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14 junho 2018

{ #RESENHA } CUJO - STEPHEN KING

Titulo: Cujo | Autor: Stephen King | Ano: 2016 |Páginas: 376 | Editora: Suma | Gênero: Ficção, Terror | Adicione a sua lista do Skoob| Onde comprar: Amazon 

Foi no ano de 1981 que o Mestre do Horror Stephen King lançou o romance Cujo, e nos apresentou a família Trenton e alguns outros personagens que vivem em Castle Rock (uma das famosas cidades fictícias do estado do Maine criadas pelo autor). Na primeira página, King explica que o serial killer que amedrontou Castle há uns anos acaba se convertendo a uma lenda urbana na região, sendo aquela história usada para assustar as criancinhas. Tad Trenton tem apenas 4 anos, e tem seu closet/armário habitado pelo espírito assassino desse serial killer, e todas as noites luta consigo para vencer o medo e terror noturno que o observa pela porta entreaberta.

“O medo era um monstro de dentes amarelados, criado por um Deus enfurecido para devorar os incautos e os ineptos.”


Nos arredores de Castle Rock vive Cujo, um gigantesco cão de aproximadamente 90 kg da raça São Bernardo que pertence à família Camber. Ele é dócil e brincalhão, e dessa forma passa os dias a perseguir pequenos animais pelo descampado próximo de sua casa. Em um dia de brincadeiras e caçadas Cujo segui um coelho em seu encalço, enfia a cabeça em um buraco, e acaba sendo mordido no focinho por um morcego portador do vírus da raiva (hidrofobia). A partir daí a transformação de Cujo é desenvolvida de forma que podemos entender seus pensamentos a respeito do que estava mudando nele. E nessa metamorfose, Cujo se converterá no pior pesadelo de Tad.

Retornando à cidade, iremos ao lar de Vic e Donna, que são os pais de Tad. Acompanharemos os desdobramentos do dia-a-dia dessa família; a dinâmica e afazeres dos mesmos na sequência de algumas páginas, bem como os problemas e dificuldades financeiras. O casal também enfrentará um drama pessoal devido uma traição no casamento, que contribuirá para um desgaste no relacionamento deles. Para piorar um pouco a situação, Vic enfrenta um problema complexo em seu trabalho e precisa viajar para longe de Castle, deixando Donna e Tad sozinhos.


A família Trenton possuem dois automóveis, onde o de Donna está apresentando defeitos no funcionamento e esse é o motivo que leva a família Trenton a conhecer o mecânico Joe Camber, que é também dono de Cujo, em uma oficina afastada do centro de Castle. Estando os adultos conversando a respeito do conserto do carro, e combinando sobre quando deveriam trazê-lo novamente em certo momento para fazerem-se os ajustes necessários, Tad tem seu primeiro encontro com Cujo e passa alguns momentos divertidos brincando com o cachorro.

Em seguida, surge a necessidade de Vic viajar com um amigo para resolver uma crise que se abateu em certa importante campanha publicitária que trabalharam. Antes de deixar sua família, Vic relembra sua esposa que ela precisa levar o carro para a oficina, pois poderia acabar ficando na mão a qualquer momento. No desenrolar-se dos dias, Donna foi realmente pega de surpresa enquanto ela e o filho retornavam para casa, e se viram em apuros até conseguir chegar à oficina de Camber.

Esse é o momento em que todo o potencial da obra chega ao ápice, uma vez que a família Camber não se encontra em casa, o carro para de funcionar totalmente, e Donna e Tad se deparam com um enorme São Bernardo que nem os donos e nem os demais personagens conseguiram perceber a tempo o quanto estava doente - e com uma sede assassina.

“O mundo era frágil, tão frágil quanto um ovo de páscoa: lindo por fora, oco por dentro.”


King trabalha muito bem com ironia dramática, e não é raro o autor permitir que seu leitor fiel (como ele nos chama), saiba mais a respeito dos acontecimentos do enredo que os próprios personagens. Cujo nos é contado por um narrador onisciente, o que nos proporciona uma visão geral da obra mais ampla, podendo abranger todos os personagens de interesse para a história de forma bem dinâmica, principalmente o São Bernardo que está no auge do enlouquecimento ocasionado pela hidrofobia.

Os plot twists de Cujo são inegavelmente o elo entre o leitor e o livro, pois, sendo um livro sem capítulos ou divisões, não conseguimos deixar de ler até que os acontecimentos nos sejam completamente desvendados. Um terror psicológico muito forte, e adivinhe? Cujo é daquelas obras escritas para nos atingir como se fosse um tijolo – palavras do mestre. Sem dó e sem piedade, King nos leva ao âmago do drama de uma mãe e um filho, presos em um carro estragado durante alguns dias, sendo atacados quase que ininterruptamente por um feroz cachorro louco que não se cansa. Não havia como chamar socorro, não havia alimento ou água para abrandar todo o tempo de suplício que Donna e Tad terão de enfrentar

“Quando o que estava em jogo era a sobrevivência, quando você só podia contar com as próprias fichas, o que sobrava era a vida ou a morte e tudo isso era perfeitamente normal.”


O autor passou por uma fase de muitos anos onde foi dependente de substâncias psicoativas. Seu nível de comprometimento com o vício era tão grave que no auge de sua dependência, King não se recorda do processo criativo do livro Cujo. Existe uma adaptação de Cujo, aquém da história escrita, porém tão perturbadora quanto, lançado em 1984. A inspiração para o livro, King atribui a uma experiência pessoal, quando se encontrou em uma situação parecida com um cachorro São Bernardo em um dia que levou sua moto para o conserto.

