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1917 | ALERTA OSCAR

07 fevereiro, 2020 por

“1917” – O cenário é a Primeira Guerra Mundial, em abril deste ano. Nas trincheiras, soldados esperam pelas batalhas e pela morte. O general Erinmore convoca dois soldados da frente britânica para uma missão perigosa. Os cabos Blake e Schofield são designados para levar uma mensagem importante para o 2oº batalhão em Devon. A mensagem ordenava que cancelassem o ataque planejado. Uma vez que o exército alemão fez um recuo estratégico e se prepara para dizimar 1600 soldados ingleses.

Blake e Schofield aceitam a missão (quase) suicida. Blake tem maiores razões, pois seu irmão, Joseph Blake, está no regimento condenado. Esse é o enredo que norteia “1917”, dirigido pelo notório britânico Sam Mendes. O diretor é também conhecido por seus trabalhos em “Beleza Americana”, “Foi Apenas um Sonho” e nos dois últimos filmes de “James Bond”.

Entre as principais características do filme, uma das mais destacadas é sem dúvidas, o foco no homem. O foco no ser humano, ao invés de contar a história da guerra em si. O recorte, uma missão dada a dois homens, com seus sofrimentos e limitações… Isso transporta o telespectador a um ângulo mais humano e menos histórico.

Uma guerra sempre deixa milhões de mortos, milhões de anônimos se considerarmos apenas o evento histórico. São os familiares, amigos e amores que sentem falta do individuo. Que estará empilhado junto de seus companheiros de trincheira em meio à lama e ao caos. Mendes nos coloca em contato com o indivíduo, seus anseios, dramas e expectativas.

Blake, conhecido por seu conhecimento cartográfico, parte na missão pensando em salvar o irmão, Joseph. Sua parceria com o também jovem Schofield, mostra-se bem sucedida ao longo do trajeto. Ao adentrarem em uma trincheira alemã abandonada, caem numa armadilha que quase mata Schofield, que tem a vida salva por Blake.

Os rapazes chegam a uma fazenda onde, também mostrando um pouco do realismo da guerra. Tudo parece ter sido recentemente abandonado, pois até um balde de leite recém ordenhado é encontrado. Schofield, incrédulo, enche seu cantil com o leite, enquanto observa com Blake uma batalha aérea entre dois aviões ingleses e um alemão, que é abatido e cai justamente na fazenda, quase matando ambos. No avião, em chamas, está o piloto alemão, também em chamas, que é resgatado por seus inimigos britânicos.

(alerta de spoiler leve – pois “1917” muda drasticamente após esses acontecimentos)

Schofield deseja executar o alemão, já ferido, mas é impedido por Blake, que pede ao cabo que busque água. Tivesse cumprido o desejo de Schofield, Blake teria, dessa vez, a sua vida salva. Pois, enquanto o colega buscava água, o alemão esfaqueava Blake para a morte. Schofield, depois de (agora sim) executar o inimigo, acalma Blake em seus minutos finais, prometendo cumprir a missão e comunicar seus familiares.

Schofield segue então o caminho, auxiliado por tropas amigas. É bloqueado por uma ponte derrubada e chega a uma vila parcialmente destruída, onde encontra uma francesa cuidando de um bebê. Schofield recebe cuidados da mulher, e deixa para ela, além do cantil de leite para a criança, quase toda comida que carregava.

Depois de quase morrer enquanto cruzava o vilarejo, ele acaba caindo em um rio. Rio esse que o conduz diretamente às tropas de Devon, para que pudesse cumprir sua missão. Schofield ainda precisou cruzar toda trincheira, pegando atalho inclusive pelo campo de guerra. No exato momento enquanto a primeira onda de soldados partia para a armadilha, para encontrar o coronel Mackenzie (que o recebe com incredulidade), e só depois entende a gravidade da missão, enfim, cumprida.

Novamente ressaltando o drama do homem, Schofield parte em busca de localizar o irmão de Blake. Consegue o encontro no campo de feridos, quando informa a Joseph, sem dizer, que seu irmão havia morrido na missão. Schofield então, se isola da tropa e, recostado numa árvore, tira as fotos de sua família. Devem ser provavelmente sua esposa e filhas. O que mostra mais uma vez a história de vida por trás de um anônimo soldado condenado á morte.

“1917”, que já foi premiado em diversos festivais, e pode consolidar seu sucesso na premiação do Oscar, é brilhante na execução e na filmagem. Os soldados, em seu caminho, são filmados como se estivessem em um videogame. Os cenários vão surgindo na tela à medida que caminhavam. Detalhes extremamente realistas, como os cavalos mortos, homens atirados pelo caminho e cenários de vidas comuns deixados para trás… Tudo isso transforma “1917” em um filme esplêndido, digno de todos elogios e premiações a que tiveram direito até então.

O modo de filmagem e o roteiro focado no drama individual, para mim, são os elementos que tornam “1917” um dos melhores épicos de guerra e um dos melhores longas da atualidade. Sam Mendes, mais uma vez, não decepcionou.

Crítica escrita pelo nosso leitor @daykersonav  – marido da nossa Carol Nery. Ele nos enviou essa crítica (muito bem feita) sobre o que ele achou dessa produção! 

Muito obrigada Daykerson, por acompanhar nosso trabalho, e também por compartilhar conosco sua crítica.

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Data de lançamento: 18 de janeiro de 2020
Duração: 1h 59min
Gêneros: Drama, Histórico, Guerra, Épico
Direção: Sam Mendes
Elenco: George MacKay, Dean-Charles Chapman, Mark Strong
Distribuidor: Universal Studios

 

 

 

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2 Comentários

  • Marilene
    fevereiro 07, 2020

    Legal, confio piamente nas palavras de Daykerson, quando o assunto é cinema, haja vista seus comentários em grupos e sua paixão por esta arte,foi um filme que não “liguei” muito para assistir,mas pela resenha, parece tratar-se mesmo de um bom filme, o enfoque do filme me agrada, mesmo que o foco seja o homem em si,mas todo o cenário,com certeza, é bastante atraente Vou assistir! Casal de parabéns com suas resenhas, Carol & Daykerson!

  • Elze
    fevereiro 07, 2020

    Eu vi o filme é não achei nada de mais. Não merecia o globo de ouro, não merece o oscar. Roteiro pífio, entregar uma mensagem durante a guerra. O irlandês é muito melhor. Mas não vai levar porque é netflix