividida em várias ancilares, que por definição, seria uma Inteligência Artificial instalada em corpos humanos. Ao passar das páginas descobrimos que a Nave desapareceu há vários anos atrás, e os motivos serão revelados aos poucos, uma vez que os capítulos (até mais da metade do livro) são divididos entre tempo presente e passado, sendo o tempo passado 19 anos antes da data atual. E o único corpo restante da Justiça de Toren é de nossa narradora Breq, que chega até nós viajando por paisagens inóspitas e muito hostis.


dica de livro: Justiça Ancilar (Trilogia Radch Imperial #1)

“- Se você está disposta a fazer isso por alguém que odeia, o que faria por alguém que ama?”

Logo no primeiro parágrafo Breq faz o resgate de Seivarden Vendaai, uma antiga oficial da Nave, uma jovem tenente que foi promovida. Todos pensavam que ela havia sido morta há mais de mil anos, mas Breq a reconheceu em meio à desolação de um clima de 15° C e grandes quantidades de machucados e hematomas. Embora Seivarden nunca tenha sido uma das oficiais preferidas de Breq, a ancilar ainda assim cuida dela e a leva consigo. O motivo de Breq estar nessa peregrinação e o que está procurando, logo será desvendado.

Realmente são muitas informações que recebemos a todo instante, e invariavelmente é necessário retornar a algum parágrafo para melhor compreender o que está acontecendo. O universo criado pela autora é muito bem desenvolvido e abundante em segmentos. Caso ache necessário, faça anotações ou cole post-it para conseguir demarcar os acontecimentos, as nomenclaturas criativas e desconhecidas, bem como diferenciar as demais personagens e suas referidas funções dentro do Império.

Para que possamos entender e gostar do estilo de escrita de Leckie, precisamos perceber e tentar visualizar os aspectos religiosos, sociais e políticos do Império Radch; um povo que se divide de forma parecida a de um sistema de castas. O poder é dividido conforme as casas, e os fatores hereditários tem peso nessa hierarquia. Mas, existe um poder maior ao qual o Império obedece e teme.

resenha de livro: Justiça Ancilar (Trilogia Radch Imperial #1)

“Pensamentos que levam à ação podem ser perigosos. Pensamentos que não levam à ação significam menos que nada.”

Anaander Mianaai possui muitos, mas muitos corpos mesmo – compartilhados por uma mesma consciência, e é a líder máxima do Império Rach. Nos capítulos que ficamos conhecendo os acontecimentos do passado, percebemos que Anaander Miannai tem uma situação problemática com a tenente Awn – essa, uma das oficiais de preferência da Nave. E no desenrolar da relação entre Miannai, Awn e a Nave é que a história não mais se divide, e é narrada como tempo presente, onde Breq continua sua busca por justiça, ao lado de Seivarden. 

Quando descobrimos o real plano de Um Esk – que tem a ver com uma conspiração intergaláctica – ficamos atônitos e com a certeza de que será uma missão impossível. Breq tenciona matar a senhora do Radch, mas como a líder possuí inúmeros corpos, não interessa quando um deles é assassinado. E é esse desdobrar de acontecimentos que faz a terceira parte do livro, a final, ser tão empolgante e frenética. Conseguimos criar expectativas com o plano de Breq e nos envolvemos com a esperança de uma luta bem sucedida. Mas isso se dá por termos vivenciado com a Um Esk os acontecimentos do passado, e que justificam a vingança do futuro.


Se você gosta de ficção científica, protagonismo e inovação, o universo que Leckie criou irá atender seus critérios. A ideia de ancilares, que nada mais é do que corpos humanos mortos modificados para receber uma inteligência artificial e ser conectados à Nave, fez minha mente explodir! É uma leitura que exige dedicação e concentração, mas que vale a pena quando você consegue enxergar quão rica e elaborada é a história.

Eu atribui a nota de 4 estrelas em 5, e aguardo ansiosamente a publicação dos próximos livros, que já saíram lá no exterior. Uma das coisas que me fez me envolver com o enredo proposto por Leckie foi a ideia inovadora da autora de dar identidade, personalidade, e independência a uma ancilar dotada de Inteligência Artificial. Foi a forma de construirmos um vínculo com a protagonista, onde os anseios da mesma tornam-se desejáveis a nós leitores. Após as primeiras 100 páginas o ritmo da leitura fica intenso, e me apeguei à Breq e sua causa. Gostei muito da construção de tudo que pode vir a ser a Trilogia Império Radch, e super recomendo àqueles que curtem Space Opera.

Livros editora Aleph

“- Engraçado – disse a Misericórdia de Kalr. – Você é o que eu perdi, e eu sou o que você perdeu.”

