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{ #RESENHA } OVER THE RAINBOW

15 novembro 2017

RESENHA: OVER THE RAINBOW
Título: Over The Rainbow | Ano: 2016 | Páginas: 224 | Editora: Planeta | Gênero: Romance, LGBTTQ, Contos de Fadas | ADICIONE AO SEU SKOOB

A homossexualidade e heterossexualidade são ficções, limites criados com pretextos políticos, uma ilusão de óptica que limita o amor.

A resenha de hoje é de um livro que foi apresentado no XVIII #ClubedolivroBH. “Over the Rainbow” é uma releitura dos principais contos de fadas, mas ao invés da história tradicional, ele nos apresenta os príncipes e princesas do mundo do arco-íris. Subtitulado com “um livro de conto de fadxs” utilizando o “x” que não remete nem ao masculino e nem ao feminino.

Apesar de eu achar que esse tipo de livro é importante ser lido também para as nossas crianças, porque assim como os casais formados por príncipes e princesas são “normais” e “adequados” para elas, casais de princesas e de príncipes também deveriam ser. Apesar de eu achar necessário o tratar com naturalidade perto delas todas as orientações, para começar a criar um mundo em que nossas crianças entendam que o importante é o amor, o sentimento verdadeiro. Apesar disso, este livro contém algumas cenas inadequadas para esse público.

Todos os contos possuem uma mensagem e mostram algumas coisas que acontecem com o público LGBTTQ, mesmo assim resolvi falar de cada conto separadamente:

Mais do que manteiga com Mel (Cinderela) – Milly Lacombe

“Por que a sexualidade humana é uma coisa bastante complexa e, enquanto a gente tentar limitar em apenas duas casinhas, vai ser assim, e enquanto for assim eu vou ter emprego.”

Escrito por Milly Lacombe, jornalista que possui quatro livros publicados, como “O Segredo de uma Lésbica para Homens” e “Tudo é só Isso”, “Mais do que Manteiga com Mel” é uma releitura do conto da “Cinderela”. Catarina é uma jovem de 18 anos que vive com a madrasta, Marília e suas filhas: a jovem ranzinza de 15 anos, Graziela e a doce Helena, de 20 anos.

A mãe de Catarina morreu dias após o parto com complicações, e seu pai se casou com Marília quando a menina tinha 6 anos para que ela pudesse ter uma família e não ficasse desamparada caso ele faltasse. Quando ela tinha pouco mais de 14 anos, ele faleceu e seu relacionamento com Marília e Graziela só piorou, mas ela ainda tinha como contar com Helena às vezes, sem que a mãe da menina soubesse. Catarina era uma menina que sempre se sentiu diferente, preferia brincar com os meninos e de jogos de meninos, nunca gostou de se arrumar, sendo sempre desleixada e se descobriu lésbica com passar dos anos.

Temos na história a Cinderela, a madrasta má, as irmãs, duas fadas madrinhas: Rita, a empregada da casa que está com eles desde antes da mãe de Catarina morrer, e Perdição, uma travesti amiga de Rita; além de um príncipe (<3), e nossa outra princesa, que não vou contar quem é porque já dei spoiler demais.

A principal mensagem que a história passa é de autodescobrimento e aceitação, além da temática do amor. Nesse conto, dois personagens me surpreenderam bastante com algumas atitudes/falas: o nosso príncipe e perdição, que tiveram discursos que eu sempre tive com as pessoas: não nos apaixonamos pelo gênero e sim pelo coração e a pessoa que o possui. Rótulos servem apenas para nos prender em um sistema “confortável” para a sociedade. O outro discurso é que o amor liberta, o amor quer o bem, não prender e forçar, não obrigar.

“Mas agora aquelas palavras caíam bem: “A vida nunca erra”. Ela repetiu a frase em voz alta, levantou-se do chão, secou o rosto com a camiseta e foi tomar um banho ainda dizendo “a vida nunca erra”.”

