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{ #RESENHA } NOSSAS HORAS FELIZES - GONG JI-YOUNG

04 maio 2017

Nossas Horas Felizes de Gong Ji-Young livro
Nossas Horas Felizes |  Autora: Gong Ji-Young |  Ano: 2017 |  Páginas: 280 | Editora: Record | Gênero: Ficção, Jovem adulto, Romance 

"Odeio minha mãe, sei que, se  eu for visitá-la, vou querer me matar de novo. É por isso que , em vez disso, estou aqui. Não que eu goste de você, mas também não te odeio. Nós não nos conhecemos o suficiente para nos odiarmos. Então já que não podemos nos odiar, estar aqui é confortável pra mim. Ou talvez seja apenas a melhor opção agora. Por favor, não entenda mal. Não é só por isso."

A primeira vez que vi o livro “Nossas Horas Felizes” foi na página do grupo Editorial Record e me apaixonei pela capa, fiquei curiosíssima sobre a história, ainda mais quando li que era de uma escritora coreana que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares e, como estou na fase dos k-dramas (novelas coreanas) e tudo que tem a ver com meus amigos asiáticos, eu quis ler. Entretanto, acho que me esqueci como os asiáticos tem uma forma única de narrar uma história, te convidando a pensamentos profundos de pontos muito diferentes do que aqueles que fomos ensinados no ocidente. Mesmo já tendo visto vários  k-dramas e achando que já tivesse aprendido muito com eles, tomei mais um banho de humanidade e empatia enquanto li “Nossas Horas Felizes.”


Nesse enredo há dois personagens em momentos bem complicados da sua vida, se assim posso dizer. O primeiro é Azul (Yunsu), um jovem condenado ao corredor da morte por um crime hediondo, que passa seus dias esperando o dia em que sua sentença será executada, sem a esperança de uma reviravolta em seu caso. Ele é um preso briguento e com muita raiva, que achava que todas as pessoas ricas deveriam morrer, e passa muitos dias na solitária


Em contrapartida há Yujeong, uma jovem linda e de uma família rica que pela terceira vez tentou suicídio. Sem ser compreendida pela família, desesperada por ser notada além da menina problema e revoltada com o mundo, é também uma personagem forte que tem lutado, da maneira que sabe, com os demônios do seu passado e a dificuldade em entender bem no que ela se encaixa. Para sair do hospital e não precisar de acompanhamento psiquiátrico, ela aceita acompanhar sua tia freira por trinta dias em visitas voluntárias a uma prisão para encontrar com presos no corredor da morte. É por causa desse acordo que as vidas de Yujeong e Azul vão se encontrar.

Não tinha muita ideia do que realmente o livro falava, então achei que seria uma história bem superficial e vaga sobre homem condenado a morte e uma mulher que tentou suicídio, mas nem imaginei que o enredo seria contado a partir do ponto de vista dos dois personagens e que a tia Monica era uma cola tão importante para a história. Muito menos que as partes de Azul teriam uma viagem a partir de sua infância até chegar onde está agora, através das cartas que ele escreveu na prisão, e essas partes foram as que mais cortaram meu coração e me deixaram em lágrimas, pois as tristezas e injustiças vividas por ele e seu irmão parecem não ter fim. Só que também foi o que me mostrou o quanto ele era forte e incrível. Mas Leh, ele não está condenado a pena de morte? Sim, é verdade. Mas durante a leitura, você vai vendo que há mais nele no que sua condenação.

LIVROS EDITORA RECORD

Os outros capítulo são contados em primeira pessoa pela Yujeong no presente e através deles você vai sentir a raiva e revolta contra um condenado à pena de morte. Com o olhar frio de uma pessoa de fora da situação, e incapaz de sentir empatia pelo outro, fui convida a desvendar através de diálogos dela com sua tia e depois com o Azul, que há mais no ser humano do que podemos descobrir à primeira vista. No início achei que Yujeong era uma pessoa egoísta, rica e mimada e fazia questão de olhar o outro de cima, sempre tentando se sentir superior, mas me esqueci de um pequeno detalhe: Ninguém tenta suicídio por nada e há sempre algo por trás. Também me esqueci que é uma autora asiática, e geralmente eles apresentam o amor por mostrar mais do que a fachada exterior do ser humano. Com o decorrer das páginas fui descobrindo mais da personagem que no início me pareceu fútil, e evoluindo junto com ela através das visitas e conversas.