A edição da editora Aleph é em brochura, com 384 páginas, edição com orelhas, papel pólen e o tamanho da fonte é muito confortável, e com uma formatação simples e sem muito detalhes. A ilustração da capa nos remete o clima da história, auxiliando na criação imaginativa do leitor. A revisão está muito boa, o trabalho do tradutor deve ter sido muito trabalhoso e divertido, mas também está ótimo. A editora também disponibilizou um infográfico que destrincha os elementos contidos nessa trilogia, e que auxiliam muito na compreensão dessa ficção científica: Cliquei aqui para visualizar 

Ann Leckie é uma autora e editora de ficção científica e fantasia. Estreou com o romance Justiça Ancilar, vencedor de diversos prêmios na categoria sci-fi. Nasceu dia 02 de março de 1966 em Ohio, Estados unidos. Tem diversos contos publicados, outro romance além da Trilogia Império Radch, e muitos prêmios conquistados.

Comentários via Facebook

8 comentários:

  1. Confesso que nem fazia ideia deste saga, mas mesmo sendo bem avessa a livros que tragam uma ponta grande de ficção científica, adorei o que li acima. Pois parece(com certeza) que a autora não só desenvolveu todo um universo diferente, como também trouxe personagens inovadores, provocativos e misteriosos.
    Esta nova forma de os descrever também foi genial e acredito que só tenha dado mais brilho a escrita dela.
    Com certeza, se puder, quero muito conferir este e se gostar, os demais livros!!!
    Capa lindíssima.
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1042084999116271616

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    1. Eu gostei muito do estilo da autora. O início da história é mais lento, porque precisamos nos situar. É tudo muito novo, a ideia, as personagens, tudo que ela quer nos explicar. Quando nos sentimos dentro da história, só flui! Bom demais!!! Adorei.

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  2. Oi Carol,
    Tenho pouca experiência com gênero ficção científica e seus subgêneros, mas não é porque não gosto e sim por falta de hábito mesmo. Ao mesmo tempo que este gênero permite criar coisas novas e totalmente fora da nossa realidade, é necessário ter coesão para que a história se sustente e o leitor possa compreender a ideia do autor. Neste livro a união do corpo humano com a I.A. rendeu um bom enredo, um pouco confuso (mesmo eu tendo lido algumas partes da resenha mais de uma vez), mas que instiga até quem não é um amante do gênero. Não vou dizer que fiquei mega empolgada para ler, mas fiquei, sim, curiosa para entender o funcionamento deste mundo criado por Ann Leckie.

    https://twitter.com/GisahSLopes/status/1042160906023698439

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    1. Foi meio que minha estreia na ficção científica, Gislaine. E eu não pensei que fosse me dar tão bem e gostar tanto. Não me foi uma ideia muito empolgante no início. Porém me envolvi mesmo com a história. Qualquer coisa dê uma olhadinha no infográfico. Porque eu sei que ler essa resenha não deve ter sido algo fácil. Visualizar tudo que li em quase 400 páginas, e condensar aqui nessa resenha, fica muito aquém do que a Ann traz pra gente. Beijão e obrigada pelo comentário.

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  3. Quando vi que tinha a ver com ficção científica já me agradou de imediato, tenho que dizer que meu maior contato são com filmes, são poucos os livros que já li do gênero, no começo da resenha cheguei até a relembrar algumas coisas de outras leituras mas, no desenrolar, a proposta era totalmente inovadora, confusa em algumas partes mas, bastante instigante e promissora. A forma como a autora optou em os descrever é muito boa assim como os personagens em si, já me peguei dentro do cenário, vivenciando tudo oque estava rolando e o que ainda iria rolar, haha Viajo demais com isso, assumo! Hehe Vou querer conferir sim quando tiver a oportunidade só tem um porém, é trilogia logo, vou demorar um pouco mais pois gosto de conclusões, cansei de ser iludida (Vlw George R.R. Martin, um salve!) Hahaha

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1042241302434332672

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    1. Oi xará. Que bom que empolgou...
      Olha, a boa notícia é que a trilogia tá pronta lá fora. Mas, a Aleph demorou um pouco para soltar o primeiro livro pra gente. É torcer para que não demore tanto com os próximos. Nesse infográfico que citei acima você pode conferir o título do livro 2 e do 3. Beijão

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  4. Olá Carol, tudo bem?
    Primeira resenha que leio sobre este livro, e confesso que não tenho muito o hábito de ler livros deste gênero, achei super bacana sua explicação sobre o gênero do livro, mas acabo tendo grande dificuldade de me "prender e me localizar" na historia. Mas achei super válido ler tua resenha e saber um pouco mais sobre o início desta série.

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    1. Oi Michelli. Por ter tanta coisa inventada, ou sofisticada demais, a ficção científica tem um estilo que acaba repelindo alguns leitores, né? Eu não sou alguém que domina o assunto não. Estou chegando agora. E curtindo aos poucos, desse estilo que é o preferido do meu pai. Se ele gosta, certeza que tem muita coisa boa! hahaha
      Obrigada pelo comentário. Volte sempre.

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