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Como se livrar (ou não) de um assassinato.

04 julho 2016


Estava em um período com meio desanimo de ver minhas series, era tanta coisa atrasada, tantos episódios para colocar em dia que só de imaginar me dava uma preguiça monstruosa, juntando isso com o final da semestre estava com minha vida de viciada uma bagunça. Mas bastou as ferias chegarem, que já me joguei na cama pra colocar tudo em dia e foi preciso muita maratona, cobertor e pipoca (odiei a vida inteira, pra em maio desse ano descobrir que é ate bem gostosinha) para conseguir ver todas. Nessa minha maratona comecei a assistir a segunda parte da segunda temporada de How to get away with murder, e vai ser dessa serie que falaremos hoje.

Shonda Rhimes a produtora de Greys Anatomy, é daquele tipo raro de pessoa onde tudo que ela faz arrasta legião de fãs apaixonadas e com essa nova serie produzida por ela não poderia ser diferente. HTGAWM estreou em setembro de 2014 e vem se mostrado uma serie de sucesso e com um publico fiel, ela se passa na Filadélfia e tem como personagem principal a professora de direito penal e advogada de sucesso, Annalise Keating, interpretada pela maravilhosa, fabulosa, incrível e rainha Viola Davis, que por sinal foi a primeira mulher negra a ganhar o Emmy de melhor atriz em serie dramática. 

Annalise é casada com um psicologo e tem sua própria firma em casa, onde trabalha com seus associados e sempre seleciona alguns dos seus alunos para entrarem no time, formando assim os Keating five. Além de ser uma ótima experiencia para os estudantes, onde aprendem de perto todas as artimanhas da advogada, eles concorrem também a um troféu, que representa o seu despenho fabuloso na empresa, e garante ao vencedor se livrar de qualquer prova aplicada pela professora. Os alunos selecionados nesse ano em que começamos a acompanhar a serie são; Wes (ator de Harry Potter), Michaela, Laurel, Asher e Connor. Wes de alguma maneira tem um destaque que só é possível entender ao certo na segunda temporada, e é ele quem nos guia pelo campus nesse primeiro momento. Logo no começo também somos informados a respeito do desaparecimento de uma aluna de psicologia, Lila Stangard, e é esse desaparecimento que desencadeará toda primeira temporada.


Como em toda serie jurídica, a cada episodio somos apresentados a um novo cliente que os alunos de Annalise e seus associados precisam inocentar, e eles fazem isso usando de todas as brechas nas leis e algumas vezes a ignorando também. O diferencial dessa série é que os casos de alguma maneira não sao cansativos ou repetitivos, o que acaba sendo normal nesse formato, acho que esse fato se deve a maneira que Annalise conduz tudo, juntamente com o drama envolvendo todos os personagens e os temas que sao abordados. O fato de termos uma negra como principal, ou melhor, o fato de termos uma negra como rainha da serie já me causa um certo amor a primeira vista, e infelizmente é algo que nao estamos acostumados a ver, como disse o ator Richard Lawson (padrasto da minha musa Beyoncé), “Ver uma mulher negra comandar todas as cenas e ser o destaque de uma série não devia ser tão revolucionário quanto é, considerando que estamos em 2014, mas, bem, é."

No pacote tempos outros negros em papeis de destaque (e não se enganem, representatividade importa) e uma mexicana, mas isso não iria sustentar o meu sentimento se a serie não fosse de fato de tirar o folego, o ar, de deixar a gente tremendo em alguns episódios. A serie trabalha de uma maneira diferente e ao mesmo tempo batida, ela fica voltando do passado ao futuro em quase todo momento, ela intercala o dia do assassinato que esta no passado, com o futuro onde se passam os casos da empresa e todos os envolvidos tentando se livrar da cadeia. Mas essas idas e voltas não deixam os episódios cansativos ou confusões, é feito de uma maneira tão seria e focada, que o telespectador entende facilmente o que esta acontecendo e não fica confuso, ou melhor, a gente só entende mesmo o que de fato aconteceu no ultimo episodio, não por ficar perdido, sim porque era esse o objetivo da produção.



Annalise é imune de impulsos emocionais, enigmática, forte, baixa, inteligente, maravilhosa e gritante, ela é daquele tipo de gente que faz o que precisa fazer, entendem como? Ela nao perde muito tempo com consciência pesada, faz o que é preciso e lida com as consequências, simples assim. Indo bem baixo mesmo para inocentar seus clientes e muitas vezes pessoas próximas a ela acabam machucadas ou ate mesmo incriminadas. Devido ao fato dela ser ao mesmo tempo brilhante e sem moral, os seus cinco alunos acabam em diversos momentos se desentendo entre si, tendo crise de consciência e questionando a própria professora.   


Em algum momento em que só fica claro no final da temporada, todos os alunos (exceto Asher), Annalise e quem mais tiver passando na rua na hora (brincadeira, mas tem muita gente mesmo) acabam se envolvendo em um assassinato e ai que começa a fica serio, ai que temos o verdadeiro espetáculo digno de aplausos e de roer as unhas. É simplesmente hipnotizante ver como cada pessoa reage a esse crime, observar os nervos, o stress, o medo e o desespero em se livrarem do peso, da prisão e a necessidade em tentar seguir a vida da maneira mais normal possível. Devido a essa ligação forçada entre todos, o grupo fica mais unido, no mesmo tempo em que ficam mais separados e desconfiados, eles precisam estar junto, pois é um dominó de terror, se uma peça cair, todos caem, mas isso não faz com que eles deixem de brigar, acusar entre si e terem discussões homéricas.


Abordando temas como homossexualidade, estupro, racismo, traição, sexo de uma maneira sem vaselina, livre de preconceitos e tabus, você acaba vendo diversas coisas por outro angulo e acaba analisando diversos temas de maneiras diferentes do que de fato é acostumado a fazer. Uma das cenas mais a flor da pele e rasgadas da serie é o momento maravilhoso em que Annalise se desmonta inteira para dormir, você vê aos poucos ela descendo do salto, tirando a mascara de advogada superior, de mulher auto confiante e se tornando uma mulher negra comum, dessas que lutam e vão continuar lutando a todo momento para serem vistas e reconhecidas pelo o que são e não pela cor da pele. É lindo, chocante e emocionante, quando Annalise tira a maquiagem, a peruca e a vemos ali, na nossa frente, completamente despida, feminina e limpa. Essa cena é preciso ver, sentir e entender pra ter a devida dimensão. 

Além de ser uma ótima serie, com um ótimo enredo e com atuações de tirar o folego, a serie grita representatividade e prova o que Viola disse em seu discurso no Emmy, a unica coisa que difere uma mulher negra de uma mulher branca, são as possibilidades, tirando isso, todas as duas podem, vão e são capazes de fazerem trabalhos incríveis e inesquecíveis. Enfim, se você quiser se apaixonar, sentir raiva, ficar hipnotizado por uma serie e morrer um pouco a cada episodio, se você quiser ter uma aula de direito, representatividade e força feminina. Se você ama enredos enigmáticos e series jurídicas, How to get away with murder é o que esta faltando em sua grade.


HTGAWM esta na segunda temporada e devido ao contrato de Viola elas são bem curtas, então se você ainda não assistiu, dá tempo de começar e colocar em dia rapidinho. Assistam e me contem o que acharam.


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