É um livro tocante, angustiante e que me fez refletir capítulo por capítulo. Sempre ouvimos que o meio influencia a atitude e personalidade das pessoas, e seria muito fácil dizer do conforto da minha casa, da segurança que sempre tive através dos meus pais, que isso é simplesmente mimimi para tentar justificar aquele bando de monstros que matam e abusam sexualmente das pessoas, porém  eu acredito que o meio tem sim influência em nossas atitudes e escolhas. Algumas vezes a violência e a raiva são as únicas coisas que a pessoa conhece, e no caso do Azul, ele teve que conviver com isso desde bem pequeno, aprendendo a lutar para sobreviver. A vida não foi um mar de rosas e as dificuldade e eram muitas, então vamos dar um desconto a ele e descobrir durante a leitura o que realmente aconteceu.

LIVRO NOSSAS HORAS FELIZES -  GONG JI-YOUNG  EDITORA RECORD

Te convido a ler, mas mais ainda te convido a conhecer a calma de um povo, seu jeito simples de viver que, mesmo com toda a dificuldade, sempre tenta achar um jeito de lembrar que o outro é humano e por isso falho. A forma como Gong Ji-Young escreve é envolvente, poética é única, o que não é de admirar, não é?! A mulher é uma das romancistas mais aclamadas de seu país e isso não é a toa,  já que seu jeito tocante e simples de contar uma história mostram o porquê do seu reconhecimento.

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21 comentários:

  1. Não conhecia a autora mas já deixo dito, me apaixonei pelo livro (Sério! Compraria só por essa capa linda! hehe) e pela história contada por ele. Não conhecemos a dor que o outro sente nem os caminhos que teve que percorrer para chegar até ali naquela situação. Amei a resenha!

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    1. Ohh confesso, pedi o livro a editora por causa da capa, e estou tão feliz por isso a historia é lindona, se você ler já sabe vem me contar o que achou.

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  2. Não conhecia essa obra ainda! E parece mesmo ser uma leitura bem profunda, intensa e envolvente.
    A luta pela sobrevivência, as dores, as dificuldades desses personagens parecem ser tocantes demais.
    Fiquei bem interessada no livro! E curiosa pra conhecer o desfecho da história desses dois.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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    1. É muito intensa sim Carol, tenho certeza que se você ler vai te marca muito, obrigada pelo comentário.

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  3. Tinha visto esse livro e confesso que a capa me chamou muita atenção também, mas vi pouco da história. Parece um livro muito bonito e bem mais do que a gente pode pensar a principio. Achei legal ter esse foco na vida de Azul, desde a infância até o momento. Gosto quando dão uma ideia de tudo pelo que o personagem passou e pelo jeito a vida dele não foi fácil...
    Se a história for tocante mesmo acho que iria adorar ler. Parece uma boa dica =)

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    1. Eu também gosto bastante de conhecer a historia do personagem do inicio ao fim, torcendo para que você leia.

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  4. Olá.
    Que bela resenha, parabéns.
    Não conhecia a obra em questão, mas me despertou interesse.
    Parece ter uma leitura bem profunda, sobre tudo que os personagens estão passando e sentindo. Espero ter a oportunidade de ler.
    Beijos.

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    1. Obrigada Márcia, torcendo para que você consiga ler, vale muito a pena.

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  5. Eu já tinha visto esse livro então posso dizer que estou bem chocada de ver um senhor enredo, na verdade eu também esperava uma história bem simples mas como sempre esses coreanos no deixam perplexos com tanto talento pelo amor kkk Eu não tinha a minima curiosidade de ler esse livro, na verdade achei que ia ser uma perda de tempo mas olha aqui eu queimando minha linguá e vendo que o livro é ótimo. Vou dar uma procurada no preço agora ^^

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    1. Rissa quando você ler me conta o que achou, simmmm eles tem uma empatia fora de serie.

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  6. Olá, o livro carrega a mensagem do julgamento prévio, estamos sempre apontando dedos mas não sabemos dos motivos que levam a uma dada situação, a obra faz um reflexo de ações e consequências e nos deixa com muitas reflexões a fazer. Beijos.