O amargo da intolerância (João e Maria) - Renato Plotegher Junior

“Ele era o que sentia vontade de ser, sem se prender a gêneros, rótulos e perfis.”

O conto “O Amargo da Intolerância”, releitura da história de “João e Maria”, foi escrito pelo youtuber, Renato Plotegher Júnior. Na história, João é um menino sensível e que gosta de cuidar da aparência, já Maria é grossa e sempre foi bem desleixada. Os irmãos desde pequenos são muito unidos, sempre protegendo um ao outro. Eles vivem em um pequeno apartamento em São Paulo, com Antônio, o pai carpinteiro, e a madrasta Rose.

Rose é uma mulher muito religiosa e não aceita o jeito que os enteados vivem, para ela tudo isso é coisa de Satanás. Como na história original, os dois irmãos são viciados em doce, e conhecem uma velha, gentil e solitária senhora que vive no mesmo prédio que os dois e faz doces que são muito gostosos, Dona Lourdes. A história vai apresentar todos os personagens que a original possui e alguns detalhes também.

Nessa releitura que aborda o drama vivido por muitos homossexuais, vemos como o preconceito e a intolerância são presentes e perigosos para as pessoas. Desde a humilhação pública, até a tentativa de serem curados, os irmãos passam por muitos problemas, mas contam com amor e compreensão do pai.

Atormentado (A Bela e a Fera) - Eduardo Bressanim.

“Não é pecado amar. E muito menos feio. Pelo contrário! É o melhor sentimento que alguém pode ter e nutrir por outro.”

O youtuber Eduardo Bressanim escreveu o conto sobre “A Bela e a Fera” intitulado “Atormentado”. Nele, Bruno é o herdeiro de 27 anos de uma prestigiada família paulista, que vive um com trauma: quando completou 18 anos contou para os seus pais sobre sua homossexualidade pelo telefone, enquanto os pais viajavam. Nesse mesmo dia, ele recebeu a notícia que havia ficado órfão após um terrível acidente de carro, e se culpou pela morte dos pais. Bruno se tornou um rapaz belo, mas frio, não se permitia amar, nem sentir emoções fortes, vivia em sua mansão escolhendo através dos aplicativos os homens que passaria a noite. Até que encontrou Rodrigo.

Romântico e esforçado, Rodrigo era filho de um jardineiro e cursava o curso de jornalismo. Passou por algumas decepções amorosas, e a última o deixou terrivelmente abalado. Com o intuito de superar as coisas ruins e se divertir, ele sai para a noite com sua melhor amiga. Lá ele encontra um belo homem, que o faz ter uma das melhores noites da sua vida: Bruno.

Assim como nos outros contos, podemos ver pequenas coisas que remetem à história original: os dois apaixonados, o amor pela leitura, o vilão da história e uma roseira. A principal mensagem que Eduardo traz é a de aceitação própria e a superação de medos e receios. Bruno vivendo em um mundo tradicional é muito fechado com seus sentimentos e inseguro sobre se assumir para o mundo, e a aceitação da sociedade. Rodrigo com seu amor e seu carinho, vira uma luz para o homem e mostra que o amor pode sim superar os desafios e as barreiras.


O Loirinho do Joá (Rapunzel) - Maicon Santini

“De babá, virou sua amiga e a única com quem Guto realmente se abria e para quem contava suas histórias tristes e felizes, seus casos, suas loucuras. Foi para Ana que Guto se abriu pela primeira vez e contou que era gay.”

Maicon Santini, ator e youtuber, nos conta a história de Augusto Aragon, no conto “O Loirinho do Joá”, inspirado em “Rapunzel”. Aos 22 anos Augusto era o solteiro mais cobiçado do Rio de Janeiro, filho único do dono de um grande conglomerado de comunicação, para Augusto o dinheiro resolvia tudo. Lindo, com seu corpo definido e os longos cabelos loiros, rapaz era gay, mas não se assumia para a sociedade. Quando tinha 16 anos contou aos seus pais sua orientação sexual, recebendo todo o repúdio e ódio do pai, que não aceitava ter um filho gay, e sua mãe submissa as vontades do marido, não ajudou o filho.

