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{ #RESENHA } UMA SEMANA DE INVERNO - MAEVE BINCHY

03 maio 2017

Título: Uma semana de inverno | Maeve Binchy | Ano: 2017 | Páginas: 362 | Editora: Bertrand Brasil | Gênero: romance | Adicione ao Skoob

Chicky conheceu seu grande amor num lindo verão em Stoneybridge, oeste da Irlanda, sua casa. Apaixonada e certa de que estava fazendo a coisa certa, seguiu para os Estados Unidos, embora suas amigas achassem que ela tivesse enlouquecido e sua família considerasse aquilo um ato de rebeldia irreparável. O começo foi maravilhoso: Walter era ainda mais maravilhoso do que sempre fora, tudo era tão novo e inexplorado, vivia num apartamento comunitário com pessoas entrando e saindo na agitação de Nova York e amava aquilo. Para seus pais, no entanto, nunca contou como realmente vivia, escrevendo-lhes apenas sobre passeios ao ar livre e como o emprego de Walter estava melhorando, como ambos cresciam na vida. O final não foi tão maravilhoso assim, e ele ocorreu rápido, menos de um ano.

“Não podia estar terminado. Não o que eles tinham. Ela implorou e suplicou; mudaria qualquer coisa que estivesse fazendo errado.
Interminavelmente paciente, ele lhe garantiu que não era culpa de ninguém. Era o que acontecia – o amor florescia, o amor morria. Era triste, claro, essas coisas sempre eram.”

Como não podia voltar para casa, Chicky se virou, arrumou um novo lugar para morar, era jovem, muito esforçada e não tinha medo do trabalho. Conforme os anos passaram, sua família se tornou menor resistente à sua vida, o Walter sobre o qual ela lhes contava era tão diferente do que eles imaginavam. Ela então resolveu fazer uma visita, não seria difícil fingir após anos escrevendo sobre sua vida fictícia. Na sua viagem ela visitou a Casa de pedra, o local de vida de três solteironas – três irmãs – que ela amava brincar quando criança. Com as visitas continuadas à família, logo queriam fazer uma visita. Ela inventou que Walter morrera num acidente, e tivera que se mudar. A visita foi cancelada, e ela decidiu que voltaria para Stoneybridge, restauraria a Casa de Pedra com a companhia da única irmã viva das três moradoras.


A partir daí o enredo conta a formação da casa de pedra. A autora explora em capítulos separados a vida de Rigger e Orla, o primeiro um filho de uma ex amiga de Chicky que após se envolver em grandes problemas, recebe a ideia de Stoneybridge como uma oportunidade de uma vida digna.  Orla, sobrinha de Chicky que foi para Londres trabalhar com tecnologia, vê o convite da tia como uma oportunidade de repensar os rumos que sua vida está tomando. Os três personagens têm isso em comum: ver a Casa de Pedra como um local de recomeço. Além disso, os outros capítulos vão tratar das histórias dos hóspedes que passarão uma semana de inverno nesse belíssimo lugar.

“– É que isso simplesmente não é o que eu pensei que faria na vida – confessou ele.
– Também não é o que pensei que faria da minha vida, mas, em algum ponto ao longo do trajeto, temos de pegar o que temos e fazer o que dá.”

Acredito que a intenção da autora tenha sido criar um pano de fundo sólido para a Casa de pedra, antes de colocar histórias que ocorreriam lá e que se ligariam de alguma maneira. Um ator desiludido, um casal de médicos, uma relação sogra-nora... todos juntos lá numa semana de inverno. Infelizmente, não funcionou muito bem pra mim porque o que sobrou no fim foi apenas isso: cenário. A escrita da autora é boa, fácil de ler, mas é como se fosse um livro muito raso. São pessoas reais com histórias que você poderia facilmente ouvir no dia a dia, o que geralmente é algo positivo para mim, mas o máximo que a história conseguiu fazer comigo foi me tirar um leve sorriso no meio do livro. Isso pra mim faz com que tenha algo faltando, eu gosto de me emocionar quando leio. 


A personagem principal, Chicky, parece simplesmente incapaz de sentimentos depois da sua decepção amorosa. Ela é extremamente esforçada e mostra que temos que lidar com a decepção respondendo com mais esforço, mas ao mesmo tempo, parece que ela está tão preocupada em dar a volta por cima que não sente nada – felicidade, tristeza, ansiedade. Rigger foi um dos poucos personagens no qual notei um verdadeiro impacto de uma nova vida. Os outros personagens, no geral, apesar de terem um capítulo exclusivo, são trabalhados de forma superficial. Os capítulos sobre eles são um pouco mais movimentados, e embora pareçam um pouco à parte do começo do livro, são bons. A sensação das paisagens Irlandesas e a Casa de pedra em si dão certa sensação de aconchego quando lemos, o que é algo muito positivo. É isso: uma leitura leve, que talvez deva ser feita de forma mais lenta, aproveitando capítulo por capítulo.

“– E você já amou alguém, Orla?
– Não, não amei. Já gostei, sim.
– Bem, pelo menos você sabe a diferença, e isso é mais que algumas de nós conseguem.”

A capa reflete tudo que descreve: o aconchego, um chá quente num dia frio. A editora Bertrand Brasil fez um belo trabalho combinando o exterior com o interior, e tanto a qualidade da folha quanto a letra apenas completaram o belo trabalho estético.



