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{ #RESENHA } GAROTA EM PEDAÇOS - KATHLEEN GLASCOW

28 setembro 2017

Autor: Kathleen Glasgow  Ano: 2017 | Páginas: 384 |  Editora: Outro Planeta Gênero: Ficção, Jovem adulto, drama | Adicione ao Skoob 

Desde quando peguei o livro Garota em Pedaços e comecei a analisá-lo, lendo as informações da capa, sinopse e orelhas, eu soube que seria uma leitura delicada e bastante profunda.  A meu ver o tema é denso e sério. A personagem principal sofre de um distúrbio que a leva a automutilação. Desde o inicio fiquei interessada e em minha opinião assuntos assim devem ser discutidos constantemente, para que as pessoas possam compreendê-los um pouco mais. A propósito a abordagem se encaixou perfeitamente neste Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.


Na trama conhecemos a protagonista no momento em que ela está internada em uma clínica para garotas que assim como ela machucam o próprio corpo. Acompanhamos seu período de internação, depois sua saída e vida fora do hospital. Trata se da difícil jornada de uma jovem tentando superar seus enormes problemas. Aos 17 anos Charlie tem uma história conturbada, que vamos conhecendo através de suas lembranças e de sua nova rotina. Encontramos coisas como a perda do pai, perda da melhor amiga, péssimo relacionamento com a mãe, abandono, vidas nas ruas, violência e muito mais.

"Eu me corto porque não consigo lidar com as coisas. É simples assim."

Este amontoado de situações conflitantes resulta em um abalo emocional muito grave e todas essas frustrações fazem com que Charlie se corte em busca de alívio. Ela se corta em momentos de descontrole, quando sua dor, seu medo e sua solidão, ficam maiores do que sua vontade de abandonar esse comportamento. E uma compulsão, algo que a deixa envergonhada e que destrói ainda mais sua autoestima.  Decidida a mudar, mas desprotegida e insegura, ela encontra no desenho uma maneira de se acalmar e se expressar. Será a arte sua salvação?


É algo “muito doido” ler e se aproximar tanto de alguém que carrega sentimentos tão perturbadores. A fragilidade emocional da personagem é angustiante. Penso que qualquer leitor com um mínimo de empatia será tocado pelo texto. Ela se sente sozinha, detesta suas cicatrizes e se vê como alguém desprezível e sem valor. Toda esta fragilidade faz com que Charlie seja uma pessoa vulnerável e a deixa exposta a ser usada, iludida, se decepcionar, sofrer, entrar em crise e ter momentos de descontrole. A história dela fez com que meus problemas ficassem pequenininhos.

"...Ainda não estou pronta para olhar para mim mesma e tocar nos danos recentes.
Tocar em mim vai tornar tudo ainda mais real.
E minhas cicatrizes ainda doem..."

A trama é narrada em primeira pessoa pela protagonista e isso nos proporciona um acesso muito íntimo aos seus pensamentos e sentimentos. Todos os personagens são envolventes e em meio a tanto transtorno Charlie se relaciona com amigos e vive um romance. Temas pesados como drogas, álcool, sexo desregrado e abuso são abordados na obra e me admirou a sensibilidade com que a autora tratou tudo isso. Fiquei surpresa ao descobrir que Kathleen também viveu o problema da automutilação. A nota da autora no finalzinho do livro me deixou arrepiada!



Apesar de já ter visto, por alto, algo parecido na mídia, este livro foi o mais próximo que cheguei desta realidade. Graças à leitura, tive curiosidade de pesquisar um pouco mais e hoje sei que a automutilação e um distúrbio grave, que requer tratamento. Resumidamente são pessoas que usam a dor física para aliviar sofrimentos psicológicos e isso se transforma em um vício. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não e uma atitude de quem quer chamar atenção e se você que está lendo esta resenha passa por isso, não tenha vergonha, busque ajuda,busque apoio.

"Estou tão partida. Não sei onde todas as peças de mim estão, nem como montá-las..."

Embora a intenção de quem se mutile não seja por fim a própria vida, a prática destrutiva revela um sofrimento silencioso, que mata aos poucos a alegria de viver.  Em alguns casos essa atitude pode sim levar uma pessoa a por fim a própria existência ainda que sem querer. Portanto, se você conhece alguém que esteja nesta situação, enxergue a atitude como um pedido de socorro, não feche seus olhos nem ajude a acobertar. E se em algum momento você tiver o impulso de se machucar, não vá em frente. Quem passa ou já passou por isso, nos alerta para o quanto é difícil parar após ter feito uma primeira vez.


Como se não bastasse toda dificuldade vivida, pessoas assim ainda precisam lidar com a discriminação. Sei que cada um age de acordo com o que acha certo, mas gostaria de deixar aqui o meu apelo em favor do respeito e contra o preconceito e o julgamento. Tente se lembrar de que há muita dor e sofrimento envolvido. Eu acredito no amor (claro, ligado aos tratamentos necessários) e gosto de pensar que o afeto pode ser grande aliado na cura de corações e mentes adoecidas. Garota em Pedaços me chocou, me angustiou, e me fez refletir. Se algo assim lhe interessa, aposte na leitura!