Dando festas para os jovens da alta sociedade e apenas ficando com aqueles homens de confiança que não o exporiam perante os outros, Augusto viveu sua vida. Até que um belo dia, a atitude de seu pai o faz tomar a decisão de viver longe. Após meses fora de casa, quando volta, o patriarca da família o interna em uma clínica para que ninguém saiba sobre as escolhas que o rapaz fizera.

Santini retrata no conto o que acontece em várias famílias quando um membro descobre sua orientação sexual. O repúdio por aquilo que não conseguem entender e que não compreendem como “normal”. A falta de apoio familiar e muitas vezes o esquecimento, a expulsão e a exclusão. Os elementos que remetem a história original também não faltaram nesse texto: os longos cabelos loiros, no final da história ficaram curtos, há romance e há amizades que superam preconceitos e ajudam a superar os desafios.

A Ressurreição de Júlia (Branca de Neve) - Lorelay Fox

“Sem susto, esse era um homem que não via aquelas mulheres como diferentes mas sim como vítimas de um sistema opressor, que extingue oportunidades às pessoas em decorrência de sua sexualidade, raça e condição.”

O conto de “Branca de Neve” ficou por conta da drag queen e youtuber, Lorelay Fox. Intitulado de “A Ressurreição de Júlia”, a história nos apresenta a menina Júlia de 17 anos que vive com sua madrasta Lorena. A menina sempre se sentiu uma estrangeira na sociedade, sofrendo bullying, preferia ficar isolada. Antes dos pais morrerem chegou a fazer tratamentos para a cirurgia de mudança de sexo, que é o que sempre quis. Semanas antes do seu aniversário de 18 anos, Lorena diz a menina que dará a cirurgia de presente, o que Júlia não sabe é que esse é um plano para tirá-la da vida da madrasta.

Em seu caminho, Júlia encontra sete travestis, que irão apoiá-la e ajudá-la, as sete na história fazem uma pequena analogia com os anões de Branca. Além dos personagens e do enredo, a maçã envenenada também é representada nessa releitura. Tendo a amizade como um dos temas mais marcantes, a história mostra um pouco sobre o mundo dos trans e travestis que são marginalizadxs, ridicularizadxs e abandonadxs pela sociedade.

 “Numa troca de olhares luzidios, os dois sentiram-se apaixonados em segredo e tiveram a mesma sensação de que estariam juntos além daquelas circunstâncias. Mais uma vez o Infortúnio da jovem acabou levando-a para novas sendas cheias de esperança.”


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4 comentários:

  1. Gostei da resenha! As mensagens que cada conto nos transmite são importantíssimas, dar voz para um público que pouco se vê nos livros e concordo com você, deve se tratar com naturalidade com os pequenos afinal, o importante é o sentimento, é o amor. Vou deixar a indicação anotada para futuramente tirar minhas conclusões a respeito da obra.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/930964095901360128

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    1. Ei Carol,

      Fico feliz que tenha gostado da resenha. Enquanto lia esse livro tive vários debates com amigos que estavam próximo e não concordavam com a leitura, e com a minha opinião de tratar com naturalidade a questão perto dos pequenos. Fico feliz que concorde comigo nisso. Depois me diga o que achou da leitura.

      Obrigada pelo comentário :)

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  2. Oi Ana,
    Primeiramente amei essa capa, muito fofa e me despertou interesse em ler.Acho super interessante discutir sobre esse assunto e claro sempre se atualizar, acho que um livro de contos faz muita diferença.

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    1. Ei Sthephanny,

      A capa é linda não é? Só ela já faz a gente parar na livraria e pegar o livro <3
      Concordo com você, é muito legal rever esses contos tão tradicionais nessa versão.


      Obrigada pelo comentário :)

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