E vocês, leram? O que acharam?

comentário(s) pelo facebook:

24 comentários:

  1. Olha devo dizer que o livro até que tem uma temática interessante mas não senti vontade de ler esse livro, pelo que vi na resenha é que ela tinha um bom enredo mas personagens fracos. Então eu realmente dispenso a leitura mas mesmo assim eu agradeço a resenha.

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  2. Confesso que não me atrai muito a bordagem de mais de uma história no livro sabe!?
    A premissa é interessante, mas acredito que a leitura seja meio cansativa.
    Achei bem aconchegante a capa mesmo. Quem sabe num futuro eu tenha a oportunidade de ler o livro?
    Beijos,
    Caroline Garcia

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    1. Eu também não fico muito atraída com as histórias de personagens diferentes sendo trabalhadas dessa forma

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  3. Lo!
    Não li o livro ainda, mas a mim, ficou a impressão que a autora quis mostrar que 'nossa casa' é nosso porto seguro, mesmo após vários anos e decepções.
    Triste ver que as personagens são rasas e não temos como nos apegar a elas, mesmo porque, algumas não conseguem demonstrar seus sentimentos e nem aprenderam com suas situações.
    Desejo um mês abençoado!
    “Muitas palavras não indicam necessariamente muita sabedoria.” (Tales de Mileto)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  4. Achei a capa e o titulo chamativos mas, após ler a resenha, não tive maior interesse. Uma história bacana com personagens rasos e uma leve impressão da leitura ser arrastada/cansativa. Dica anotada, quem sabe um dia...

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    1. Nem sempre a capa reflete o interior, né?

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  5. Oi.
    Gostei muito da sua resenha, mas infelizmente o enredo desse livro não me conquistou.
    Por tudo que você comentou, parece uma leitura um pouco cansativa e com personagens que não cativam.
    De qualquer forma, obrigada.
    Beijos.

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  6. Olá, apesar de a história estar longe de ser original, os personagens e o cenário convergem para uma leitura agradável, ainda mais nesse tempo outonal. Beijos.

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  7. Achei meio confuso ter duas histórias dentro da outra!
    Nunca li nada assim. Achei bem original.
    Contudo achei o enredo fraco. Sobre a mulher que se mudou para ficar perto do seu grande amor e depois ele largou ela e teve que sobreviver sozinha. Achei que faltou algo.

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    1. Pois é, o que tem de mais legal é que ela não ficou se lamentando, sabe? Ela correu atrás das coisas. Mesmo assim...

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  8. O jeito da história até que parece legal, um pouquinho diferente e curto umas coisas assim. Torna a leitura mais interessante. Mas também gosto quando um livro me emociona ao ler e se esse ficar com essa sensação de que falta algo não sei se iria curtir muito. Tinha achado a ideia dele legal, parece que os personagens são fáceis de imaginar no dia a dia, suas histórias e etc, mas seria bom se a gente pudesse se conectar mais com eles, ter mais algumas coisas ali...
    Não sei, só lendo mesmo pra entender e se puder vou tentar pegar pra ver como é. Mas acho melhor não criar altas expectativas...

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  9. Oi Lo! Conforme fui lendo a resenha, fiquei interessada, mas quando você falou que no final o que sobra é apenas cenário, desanimei. Por mais que a história seja boa, não funciona para mim se a história terminar assim.
    Beijokas
    Quanto Mais Livros Melhor

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    1. Oi Priscila,
      Ás vezes a gente tem que tentar pra ter as nossas próprias impressões, se você gostou da história inicial talvez goste do livro!
      Beijos

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  10. Oi Lô!
    Bem, pelo que li o livro não parece ser muito marcante ou emocionante. Realmente prefiro livros que me fazem chorar, rir, ficar ansioso e nervoso etc. Mas vou guardar o nome deste para quando estiver a fim de uma leitura despretensiosa.
    Abraços!

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  11. A capa está muito bonita, mas a história não chamou minha atenção... tb gosto de me emocionar durante a leitura e esse parece ser um livro morno.

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  12. Oi Lô,
    Não é o tipo de livro que tenho interesse em ler, a primeira parte de sua resenha mostrou ponto que achei interessante como o fato de Chicky viver uma vida de mentiras para não dar "o braço a torcer" e admitir que seus amigos e familiares tinham razão sobre seu relacionamento. Isso é algo que ocorre muito e acho que muitos leitores podem se identificar com a situação. Mas o restante da trama não me pareceu muito cativante e não fiquei curiosa em conhece-la.

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  13. Eu não conhecia o livro, mas confesso que não fiquei com muita vontade de ler...
    Achei legal a história se passar na Irlanda (acho que não li nenhum livro que se passava lá). Mas acho que vou me incomodar bastante pelo livro ser muito raso e o enredo nem me interessou tanto =/

    Bjss ^^

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  14. Adorei a capa, mas infelizmente não enredo não chamou a minha atenção, por isso não pretendo ler, talvez daqui um tempo eu mude de ideia, mesmo assim obrigado pela dica e a sua resenha estava ótima.

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  15. Oi Lô,
    De início achei que fosse um romance, porém é um livro com mais história em um mesmo pano de fundo. Acho o tipo de livro ideal para ler entre um livro e outro. Algo mais despretensioso, leve e calmo.
    Beijos

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