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  7. Acho que esse livro na pagina da editora!
    Eu nem parei para ver a sinopse! Porque não tinha visto ninguém comentando sobre ele.
    Quando comecei a resenha, pesei que fosse só mais uma história clichê.
    Como uma história de amor entre um presidiário e uma mulher rica que tenta suicídio. Já vi vários livros com esse enredo. Porém parece que esse é mais profundo e tocante! Achei muito legal!

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    1. Herica é bem legal sim, já fiz isso, passei pela foto e não parecei para olhar direito, torcendo para que você leia.

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  8. Oi Leh! Tudo bem flor?
    Fiquei imaginado como seria o e encontro desses dois personagens que a não ser pela "morte", não tem nada em comum. Eu fico boquiaberta quando os autores conseguem pegar um fio da história e desmembrar em outros muito mais profundos, imprimindo sensações em nós que não estávamos esperando.
    Essa obra parece ser uma dessas. Quero ler.
    Beijokas
    Quanto Mais Livros Melhor

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  9. Boa noite, Leh!
    Nossa, que história profunda. Fiquei bem interessado no livro porque, como sempre digo, amo histórias HUMANAS. Amo saber o que se passa na cabeça de um criminoso, de uma pessoa de depressiva, de alguém preconceituoso, enfim, adoro saber o faz com que as pessoas hajam de certa forma. E Nossas Horas Felizes parece retratar essencialmente isso. É muito bom quando nos surpreendemos com uma trama, assim como você se surpreendeu com essa, o que me deixa ainda mais curioso. A escrita da autora deve ser maravilhosa. Vou pôr na lista.
    Abraços!

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  10. Nunca li nenhum livro de um autor asiático. Parece que eles tem uma escrita bem diferente das que estamos acostumados né? A capa é linda, e a história parece ser muito bonita, mas também muito triste. Fiquei muito curiosa em ver como a história desses dois personagens, tão diferentes, vão se cruzar.

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  11. Leh!
    Como não tenho costume de assistir K-dramas e não conheço muito sobre o povo coreano, acho uma grande oportunidade ler esse livro, porque além de tudo, fala sobre dramas pessoais e podemos aprender muito sobre o que leva as pessoas a tomarem atitudes drásticas.
    Quero ler!
    Desejo uma ótima semana!
    “Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer-se a si próprio é sabedoria superior.” (Lao-Tsé)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  12. Oi Leh,
    São essas histórias que partem de uma premissa simples e ordinária que mais me surpreendem, pois a exploração da trama vai se mostrando mais profunda a cada capítulo. Já tinha visto a capa deste livro algumas vezes, mas nunca tive interesse em saber sobre o enredo. Não tenho costume de ler livros de autores asiáticos, então não sei bem o que esperar da narrativa, mas achei bem interessante os temas abordados (suicídio e corredor da morte) e fiquei curiosa para ver as vidas de Yujeong e Azul se cruzarem. Vou procurar saber mais sobre o livro e sobre a autora e quem sabe dar uma chance a esta obra.

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  13. Eu não conhecia o livro, mas já fiquei com muita vontade de ler ele. Achei esse enredo super interessante, acho que nunca li nada parecido. Fiquei muito curiosa pra conhecer melhor os personagens, e saber porque Yujeong tentou o suicídio. Mas não sei se vou gostar de ler um livro sabendo que o protagonista já foi condenado a pena de morte (a romântica em mim já iria ficar criando expectativa de que ele vai sair da prisão e eles vão ficar juntos hahaha). O livro realmente parece ser bem tocante, e quero muito ler ele =)

    Bjss ^^

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  14. Primeira vez que vejo sobre esse livro e adorei essa capa. Adoro quando o livro faz refletir, e quando ele é mais do que imaginamos, vou ter que comprar esse livro logo.

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  15. Oi Leh,
    Não conhecia a obra muito menos a autora. Fiquei tentada a ler inicialmente por ser uma autora coreana e nunca li livros de autores da Coréia. Interessante a história de Azul e Yujeong se cruzaram. Deve ser o tipo de livro que nos faz refletir bastante.
    Beijos

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