E então, gostou da resenha? Tentei ao máximo dar a devida importância a esta questão tão delicada. Beijo da Nat.

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22 comentários:

  1. Gosto desse estilo de livro e o que me chamou atenção foi o trabalho da autora de querer mostrar pra gente o que se passa na cabeça de alguém que faz isso com o próprio corpo. É horrível e pior ainda como existe um preconceito acerca disso não é? Vira e mexe escuto umas porcarias falando que é pra chamar atenção, que a pessoa é doida e coisa assim mas parece que não param pra pensar no sofrimento da pessoa pra ela chegar a fazer algo do tipo como um escape. É legal esse tipo de livro por chegar a conscientizar um pouco né...
    E parece que a autora tratou tudo de um modo bem sensível e que faz a gente simpatizar e entender a personagem. Legal por ter outros temas envolvidos também. E até um certo romance.
    E o mais legal de tudo é você ver que a autora tem um ideia da situação também. Achei isso bem interessante porque dá pra ver que ela sabe do que fala e quer passar algo com a própria experiência, não é? É um livro que adoraria ler.

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    1. Verdade Cristiane,
      Saber que a autora viveu isso
      realmente eleva o livro a um
      nível de maior proximidade com
      a realidade da situação.

      Espero que goste da leitura.

      Obrigada pelo comentário. Beijo

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  2. Olá! Minha amiga já me indicou esse livro muitas vezes, mas nunca tive a oportunidade de lê-lo. Ela, como você, também se chocou muito com a leitura e gostou muito também. Quanto a mim, acredito que esse tipo de livro tem um papel social muito grande, além de nos emocionar. É muito interessante saber que a autora também já passou por isso, então vai saber tratar o assunto com respeito e delicadeza, pois sabe que existem muitas pessoas por ai que passaram pela mesma situação que ela. Bem, adorei a indicação, agora eu quero ler esse livro o quanto antes. Bjos!

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    1. Olá Jéssica
      Que bom que gostou da indicação.
      Fico feliz!
      Espero que goste da leitura.

      Obrigada pelo comentário. Beijo

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  3. Oi Nathalia,
    Garota em pedaços traz um tema tão pesado e complicado que deveria, sim, ser mais abordado nos livros. O sofrimento de um individuo é algo tão íntimo e pessoal que não dá para mesurar sua dor o dizer como será seu comportamento perante a situação. Para Charlie a automutilação é um alívio, assim como para outros é as drogas, a bebida, a comida, etc. É um vício que não deve ser ignorado ou ridicularizado. O fato da autora ter passado pelo que a protagonista passou é o que confere este nível de detalhes e sentimentos tão profundos expressados na trama. É um livro que quero conhecer e espero ver mais títulos que abordam temas tão importantes de ser discutidos.

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  4. Olá Nathalia! Quando leio livros assim eu fico muito mal, pois não tem como não sentir empatia pelos personagens que vivem conflitos emocionais tão profundos. Como você disse o livro tem tudo a ver com o mês de setembro e se tiver a oportunidade com certeza lerei Garota em pedaços. Espero que na trama Charlie tenha um final feliz e não morra, pois não tenho estrutura emocional para isso. Beijos

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  5. Amei sua resenha!
    Ainda não li o livro, porém quando foi lançado vi que várias pessoas queriam ler esse livro. O tema está sendo bastante abordado ultimamente e isso é algo muito bom!
    Não consigo nem pensar no que passa na cabeça dessas pessoas, mas sei que tem sim muita dor e sofrimento.
    Quero muito ler esse livro e refletir mais sobre o assunto.
    Beijoss

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  6. Oi, Nat!
    Nunca li nenhum livro onde o personagem principal sofre de um distúrbio que a leva a automutilação, é que prefiro livros com tramas mais leve, sabe?! Que não me deixe angustiada...
    Mas concordo completamente com você, a automatização não é uma atitude de quem quer chamar atenção, quem pensa assim é alguém ignorante que não sabe de nada.
    Mas enfim, amei sua resenha!
    Bjos.

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  7. Acho extremamente importante que mais obras abordem temas como o suicídio. Quanto mais discussões houver melhor.
    Não conhecia o livro, fiquei bem interessada.Vou dar uma olhada nas livrarias online.

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  8. Gostei do estilo e de como a autora trabalhou em mostrar o que se passa dentro da cabeça de alguém que sofre e vê como alivio se mutilar. É algo para não ser negligenciado. Tema pesado, tenso, mas, escrito de forma delicada e particularmente, quanto mais obras ou qualquer seja o outro meio para abordar o tema que tem tudo a ver com o "Setembro Amarelo", melhor para gerar discussões buscando conscientizar e ajudar. Adorei a indicação, já anotei no minha lista de desejos. Ótima resenha!!

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Oi Nat,
    Gosto muito de livros com esse tema e concordo que esses assuntos devem ser discutidos constantemente, infelizmente ainda não li esse livro, mas pela sua resenha me interessei muito, já adicionei na listinha de desejados e pretendo ler em breve.

