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22 maio 2018

{#CRÍTICA} TEATRO MUSICAL - PETER PAN, O MUSICAL DA BROADWAY

Peça: Peter Pan, o Musical da Broadway | Local: Teatro Alfa - SP | Gênero: Fantasia | Preço dos Ingressos: R$ 25,00 a R$ 210,00 | Período de Apresentações: 24/05 a 30/06/2018 (pode sofrer alterações) | 
Instagram oficial do espetáculo: @peterpandabroadway
Temporada no RJ a partir do segundo semestre



"Siga a segunda estrela Ã  direita e então direto, até amanhecer”


Enfim começou quinta-feira (17/05) minha esperada maratona dos principais musicais que estão em cartaz em São Paulo no primeiro semestre. Como já disse em alguns posts anteriores, como uma amante do teatro musical, acabei criando este hábito de organizar duas viagens anuais à cidade onde a maioria destes espetáculos acontecem, e incluo nelas o máximo que consigo (considerando tempo e valores). Mas talvez isso não fosse necessário se houvesse uma valorização maior da arte e da cultura nos demais estados, fugindo um pouco do eixo RJ/SP, principalmente em investimentos de infraestrutura e de suporte aos pequenos e grandes espetáculos. Existe lentamente uma luz surgindo no fim do túnel pois, se não estão lembrados, no mês passado tive o prazer de cobrir em BELO HORIZONTE a turnê de “Cinderella, o Musical” (que inclusive é da mesma produtora e você pode conferir AQUI) e no próximo mês teremos “60 – A Década de Arromba” recheado de história e sucessos da Jovem Guarda, depois de uma temporada paulista de muito sucesso.


Mas estou aqui então para falar do meu primeiro dia da Maratona de Musicais: Peter Pan! Será que existe o termo “começar com chave de ouro”? Bom, se não existe, vou precisar da liberdade para utilizá-lo e tentar assim explicar um pouco de como foi essa experiência sensacional. Baseado na história criada por J. M. Barrie, que inclusive foi contada primeiro nos palcos do teatro e depois foi para os livros, o musical narra a história do garoto Peter Pan que decide não mais crescer e vai morar e na Terra do Nunca junto a todos os meninos (apenas meninos, pois meninas são espertas demais para caírem dos carrinhos de bebês) que se perderam de seus pais. Isolados e sem nenhuma “mãezinha” eles acabam fascinados por histórias e alguém que as conte para eles, e é por isso que em um dia, após tentar escutar uma história de dormir através da janela da família Darling, Peter acaba sendo pego pela cachorra babá Naná e fica sem sua sombra. Ao buscar para resgatá-la conhece Wendy, uma dama, o que ele não está familiarizado, mas a convida junto a seus irmãos para irem viver com ele na Terra do Nunca. Lá viverão os perigos e desafios desta terra particular das crianças, com fadas, índios e piratas.


Já de cara entramos no lar dos Darling onde a doce mãe cuida de seus 3 filhos. O sr. Darling atrapalhado e orgulhoso, embora presente se mostra distante e sem o respeito de seus filhos, algo que é amplamente tratado nos livros e foi muito bem feito na cena inicial no palco. Diversos elementos da história original foram inseridos para mostrar esta total ausência de um exemplo masculino forte dentro da casa dos Darling, ou até mesmo no convívio dos garotos John e Michael, como a falta de palavra do pai, sua total ausência de liderança, o deboche e “maus-tratos” ao animal de estimação da família. Por todos estes motivos, o espetáculo não deixou de abordar essa peça-chave da história de Peter: as crianças amavam o pai, mas não o admiravam. Em seguida vemos Peter entrar pela janela como um modelo de autoconfiança e determinação, fazendo os olhos das crianças brilharem ao perceberem sua independência e coragem. Ali estava o exemplo do que eles gostariam de ser, e este, que já estava cheio de seguidores, não precisava das ordens ou dos cuidados de ninguém! Seguia suas próprias regras.


As cenas na Terra do Nunca são de encher os olhos! Perfeita! Um cenário muito bem feito, que encanta e deslumbra. Aliás, foi uma sequência tão grande de transições impressionantes de cenário que, eu que acreditava que ficaria mais impressionada com as várias sequências de voos dos personagens, me peguei admirando outros diversos elementos, como por exemplo a casa na árvore dos garotos perdidos, a janela do quarto de Wendy se abrindo ao infinito, o barco do capitão Gancho entrando em cena... Na Terra do Nunca também conhecemos os três grandes grupos do elenco que formam os piratas, os garotos perdidos e os índios. É importante reconhecer trabalho magnífico desses atores no canto, na atuação e na dança (e as coreografias são muitas!!!), e mais importante ainda reconhecer que embora a atuação em grupo seja coesa e completa, ao analisar cada elemento individualmente (algo que gosto muito de fazer) você não encontra ninguém que destoe em animação, eficiência ou desempenho. Destaque para Pedro Navarro no papel do irreverente e "violentinho" pirata Smee que cativou TODA a platéia, e para Matheus Paiva no papel de um dos gêmeos perdidos e que fez a lindíssima e difícil sequência de dança do personagem Peter Pan durante a música Uga-Uga (provavelmente por Peter ter sido apresentado por Diego Martins, alternante do papel, nesta sessão). Você pode conferir toda a sequência no vídeo promocional abaixo:


E sobre os atores, como disse a sessão não contou com Mateus Ribeiro como Peter Pan, e sim seu alternante Diego Martins. Eu achei que o Diego se saiu muito bem e gostei bastante de sua apresentação. Em alguns momentos senti o Peter um pouco "infantil" mas acredito que possa ter mais a ver comigo do que com a própria peça, pois eu vejo muito essa história clássica como algo cheio de nuances e mensagens sérias (o que você pode conferir através da resenha do livro que eu fiz AQUI). De qualquer forma, parabenizo Diego pela apresentação que claramente percebemos que não é nada simples, e fico na esperança de ter a oportunidade de assistir com o Mateus para conferir todo seu esforço e dedicação que começaram antes mesmo do anúncio oficial da peça. Bianca Tadini é uma Wendy adorável e retrata de forma muito natural outra urgência do livro: a necessidade que as meninas tinham em se tornarem adultas. É muito importante observar que os garotos realmente não tinham motivos ou exemplos a seguir (todos os homens adultos da história apresentam um comportamento ridículo), mas com as meninas isso não acontece. A sra Darling é um doce e forte incentivo à Wendy que, junto à força da época, deseja se casar e ter filhos. E que voz tem essa Wendy... Mais um show de Tadini!


Os garotos Murillo Martins e Gabriel Cordeiro representam muito bem as outras duas crianças Darling e fica difícil até mesmo dizer que são os únicos de todo o elenco que não são adultos, ou que são verdadeiramente crianças (mais uma vez, um excelente trabalho do grupo todo). Carol Botelho é a forte e competente índia Tiger Lilly e Daniel Boaventura, o famoso cantor, músico e ator, é o Capitão Gancho. Sobre Boaventura é importante ressaltar algumas coisas visto que, com certeza ele foi meu destaque da noite! Que ele canta muito bem, todo mundo já sabe, até quem não sabia que ele estava fazendo um musical. Mas o personagem realmente foi feito pra ele, e ele foi o primeiro a ser convidado a fazer parte do projeto. Isso se reflete no palco através de sua segurança, improvisos e diversas interações com a plateia. Suas apresentações de Tango e Tarantella junto aos piratas são muito boas (veja nesse primeiro vídeo de entrevista entre 00:45 - 02:05seg)!!! Ele também interpreta o pai das crianças, Sr. Darling, no começo e no fim da peça, e ver o paralelo dos dois personagens e suas diferenças interpretadas pela mesma pessoa em uma mesma sessão são de impressionar.




Peter Pan está em cartaz em SP até o final do mês de Junho e está prevista a sua ida ao RJ no segundo semestre. Sua produtora, Touché Entretenimento, foi quem trouxe Cinderella em turnê mês passado então que sabe podemos esperar por um "milagre"?! Além da diversão nos palcos, o teatro possui uma super lojinha com coisas lindíssimas sobre a peça, inclusive um programa de luxo com informações do espetáculo e seus atores que custa apenas R$10,00. Foram colocados também dois pôsteres para fotos (gratuitas) onde você pode ganhar as asas da Sininho, ou se sentar na janela da Wendy.


Não perca esta oportunidade de acreditar em fadas!



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2 comentários:

  1. Volto a dizer que, você faz com que a minha curiosidade em musicais seja atiçada. Cada vez que leio algo aqui no blog envolvendo, digo que estou perdendo tempo para dar uma chance novamente. Gosto muito da história do garoto que não queria crescer, muitas mensagens importantes... Pelos vídeos notasse que é um belo espetáculo é que as atuações são muito boas, não sabia que o Daniel Boaventura estava entre, concordo que é um ótimo cantor, músico e ator e também que encaixou muito bem no papel do Capitão Gancho, não o reconheci, kk Me deu mais vontade de conferir.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/999107162352873472?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

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  2. Como onde moro nunca há espetáculos assim,fico vibrando quando sai alguma coisa em algum dos blogs que sigo.
    Morar no fim do mundo é bom,mas em contrapartida no quesito cultura, valha-me Deus!
    Indo para o espetáculo, que maravilha de post.
    Peter é um dos meus contos preferidos e pelo que li e vi acima, o musical foi e é especial, tanto por manter a fidelidade ao conto original,mas como também por trazer modernidade a tudo isso.
    Um time de atores que sabem o que estão fazendo e um cenário muito caprichado e inovador.
    Adorei!!!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/999249790029484033

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