Stephen King é meu autor preferido desde o início dos anos 2000. Ele nasceu em Portland (Maine), completará 71 anos no dia 21 de setembro próximo, mora em Bangor com sua esposa e também escritora Tabitha S. King. Ele é pai de Naomi King, Joe Hill e Owen King, esses dois últimos, também escritores. King já vendeu mais de 400 milhões de cópias, sendo publicado em mais de 40 países; e tais números o colocam como o nono autor mais traduzido. Suas obras não param de se metamorfosear em adaptações para as telas – cinema e TV – e até mesmo para o teatro.

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11 comentários:

  1. Oi Carol,
    Stephen King tem um dom para criar histórias e sempre fico abismada quando leio alguma resenha de seus livros. Cujo é uma surpresa e algo que me chamou atenção e, com certeza, é algo que se destaca, foi ele trazer para este livro o ponto de vista do cachorro. Saber o que um animal iria pensar ou sentir nos momentos em que ele ataca, em que está na sua maior fúria é tão surreal que só me faz admirar ainda mais este autor. Agora, não sei se fico deslumbrada ou chocada com o fato de King não se lembrar de escrever um livro inteiro, não se lembrar do que comeu no almoço, tudo bem, mas não se lembrar de um trabalho é algo grande. E esta edição da Suma está linda e quero muito adquirir um exemplar.

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    1. Oi Gislaine, sou suspeitíssima em falar de King. Amo demais... no momento estou lendo 2 obras inéditas e relendo outra.
      Concordo com você, ele tem um dom especial, e as histórias dele são diferentes desse terror que as pessoas pensa que o livro se trata.
      Cujo é um exemplo de livro que me devastou, demais. E é isso que mais curto nele... essa desconstrução do que somos e pensamos.
      Beijão, e aproveita pra comprar sim. Essas edições que estão saindo pelo selo Biblioteca Stephen King estão perfeitos!!!

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  2. Migs que resenha linda! Graças a você eu conheci nosso mestre amado! Que tenso esse período dark do mestre. Não sabia que ele não se lembra do período criativo desse livro. Ainda bem que a obra está eternizada!

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    1. Meu maior orgulho no universo King és tu!

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  3. Oi Carol! Cujo está na meta desse ano mas confesso que não sabia quase nada do livro a não ser que havia um cão raivoso como a outra tradução já diz. Não esperava por essa situação delicada do casal (que deve dar um drama a mais na história, o que eu realmente gosto). Mas se não tivesse um drama no meio não seria o King né? Hahaha. De fato, eu estou muito mais ansiosa pra ler o livro depois dessa resenha. Amei teu blog, vou tentar acompanhar as resenhas por aqui. Beijos.

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    1. Pensei o mesmo que você... se não tiver um drama, não é King! hahahaa Tomara que goste da leitura. Não é um calhamaço. E essa nova edição do selo Biblioteca está muito maravilhosa. Vale a pena! Obrigada pelo carinho. Tem muitas meninas publicando aqui, e diversos tipos de assuntos. Volte mais vezes mesmo. Beijão

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  4. Stephen King é o cara! A cada resenha que leio de seus livros, é uma falência diferente no bolso, haha Mas, tenho fé que realmente terei um dia a biblioteca de seus títulos, estou no caminho há algum tempo e estou tentando ir bem. Gosto muito de ver de onde surgem as ideias para suas histórias, é cada "onda", haha (Okay, tirando a piadinha, foi um período bem tenso na vida do Mestre do Horror) Sobre Cujo, o ponto de vista do cão, saber o que ele pensa e o que sente na hora de atacar é algo bem interessante. Acompanhar as horas intermináveis que mãe e filho passaram dentro de um carro quebrado sem ter noção do que irá se seguir, são fortes emoções. Ainda não tive a oportunidade de adquirir esse livro mas, quero muitíssimo! As edições que a Suma está lançando é cada uma mais linda que a outra.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1007455644180500481

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    1. Com certeza! Fã que é fã do King, sabe que seus livros são caros e que o homi não para de escrever!!! Eu tenho todos os livros dele publicados aqui, menos uns 4 ou 5 raros. Mas, com fé que aos poucos a Suma verá isso pra gente.
      Eu ADOREI essa ideia doida do King de nos passar o que Cujo estava pensando. E quase morri de agonia nos momentos que Donna e Tad estavam presos no carro. Isso que quando li, foi bem pós parto do meu segundo filho. #Traumatizante
      Beijão e obrigada pelo carinho.

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  5. Tão bom quando a gente chega em um blog e tem resenha de algum dos muitos livros do Mestre King! Sou apaixonada no trabalho dele e mesm que já tenha lido este livro há muito tempo, adorei ver as roupinhas novas que alguns clássicos do autor tem ganhado nos últimos tempos!
    Cujo é uma das obras mais malucas do autor..rs talvez por este lance dele estar vivendo esta época turbulenta da vida dele. Mas nem por isso, ele deixa de brincar com nossa mente, como só ele sabe fazer!
    Super recomendo e quero ter estas edições capa dura!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1007576583245324288

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    1. Eu estou simplesmente apaixonada pelo selo Biblioteca SK. A Suma tem sido excelente no que se propôs. King merece, e nós merecemos! A felicidade deles estarem resgatando esses raros então? Não cabe no coração!!!

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  6. Amei a resenha Carol. Já assisti a adaptação feita para o cinema e confesso que a tensão é muito grande. Minha filha tem o livro mas eu ainda não li. Ela diz que o livro tem um final diferente do filme (pra variar, né).
    Ela é mais fã do King do que eu. Ela prefere o terror kkkk
    Um abraço, Cica

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