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  11. Oi Nat.
    Eu adorei conhcer seu ponto de vista a respeito de um livro tão trsite, ams que ao memso tempo trás uma grande mensagem.
    Eu estou ansiosa para ler o livro, porém estou em preparando mentalmente para o que está por vir, eu sou meio fraca para essas coisas, porém não quero abrir mão dessa experiencia que pelo pouco que descreveu sei que irá ser uma das mais triste que já li nesse sentido, auto mutilação não é algo que eu goste de ler (acho que ninguém faz) mas eu conheço pessoas que fazem isso e vêem como um alivio, enfim, eu quero ler, porém não sei estou preparada para isso.
    Bjs.

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  12. Olá, pela resenha é notável que a escrita da autora sai das páginas de nos leva a várias reflexões acerca do tema, que lamentavelmente é a realidade de muitas pessoas. Espero conferir o livro o mais breve possível. Beijos.

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  13. Deve ser uma leitura muito pesada e angustiante, da até arrepios em pensar em alguém se cortando a pessoa deve estar muito desesperada, não sei muito sobre a auto mutilação mas acho que essa historia ajuda a ficar mais inteirado sobre o assunto. Os temas abordados são muito importantes pois acontece muito na nossa realidade a personagem esta passando por maus momentos e parece que nada da certo para ela.

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  14. Em uma época da minha vida eu aderi a automutilação para me distrair de outros problemas. Eu tinha muitas crises cardíacas, ficava nervosa facilmente e isso me levava a passar muito mal. E a cada crise eu era consumida e meu corpo ficava cansado, letárgico, então com o tempo descobri que me concentrar em algo diminuia isso. Então entrei na espiral de me ferir com as unhas, coçava um lugar até ficar vermelho, arranca sangue até dizer chega. Fincava as unhas na palma da mão e pronto eu pensava que aquilo tava ótimo e resolvia meus problemas. Depois passei pro vício de arrancar os cabelos e alguns outros que prefiro nem citar. No fim estava com tantos vícios e problemas que um dia explodi e resolvi mudar. Não foi fácil largar eles e aprendi a não ter vergonha de assumir os erros do passado que me moldaram como sou agora. No entanto me dói ver parentes meus se cortando assim como essa garota do livro. Uma já fez para aparecer e me confidenciou isso, enquanto a outra fez e ainda faz para fugir de seus problemas. O que me entristece, porque já conversamos mil e ela mesmo já tendo ido uma única vez ao médico – muito pouco na minha opinião – ainda o faz e não deixa de aparecer cheia de marcas nos braços, pernas e barriga. É frustrante você tentar ajudar e a pessoa se distanciar. E só quem já passou por isso sabe o quão duro é você ser estigmatizado por isso. Acho incrível no entanto saber que há quem como eu que saiu desse vício e conseguiu seguir em frente, tanto que hoje alerta a outras pessoas e ainda fala abertamente sobre isso, tal qual a autora desse livro que parece ser muito boa leitura para se fazer. Gostei da resenha por demais, parabéns.

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  15. Oi, Nat!!
    Acho super importante ter livro como esse quem fale um pouco sobre temas tão delicados como suicídio ou automutilação, são assuntos que deve ser tratados com cuidado e respeito por todos e principalmente por quem escreve pois tanto pode ajudar alguém a sair dessa situação como fazer também o contrario.
    Bjoss

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  16. Oi!
    Sinto que essa historia carrega uma carga emocional bem grande, não deve ser fácil viver assim. O tema que aborda no livro não foge muita da nossa realidade, aonde muitas meninas se cortam. Adorei esse tema e com certeza quero ler.
    Adorei a resenha, beijos.

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  17. É muito doido alguém se automutilar, mas, se vc pensar bem, buscar na sua rotina diária, pelo menos uma vez na vida já se coçou até sangrar. Isso, segundo algumas pessoas, tbm é automutilação. Então já não é uma coisa tão doida assim. É fácil falar, criticar, pra quem está de fora da situação

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  18. Eu li esse livro no começo desse mês, e adorei ele. Com certeza é um dos meus favoritos do ano! O livro realmente aborda um tema bem delicado, e bem realista. Eu também gostei muito da narrativa da autora! Com certeza é um livro ótimo!
    Bjss ^^

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  19. Oi Nathália! Realmente é muito importante falar sobre isso. Tanto quem sofre quanto quem está de fora da situação precisa começar a entender que é uma doença, um distúrbio, e que a vítima precisa de ajuda, não de julgamento. Não é vergonhoso, é triste. É desesperador, na verdade, ver alguém sofrer. Vou te confessar que não é o tipo de leitura que eu curto porque me sinto muito mal, fico muito envolvida com tais histórias. Mas compreendo perfeitamente a importância delas. Beijos.

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  20. Oi! Acho sempre válido trazer temas como este pra discussão, mas tem que ter muito cuidado ao relatar em livros e séries. Autores e roteiristas precisam redobrar a sensibilidade para informar sem machucar ou acionar gatilhos.

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