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28 agosto 2018

CRÍTICA DE ESTREIA | AS HERDEIRAS

Distribuidora: IMOVISION | Estreia: 30/08/2018 | Gênero: Drama | Duração: 1h38min

O filme que levou pela primeira vez o paraguaio Marcelo Martinessi ao Festival Internacional de Cinema de Berlim.  'As Herdeiras' é um drama pesado e reflexivo que conta a decadência das classes sociais, após o golpe parlamentar que frustrou os objetivos da economia no país. Um resultado absolutamente impecável da forte ressonância intelectual, condizente com o momento que se vive a América Latina e o resto do mundo.

Com estreia marcada para o dia 30 de agosto, o filme conta a história de Chela e Chiquita, um casal gay que vive juntas há muitos anos e passam por dificuldades financeiras. Após precisarem vender seus bens para poder sobreviver, Chiquita ainda é presa por fraude e Chela herdeira abastada é obrigada a trabalhar pela primeira vez como taxista.

A trama então se intercala entre as visitas a penitenciária de Assunção e a casa das passageiras, onde Chela conhece Angy, uma mulher sedutora recém separada que faz com que Chela esqueça a sua atual fase de vida e volte a sonhar com novas possibilidades que estavam aprisionadas em um mundo de aparências, relações incompletas e absurdas.


O diretor entrega um filme acima de tudo sutilmente feminista, mas sem o esforço de ressonar como algo explícito, dando ao leitor a possibilidade de refletir e descobrir o tema por de trás do enredo principal.  É uma história sobre mulheres vividas que lutam para sobreviver no mundo, deixando palavras de ordem ou discursos envelhecidos de lado. Fazem isso por si, pelo que vivem e pelo dia a dia que enfrentam. E uma reflexão fica no ar: Como tomar as decisões acertadas, quando há muito tempo se está habituada a apenas aceitar o que lhe é imposto, sem nem ao menos refletir a respeito?

Em tons sérios e escuros, o filme é um movimento ideal para quem curte algo mais cult e reflexivo, fugindo do modelo hollywoodiano dos cinemas. Sem nenhuma ação e com cenas repetitivas, o drama leva o espectador a refletir sobre como vive a elite decadente do século 20 que se adaptou às mudanças impostas, após a sua terceira idade, onde o dinheiro não é mais suficiente e não conseguem admitir a nova situação financeira.

Como destaque vemos a atuação de Ana Brun, que nunca havia atuado antes e carrega tudo no olhar.  A protagonista mostra em suas palavras a dor que que se faz presente por meio de murmúrios e quase pedidos de desculpas. É a simbologia de quem já teve de tudo, entregue em uma badeja de prata, mas que agora precisa se acostumar com uma eventual massagem nos pés e ainda agradecendo por isso. Margarita Irun que interpreta sua companheira também de forma brilhante é carinho, mas também determinação. Reconhecendo as fragilidades da amante, mantém uma convivência entre as duas daquele tipo já solidificado pelo tempo, sem meias palavras, onde tudo parte de uma compreensão prévia.

O sucesso de crítica mostra uma sequência de silêncios intermináveis e se encerra com a alteração do equilíbrio imaginário em que as personagens principais viviam, as obrigando a transformar um mundo que até então permanecia parado. Nesta realidade o filme mostra que não será a orientação sexual, a idade, a condição financeira ou social que irá fazer diferença. Seja aqui ou em qualquer lugar, enfim, ser mais do que feliz: plena.

Confira um pouco de tudo que poderá ser sentido nas salas de cinema:

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6 comentários:

  1. É um filme delicado, real e feminino. A trama não nos mostra apenas duas mulheres casadas que sempre tiveram tudo por causa da herança de suas famílias e que se vêem em uma crise financeira, percebendo que terão que dar um jeito já que não dá mais para viver confortavelmente. Nos mostra uma sociedade ruindo só que o foco não é exatamente no dinheiro e sim na alma humana. Nos levando a reflexão de direitos e liberdades dentro dessa sociedade que nos cerca cada vez mais.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1034600202940948486

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  2. Oi Ana,
    Nunca assisti nenhuma trama como esta o que me deixou bem curiosa a respeito de As Herdeiras. Tem algo bem verídico na história o que combina muito bem com o ar reflexivo que ela transmite. A situação econômica, a relação homossexual e os eventos que seguem a partir destes pontos fazem do longa um drama com muito a oferecer ao telespectador. A escolha para um dos papéis principais foi bem ousada ao escolherem alguém que nunca havia atuado, ainda mais para interpretar uma personagem que muito deve demonstrar, mas sem exagero. Gostei do tom que deram para as cenas o que combina muito bem com a proposta do filme.

    https://twitter.com/GisahSLopes/status/1034610987176009728

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  3. Então...eu fiquei super pé atrás com outra crítica que li a respeito deste filme e até mencionei o seguinte: " para ficar assistindo se pah 02 horas de filme, vendo duas mulheres brigarem, prefiro nem ver, já tem briga demais em casa"!
    Claro, há sempre outro ângulo a ser analisado e parece que foi o que houve aqui, este ângulo diferente!
    Não curto filmes muito parados, onde há explicação demais e pouca ação,mas talvez acabe vendo quando for possível!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1034755320252379143

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  4. Como a maioria dos filmes não comerciais, os estilo cult guarda uma riqueza que nem todos tem capacidade de entender (e nisso me incluo), tamanha profundidade que eles guardam e linguagem diferenciada as vezes até subliminar, foi o que me pareceu sobre esse filme, que vai de encontro com que tu falou de ter um tom feminista escondida. Justamente por ser tão diferenciado agrada a poucos e não são tao divulgados. Mas valeu a dica.

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  5. Ana!
    Gosto muito de filmes dramáticos e que trazem um contexto sócio-econômico e aqui ainda traz o feminismo, seus dilêmas e dúvidas.
    Amos filmes cults e reflexivos, já quero ir assistir.
    cheirinhos
    Rudy

    https://www.facebook.com/rudynalva.soares/posts/2335117013181779?__xts__[0]=68.ARCNE70dKgKxFO7rIQ4jaLarnO2BRJD8DcRfbzX1JkwDnRAYCpObaUFHDYMbtBlFbNU9dMSW7mWu964iau-NOMsZHKTFOPfWRPOxG5t1C-gTGfO0exlDOprL6TEheZ-pGNjiWs6iZPvxd0hIBlZBMGOTjtoygkCWRVGcvLBsdG70-4Ag0pbC3w&__tn__=-R

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  6. Oi Ana!
    Você disse drama pesado e reflexivo?
    Pois, são de filmes assim que eu gosto. não estava sabendo dessa estreia, nem vi falando nada sobre eles nos cinemas aqui de Salvador. Isso me irrita bastante, sabe aqueles filmes que fogem da modinha? Esses são os complicados para assistir nos cinemas daqui.
    Gbastante do trailer!
    Gosto mais ainda da nacionalidade do filme, fico feliz em ver o cinema de outros países destacando-se, cinema não se resume a filmes americanos.

    Ps. Amo o cinema francês e assisti algumas produções espanholas maravilhosas!

    Beijos!

    compartilhamento: https://twitter.com/SamyACS/status/1035717239616495617

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