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{ #RESENHA } O Filho do Coveiro - Marcos Mota

28 novembro 2016

O Filho do Coveiro | Autor: Marcos Mota | Páginas: 96 | Ano: 2015 | Editora: Mou 

Conheci o autor Marcos Mota em um encontro literário realizado na biblioteca em que eu trabalho. Foi quando tive o prazer de ganhar seu livro autografado. Fiquei feliz por ser um romance, gênero que tanto gosto, achei a capa bonita e o título intrigante. Impossível não pensar imediatamente em cemitério... E é exatamente para um cemitério que a trama nos leva. Mais precisamente para o cemitério São Cristovão, situado na cidade mineira de Campo Verde, local que se tornou o segundo lar do protagonista Edgar Pomer, o filho do coveiro. Desde criança Edgar se acostumou ao ambiente e a tudo que nele ocorre. Com o passar do tempo aprendeu o oficio de coveiro, para auxiliar o pai nas tarefas diárias. Mas, seus sonhos e planos para o futuro começam a mudar quando em um dos costumeiros enterros, ele conhece e se apaixona pela pequena Elisabete Sousa. Uma bela menina que chorava a morte do pai.



Da infeliz perda de Elisa surgiu o encontro, a amizade e posteriormente o amor do casal que manteve por anos encontros secretos no mausoléu da família da moça. Acompanhamos um amor romântico e é bonito ver como Edgar descreve Elisa com palavras doces, carregadas de admiração e paixão. Há na trama um clima de mistério devido boa parte dos acontecimentos se darem em um cemitério. O pano de fundo já é sombrio por si só, mas como se não bastasse o local é constantemente violado por saqueadores e feiticeiros praticantes de magia negra. O romance é temperado com pitadas de ambição, inveja, mortes, misticismo, questões sociais... Uma série de obstáculos com os quais Edgar precisa lidar. Lendo é possível perceber que o amor por Elisa o impulsiona e o faz querer chegar cada vez mais longe e ousar em busca do melhor. Por amor ele batalha por conquistas e enfrenta situações de perigo.


A história é narrada em primeira pessoa por Edgar. Ele se mostra determinado e espeto. Gostei muito de seu raciocínio rápido! O personagem é sensível, tem fé em Deus e é capaz de enxergar a fragilidade da alma humana. Criativo se mete até a escrever histórias... Marcos descreve em seu livro sentimentos, pensamentos, cenários, cheiros... Isso me aproximou do ambiente e dos personagens. O pai de Edgar me pareceu um homem distante, pouco carinhoso com o filho que perdeu a mãe aos 5 anos. Em compensação Edgar conta com a presença de dona Noemi, uma beata carinhosa que é como uma mãe para ele.  Como tudo se passa no início do século XX há um ar tradicional presente no comportamento dos personagens e também nos diálogos com um vocabulário mais formal. Apesar de não possuir um texto “moderno” como o dos romances atuais, a leitura é leve, rápida e como possui poucas páginas concluí em um único dia.  Não posso deixar de mencionar as pequenas ilustrações no início de cada capítulo, um detalhe delicado que combinou bastante com toda a proposta.


Gostei muito do romance. Na maioria das vezes leio histórias que se passam no séc. XXI, mas não posso negar que há um charme e uma elegância nos romances do passado. É agradável ver a forma respeitosa como os apaixonados se tratavam. Em contrapartida foi triste deixar a imaginação passear por uma Minas Gerais onde havia fazendeiros impiedosos com seus escravos. É estranho pensar em dinheiro e posição social falando alto nas relações de maneira tão explicita quanto era na época. O livro me fez “dar um pulinho” nesse passado recente. Confesso que invejei a coragem e o desembaraço de Edgar para lidar com a morte. Medrosa como sou, gostaria muito de ser tão destemida quanto ele, que em nada se impressionava diante dos assombros do cemitério. A história é simples, curta, despretensiosa, mas irá mostrar a olhos atentos e a corações sensíveis um bom exemplo de determinação e fé. E você, já leu o livro? Gostou da resenha? Beijo.

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10 comentários:

  1. Eu ameii esse livro!
    Só achei muito fino, mas a história parece ser muito boa!
    Amo romances e esse me chamou a atenção!
    Parece meio clichê, mas todos amam um bom romance assim!

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  2. É romance de época? Pergunto pq no início da capítulo tem o desenho de uma carruagem. Gostei do enredo, mas grande parte da trama se passar num cemitério achei sombrio demais. Pra mim, não teria clima namorar dentro de um cemitério, no mausoléu da família.

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  3. Que livro interessante heim? O título até poderia me desencorajar porque logo penso em cemitério e o romance tem essa ambientação. Mas acho que ele não é mórbido ou medonho, parece ser bem bonito e cheio de sentimentos. Além de se passar numa época um pouquinho distante. Acho legal livros com carinha de mais antigo e por ter esse tom mais formal e tradicional mesmo. Muito boa a dica. Acho que iria gostar se lesse =)

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  4. Eu não conhecia o livro, mas achei ele bem interessante. Acho que o que eu vou gostar mais são os personagens, que parecem ser ótimos, e achei a história bem legal também. A única coisa ruim é que ele é muito pequeno, provavelmente vou ler ele em um dia mesmo...

    Bjss ^^

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  5. Olá.
    Não conhecia o livro, mas fiquei interessada. Espero ter a oportunidade de conferir!
    Sua resenha está muito bem elaborada e motivadora.
    Beijos.

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  6. Amei a resenha, me deu vontade de ler o livro e viajar nesse romance cheio de mistérios.

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  7. Lindas fotos, ótima resenha, não conhecia esse livro, a história parece ser bem interessante, fiquei doida pra conferi isso tudo que foi dito aqui.

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  8. Conheço a autor devido a encontros literários já realizados pelo Coisas de Mineira e este livro foi parar na minha lista desde o momento em que ele o descreveu. Lendo a resenha só afirmei mais a vontade de conhecer a história, de adentrar o mundo dos personagens que pelo que pude perceber são narrados com carinho e atenção. A capa e o título devo admitir que foram o gatilho para tal curiosidade desde o início, aquele ar de mistério misturado com romance porém em um ambiente totalmente "inusitado", um cemitério. Gostei da resenha, que tenha mais autores nacionais nas próximas!

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  9. Oi, Nathalia!
    Também concordo com você, acho super charmoso e elegante o romance do século XX, mas também pesam os absurdos que eram cometidos na época. Só achei bem diferente o romance deles se desenvolver no cemitério, algo bem diferente até mesmo se fosse nos dias de hoje.

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  10. Conheci o Marcos num encontro sobre publicação independente! Esse livro parece realmente maravilhoso, quem não ama um romance escondido, não é?

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